Faz um tempo que eu não falo nada. Não sei por medo das coisas que eu venho pensando, não sei se porque elas simplesmente não cabem mais ou se por achar que não são necessárias dizer.
Eu esperei por muito tempo e todos os dias antes de dormir eu pedia, que por favor, fosse você a ligação do dia seguinte, que por favor você chegasse de repente só pra dizer que sentiu saudade ou que alguma coisa do seu dia te fez me lembrar.
Eu esperei como quem espera um trem que não chega nunca na estação, com os pés batendo no chão de um banco qualquer que diria alguma coisa se pudesse conversar, algo que me fizesse levantar e seguir. Ou que me fizesse ficar esperando pra ver que o trem que não ia chegar.
Ninguém nunca me contou, sabe? Ninguém chegou e me disse no canto do ouvido que você não viria, ninguém me disse as claras que você não esperava que eu estivesse pensando em você alguma hora do dia. Ninguém nunca conseguiu quebrar toda essa minha ilusão e eu continuava esperando.
Não foi por não dizer que eu não senti. Quando eu finalmente descobri que era a estação errada pro trem que não vinha, doeu quase como uma dor física ou mais que isso. Doeu ali dentro, fundo, como se apertassem e esmagassem devagar só pra ver o quanto eu sou capaz de suportar e suportei.
Suportei por mim que não sou nenhuma coitada (ao contrário de você), suportei porque se o trem não chega na estação é porque o caminho que ele segue é outro, melhor, mais rápido ou o que quer que seja. Ele sabe seus trilhos, não posso simplesmente achar que ele mudaria o rumo da viagem por alguém estar esperando.
Mas nada que você realmente precisasse saber. É, acho que foi por isso que eu não disse mais, por isso que estive sumida e não fui tirar satisfação disso ou daquilo. Não quero mais arranjar motivos por simplesmente não te encontrar, não nos encontramos e ponto. Alguma coisa sempre tem que acabar e era só isso, não é?
E tudo bem se os lados vêem as formas erradas, se cada um visualizou uma situação, eu continuo torcendo pelo caminho do trem e vez ou outra volto na estação pra ver se ele por acaso passou pra me procurar, ele nunca passa.
Não sinto vontade de dizer mais, não adianta, não muda e nem vai.
E faz um tempo que tudo saiu do trilho, faz um tempo que eu olho pro lado e nem quero mais que você esteja, faz um tempo que antes de dormir eu peço que, por favor, não seja você no dia seguinte.