terça-feira, 27 de abril de 2010

Assassinato de quebra-cabeça

As coisas começaram a vir cortadas pra mim, todas elas desde que eu mesma tinha me cortado dividindo os pequenos pedaços de mim. Vinham pela metade, sem um começo ou um fim, peças de um quebra cabeça sem figura. Peças que deveriam se completar e ter as medidas certas para isso, ao contrário, eram figuras desfoques, sem forma.
Quando eu fechava os olhos eu podia concluir meu quebra-cabeça nas mais diversas figuras bonitas, mas era só abri-los que se tornavam vagos. Nos meus pensamentos, sempre de olhos fechados, eu também era inteira, cheia de muitos pequenos e grandes pedaços que me montavam numa figura esplendida, não no sentido físico, no que só pessoas de olhos fechados (literalmente ou não) enxergam.
Meus pedaços iam caindo no chão, ficando presos nos cantos das salas, nas praças, nos bancos, se perdiam... Às vezes eram pisoteados, cuspidos e mesmo que já estivessem fora de mim, eu sentia, doía, molhava, irritava, mas eles não eram vistos por essas pessoas, nem que elas estivessem de olhos bem, bem fechados.
Elas tinham quebra-cabeças completos e desfaziam das minhas metades, que já não me deixavam inteira e eu sempre com uma faca, me cortava ainda mais, com cada parte minha se desfazendo como um corpo decapitado por um assassino. Eu era minha própria assassina corajosa de fazer meu quebra-cabeça se desfazer.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Eu , a dor e medo.

O medo ainda era o mesmo, a dor também, ela só tentava ser estampada por alguma coisa mais bonita, sinceramente, não tinha nada bonito naquela estampa mal feita de desenhos sorrindo parecendo um smile ou qualquer coisa forçada demais pra ser real.

Era mais fácil assim, o que as pessoas diziam sobre passar rápido ou diminuir realmente era verdade. Digo, a parte de passar rápido. A intensidade ainda era a mesma, diminuir era só uma ilusão plantada pelo tempo.

As possibilidades atormentavam minha visão que se prendia ao passado sempre que eu tentava ver um futuro feliz. Era meio masoquista, mas às vezes eu chamava a dor gostava que ela ficasse comigo, era uma desculpa para eu não precisar enfrentar certas coisas que também me amedrontavam.

Meio ficção, meio realidade, ela se implantava sem pestanejar e a força que eu fazia depois para tentar mandá-la embora era até gostosa, a gente se dava bem. Eu e a dor, não numa amplitude comum. Éramos como qualquer coisa que se completasse por curto espaço de tempo e depois nos agonizavamos como qualquer coisa que por tempo demais se completou sem sentido.

Ela não mudava, só se escondia forçadamente quando eu fingia que precisava que ela fosse embora para "seguir em frente", mas teimosa como eu, vivia batendo para entrar em cena de novo. Gostava de ser o centro, maldita dor narcisista.

Pelo menos era mais bonita que os sorrisos forçados, era real. Às vezes a realidade é uma beleza feia, mas acho que enganar é mais feio. Por isso a achava mais bonita, mesmo que ela me fizesse mais feia. Não importávamos, éramos uma só e se assim fosse, completariamos o medo... Mas desse não convinha dizer, era grande demais e extenso demais, de uma forma mais abstrata digo que se assemelhava a dor, mas não eram nada parecidos.

Enfim, ambos eram parte de mim e eram gigantes como eu, num mundo de outros muitos gigantes que tentavam todos os dias esconder as mesmas coisas que eu. Falsos!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Intensidade

Reconheci todas as minhas “eus”, todos os meus nós, coitados, tão sós que até faziam rimas com o vento que cantava lá fora.
Era uma confusão, mas a confusão era uma neblina tão clara, tão coberta de certeza, era uma fusão. Fundia meus pensamentos de várias identidades com os nós embaraçados nos abraços apertados. Ah! Que saudade desses abraços nas noites frias do meu quarto, sozinha com um retrato.
Deitava nos cobertores que cobriam as minhas dores que tremiam debaixo deles, às vezes faziam a cama andar vez em muito faziam o meu eu parar. Ainda que difícil saber qual deles paralisava.
As pinturas nas cortinas dançavam ao canto do vento, que cantava as rimas dos nós, sós. Elas se encontraram e se embolavam como a confusão que era cada vez maior e se embolava em outra e outra e outra... Todas tão bonitas de sentir.
O canto era inaudível, mas ao mesmo tempo de uma beleza infinita. Os olhos foram fechando e a dor coberta pelos cobertores se acalmando e eu ali, me lembrando dos muitos que fui, das muitas que sou, dos muitos que fomos e do que não seremos.
Tão claro, tão... Tão!

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Seu nome num papel.

Quando ela chegou abrindo a porta eu fiquei com raiva, muita raiva. Sabia que ela era quem mais estava sofrendo e eu deveria ser forte para ampará-la. Mas eu estava tão inerte à minha própria desilusão que criei um muro que bloqueou minha visão para qualquer outro sentimento transparecido.
Não argumentei, grunhindo algumas palavras a fim de mostrar que pelo menos eu ainda estava viva (e sabe-se lá quão bom àquela hora isso poderia ser). Ela saiu, eu sabia que voltaria, desistiu de me fazer levantar, ao contrário de mim aceitou e reconheceu meu sofrimento, ela era digna de aplausos. A pessoa mais incrível que um dia cruzara meu caminho. Quando ela fechou a porta eu fiquei imaginando a dor dela, não enfatizando a dor que ela realmente estava sentindo, mas imaginando como eu estaria em seu lugar, como eu faria se um dia ela simplesmente partisse. Meu coração parou por um segundo e depois eu entendi, era exatamente assim que eu me sentiria se isso acontecesse.
Ela era forte, a mais forte que eu conhecera nesta vida e se um dia a força dela acabasse a minha provavelmente iria junto. E a figura mais perfeita, com todos os seus defeitos e ela sofria, sofria tanto que tentava esconder de mim de uma maneira de poupar todo o sofrimento que também me consumia. E a imagem dela indo embora veio de novo, mais uma vez meu coração parou, é assim que a gente morre, quando o coração não vê mais sentido de bater, o dela batia ainda por mim e enquanto isso acontecesse o meu estaria batendo por ela, não numa reciprocidade obrigatória, mas resumida como amor e eu amava tanto que chegava a duvidar se a dor que eu estava sentindo era maior por vê-la sofrendo, não importava muito, a dor agora tinha o tamanho proporcional ao amor que eu sentia e este era imensurável.

domingo, 11 de abril de 2010

It's gonna be a long night.

O dia inteiro passado, o segundo dia inteiro passado buscando por compreensão e será que ela vem? Esperando que aquele vazio se preenchesse de forma a inchar, como fora um dia, inchado!
Mas depois de passados dois dias, mesmo sendo recentes, acho que eu compreendi: O vazio não passa. Nem que a tentativa de enchê-lo seja tão forte a ponto de se tornar falsa, ele não é preenchido com momentos futuros e isso porque ele simplesmente pertence ao passado. Um passado que acabou ali e não vai ser presente e se tornar futuro, aquele era o fim de qualquer outro tempo verbal.
E mesmo compreendendo isso, ou fingindo ser humana suficiente e fazer jus à racionalidade que nos propuseram quando fomos criados, era difícil digerir e até mesmo suportar, porque o vazio ele não se instala simplesmente e fica, ele mexe, encostando-se às feridas que tentam cicatrizar e nunca conseguem porque o vazio as machuca de novo quando elas começam a fechar. Ele dança danças da solidão tão feias que ardem. Se pelo menos ele conseguisse se aquietar dentro de mim.
Eu entendi, entendi que havia um parasita em mim, um hospedeiro daqueles e que ele comeria cada canto do meu coração, que por sua vez, nunca lhe seria suficiente. Eu estava fadada ao sofrimento, eu me colocara naquela situação, aliás, a vida me colocara naquela situação e eu me acomodei a ela. Isso tudo porque dois dias haviam se passado, tão lentamente como dois anos inteiros e eu tinha certeza que o que tinha brotado-não como uma flor-dentro de mim, permaneceria por dias além desses dois.
Compreendi, mas isso não fazia com que ficasse fácil aceitar.

sábado, 10 de abril de 2010

Saudade.

Caí nesse buraco esquisitíssimo que se chama saudade. Sabe o que é mais esquisito nele? É um buraco ambulante, sim, ele tem vida e vai aumentando, aumentando, aumentando...

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Eu só queria que essa mão invisível que de alguma forma consegue ter uma força incrível, parasse de esmagar meu coração.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Que se dane a vida.

Então é assim?A gente vive 19, 20, 50, 70 anos amando incondicionalmente uma pessoa pra no final o quê?Ela virar pó?Ela entrar em uma caixa, mais precisamente um caixão e ficar lá até que a gente também vire pó e entre em um caixão?
E o tempo até que a gente vire pó, passa rápido?Passa?Acontece?Existe tempo entre um caixão e outro?
Afinal, a troco de que dedica-se a vida por uma pessoa?Amando, cuidando, protegendo, querendo bem, sustentando, sendo sustentando por isso.A troco de quê?De lembranças?Viveria de lembranças de livros e filmes, seria o suficiente, sofreria pelos outros e só.
Agora foi, ser estrela, ser anjo.. Ser pó!Não importa mais, agora virou lembrança e que se dane a lembrança, eu quero presença!
E a partir de hoje, eu abdico do amor, desisto de me encantar por pessoas que no final, só farão parte da minha memória.Não quero mais amar, se for pra sofrer desse jeito, de um jeito que nem sentir o sofrimento, eu consigo, de tão grande que ele pode ser.
Que se dane o amor, no final ele morre mesmo.
Que se dane!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Papel de carta.

Procurando por certezas encontrei um papel que nem era tão velho quanto aparentava cheio de frases minhas, escritas pra você.
Eram frases absurdamente sinceras que eu não sabia que conseguiria escrever um dia, que relendo consegui reviver aquelas palavras.
Não mandei aquela folha para ninguém, não expus o sentimento ao mundo, ele não precisava de mais um desamor.E eu não precisava afirmar que o que eu não queria que acontecesse, estava ali, acontecendo como se fosse de novo a primeira vez.
O fato de ter escondido, não fez com que parasse, não fez com que diminuisse.E agora, tão distante, em um outro lugar que eu desconhecia e que provavelmente não chegaria a conhecer, você estava.
Não esperava mais por você, não sabia mais como fazê-lo.Mas isso não fazia com que o desejo de voltar aumentasse todos os dias.
E a história já estava escrita, nenhum avião te levaria embora de mim, mesmo que você já tivesse ido.
Estávamos ali, naqueles momentos e mesmo não bastando, era meu.
Eu não te mandei, você não sabia, não importava, era meu.
O mundo desconheceu o amor, desconheceu o desamor, desconheceu as incertezas, não importava, era meu.
E aonde você estivesse, embora eu não soubesse, não importava, era meu.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Uma noite longa pra uma vida curta.

Espelhados por sorrisos que mentiam alegria nas noites que já não eram quentes, que já não tinham estrelas, que já não sorriam luas.
Eram devastados por um céu sombrio, de cores foscas que chegavam a dar calafrios.
Ali, os brancos da parede já não tinham efeito iluminador, era noite mesmo com as luzes artificias, era noite.Escuro.
As pessoas que estiveram ali já não tinham nome, já não tinha rosto, já haviam ido embora, deram as costas com uma facilidade fascinante.Os olhos que ficaram observando cada um se afastar cada vez mais rápido, cada vez mais... Iam se perdendo nos falsos sorrisos procurando esconder a tristeza que os cobria.Eram tristes, eram noite.
Não pediram por presença, nem o sorriso, nem os olhos, nem o corpo, ficaram ali no branco escuro, na noite fosca, observando, lamentando, sorrindo.
Um filme que passava para cada passo que se afastava, uma novela dramática, uma comédia, um romance, gêneros infinitos em um só espaço.Que iam embora junto com as pessoas, com uma facilidade fascinante, cada vez mais rápido, cada vez mais...
E agora, restou a noite, que foi se expandindo e pluralizando, virando noites, longas, eternas noites, até a vida se encontrar com ela e virar noite, longa, eterna.

sábado, 3 de abril de 2010

Só quero você aqui comigo.

Encoberto de azul, mas não era o azul do céu, um azul bonito.
Era um azul que assemelhava a sensação de 'blue' que dizem do lado de lá.É uma sensação que não precede descrição.
As mãos que imploram por presença, as mãos ausentes, as mãos que já acariciaram, que hoje, só sentem.
Os olhos que não abrem para ver a luz do dia, ou para perceber a tristeza que ronda o azul, não que seja necessário olhos abertos para isso, às vezes é melhor que eles fiquem fechados cobrindo a dor transparecida.
A sorte de ter passado anos ao seu lado, experiência que não cabe num discurso, as paixões, lembranças, os sorrisos, os carinhos.
Você é só você, aqui, como uma estrela, como um anjo.É só você.
Somos só nós, eu sou você e não faça acostumar esses passos sem os seus, seriam sem caminho, sem força, seriam desviados, não seriam passos.Cairiam na primeira etapa, se enfiariam no primeiro buraco.
É uma vida inteira com você, não quero ir a parte alguma que você não esteja, não quero sofrer a dor de não ter quem visitar.Não me deixe sozinha do lado de cá, não faça perder as asas, se eu não aprendi a voar.