terça-feira, 13 de agosto de 2013

Sobre tudo que para quando a gente continua.
Fazer uma escolha de algo que já foi decidido antes por outra pessoa é tão vazio quanto esperar que uma decisão de dois anos mude como o tempo. Todos os dias o sonho de que alguma coisa pode acontecer diferente acomete as noites de esperança. Quase nunca a sensação de partir é tão pavorosa quanto a de ser deixada.
Qual o momento exato de seguir em frente quando algo está claramente paralisado? A vida, as sensações, as farsas, a vontade de ter e ser com quem já não pertence mais. A sensação do desconhecido que parece tão vergonhosa quanto a de nunca ter existido. O misto de tudo que foi compartilhado, com as decisões que não foram tomadas.
Um milhão de músicas que nunca fizeram parte, um milhão de filmes que nunca foram vistos, uma vida inteira compartilhada e jogada fora por um momento eterno. Saudade.
Não falar na primeira pessoa torna o sentimento distante, a história de outra pessoa que não conseguiu seguir em frete, a história de alguém que conseguiu estragar todos os momentos que poderiam ter sido pra viver um momento que nunca voltou a existir e que não se sabe quando de fato existiu.
A noite amedronta todos os medos costumeiros, tira sono de quem tem sono suficiente pra cobrir a dor, repõe os espaços, cala e traz o frio, lá de fora o mundo continua.
A vontade de mudar o rumo das palavras, o discurso, o medo de perder-se em um sentido traidor que não vai fazer voltar atrás, que não vai trazer de volta. A vontade de perguntar, de falar, de esperar... Esperar mais uma vez, pelo tempo que for. O amor que não cabe em tese, em mudança ou em situação.
Qual é o sentimento que paralisa a vontade de viver o novo? Qual o medo de ter sentido de novo, de se fazer importante? Qual a busca incansável de algo que claramente vai dar errado, por simplesmente certificar de que só vale a pena com uma pessoa?
Os nove anos que chegam sufocando qualquer dor de perder o que não mais existe, a vontade de soltar a mão que implorava pra ficar calmamente e virar a esquina, um caminho diferente sem voltar atrás, sem sentir os calafrios de uma noite sozinha.
O mundo continua e eu também.