quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Faz tanta falta o seu amor.


Ainda danço as mesmas músicas do mesmo jeito, meio desengonçada, com aqueles mesmos passos, com aquela mesma cara.
Ainda cubro os olhos com as mãos em filmes apavorantes de terror e fico uma noite inteira sem dormir com medo de alguma coisa do filme acontecer comigo.
Ainda subo as escadas tropeçando em todos os degraus e fico olhando o corrimão me perguntando: “Desço ou não desço?”, ninguém me empurra.
Ainda colo os retratos em cartolinas e finjo que são trabalhos escolares e fico apresentando pras minhas bonecas (que agora nem existem mais) cada pessoa importante, como se esse fosse o meu trabalho que mais valasse nota: as pessoas da minha vida.
Ainda atravesso a rua quando eu vejo um pombo e passo vergonha (dessa vez sozinha) quando voa algum na minha direção inesperadamente, continuo apavorada com as mesmas coisas bestas de sempre.
Voltei a fazer dois baldes de pipoca quando sei que vou ter que dividi-las e sempre compro a maior do cinema, mesmo quando eu vou sozinha e na maioria das vezes sempre sobra, mas sabe como é? Pipoca é sagrada.
Ainda cumprimento algumas pessoas com o meu famoso “bu” e espero a resposta de “ah!”, mas elas nunca dão. Na maioria das vezes penso que as pessoas me vêem meio louca, meio fora do esquadro. Isso nunca foi um problema muito grande no nosso ex esquadro.
Ainda falo sem parar quando eu estou nervosa, assuntos desconexos só para não pensar naquilo que eu deveria.
Ainda faço lista de festa de aniversário e risco todas as pessoas, por pura maldade. Faço tudo isso sozinha.
Corro na chuva só pra voltar pra casa e fingir que alguém fala “não vai ficar doente”, eu nem fico mais doente há tempos, sei lá, aprendi a me virar.
Ainda fico imaginando se eu conseguiria ficar em pé no teto, vira e mexe eu tento e a parede fica marcada com meu pé, só que ninguém briga e as marcas ficam lá até eu ter coragem de tirá-las e tentar de novo. A freqüência tem diminuído, tenho medo do que vem sendo colocando no lugar desses momentos.
Minha perna não cabe mais no vão da porta, não dá pra subir. Nem tento mais... Menos um.
Minha cama por maior que seja agora, não suporta que eu fique tentando dar cambalhotas e eu me esqueci como se faz, esqueci até que eu tinha medo de quebrar o pescoço. Esqueci de muita coisa.
Desaprendi a tocar flauta e você nunca mais vai dizer o quanto eu tocava bem (mesmo que eu sempre tenha sido a mais desafinada).
Minha cama quase sempre fica arrumada, tirando as semanas de prova. Nada de toalha em cima, nada de sapatos em baixo, nada de roupas espalhadas. Tudo direitinho aprendi bem.
Tem sons que nem tocam mais, o rádio, por exemplo, nunca fica sintonizado na 96 enquanto eu fico  gritando: “Não quero ir hoje”, pra mais uma aula de ballet ou pro curso de inglês.
Ninguém me leva pra faculdade agora, tenho que ir com as minhas próprias pernas, sem nem esperar um beijo mesmo quando o meu maior mau humor pede por silêncio.
Continuo deixando muitas coisas pra última hora, mas ninguém me diz a quão aliviada eu ficaria se começasse a fazer tudo antes. Eu sempre tenho que ouvir isso de mim mesma.
Muita coisa continua a mesma, ainda sou menina que precisa de cuidados especiais, de atenção e que fica inventando mil desculpas pra sentir saudade. Ainda perco todos os meus compromissos importantes só por medo de me frustrar, ainda deixo de me envolver com pessoas excepcionais, só por medo de não me enquadrar. Continuo a mesma medrosa que liga a luz do abajur no meio da  noite. Continuo a mesma medrosa que escuta o tic tac do relógio e acha que é o lobo mau que ta caminhando na direção do meu quarto.
Mas é como se tudo que ainda existisse só pudesse ser meu quando eu estou com você, como se tudo que eu sou e tudo que eu ainda guardo, é tudo que você fez com que eu fosse. Faz tanta falta tudo que eu podia sendo com você.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Afazeres para não pensar.


Não tenho escrito tanta coisa mais, o que me deixa triste e cheia de angústia. Sempre encontrava uma forma bonita de falar de você quando te passava pro papel, você sempre foi um tipo herói moderno, desses que eu estudei há uns três anos e se você estivesse presente, aquele trabalho sobre isso, seria com seu nome na capa. Tão simples.
Até parece que quando eu não escrevo, eu não penso em você. Nos últimos dias minha vida andou um caos, sabe aquela fase em que vivo de textos e livros jogados pela cama, folhas pelo chão e roupas, muitas roupas fora do guarda-roupa por que eu simplesmente vivo sem tempo até pra respirar? Pois é, ela voltou. Adoro quando ela chega alguma coisa que faz com que eu me sinta importante e ocupada, cheia de afazeres, deveres, compromissos. Essa coisa de ir a um congresso fez com que eu me sentisse uma gente grande, importante que só, capaz de chegar aos pés de alguém assim, que nem você.
Congresso é uma coisa grande, cheio de gente interessante falando coisas que muitas vezes eu não entendo nada, coisas que eu desconheço e que não me envergonho em desconhecer, coisas que eu escrevo naquela minha caderneta rosa fosforescente de adolescente que só eu possuo no local e procuro em dicionários e obviamente jogo no Google pra me sentir mais intelectual. Claro que eu nunca falaria com você sobre os congressos que eu fui, mesmo que o último tenha sido inteiramente sobre um assunto que há tempos você quer conversar e que não cabe ao texto, você não se interessaria nem um pouco nas partes que me encantaram por mais de duas horas e que me fizeram babar de vontade de estar sendo uma das palestrantes lá em cima, cheia de si querendo contar vantagem de alguma coisa que outros importantes seres estão tentando absorver. Você provavelmente olharia para minha cara ou passaria a mão no meu cotovelo e diria que esta prestando e faria uma cara de desespero, tentando me beijar quase pedindo um: “Pelo amor de Deus, cala essa boca!”. Você não se interessa, é tão fácil entender.
E a gente nem sempre se interessar pelas mesmas coisas da um ar de saúde nessa nossa não-relação, adoro rir de alguns dos seus gostos, adoro tentar entender o porquê de algumas coisas mexerem com você e não me tocarem, essas coisas fazem com que eu tenha certeza de uma possível completude, que só existe na minha mente que vaga pelos mil lugares que eu gostaria de estar que não em um congresso. Que não em uma cama cercada de livros e textos, que nem buscando um tempo para poder escrever sobre você, queria estar vivendo você.
E nessa minha rotina desfeita de poucas horas e poucos dias, nessa  minha vontade imensa de sair de lugares cheios de pessoas que falam coisas que nunca vão ser assuntos nossos, nessa vontade de sair de lugares cheios de letras que ditam coisas que nunca serão lidas por nós, desses lugares infestados de um vazio enorme eu sempre penso em você. Quando a palestrante fala que sei lá é importante para alguma determinada coisa que me lembra você, quando um texto fala um nome engraçado e eu juro que você acharia também. Quando o espaço entre uma leitura e outra fica silencioso demais, eu penso desejo, imagino. E nesse meu pensar, desejar e imaginar, você nunca vem. Dói, sabia?
Porque tudo continua voltado para as mesmas questões, eu continuo sem entender as mesmas coisas, ainda que pareça que tenhamos resolvido todas elas, ainda que não tenhamos que resolver nenhuma delas. Não importa o quão cheio esteja meu dia, não importa em quantos congressos eu vá e o quanto isso me eleve em algum sentido intelectual ou infle o meu ego, por algum motivo besta de orgulho que eu tenho. Falta ainda muita coisa quando você não está, sobra ainda muita coisa quando você vai embora sem avisar.
E eu continuo aqui, esperando o dia acabar em letras pequenas demais para eu conseguir a noite, em palavras que soam tão vãs que me fazem querer ir embora. Tentando preencher com alguma coisa que nunca é você, desconstruindo tudo que eu montei que é seu, te desencaixando de mim. E nunca dá, mesmo quando você vai embora e tudo parece estar cheio, é como se você sempre fosse ficar aqui.

domingo, 26 de setembro de 2010

Não veio.

Não se adianta nas despedidas enquanto o mundo inteiro fica chorando de saudade. E eu fico esperando você chegar, esperando você voltar. Incerteza prematura do que poderia ser quando você for, quando na verdade você nunca veio.
Não entendo o espaço que falta sendo seu, se você nunca o preencheu. Ainda é grande e a saudade vai ficando e morando quase sempre quando a gente menos quer. Queria que você tivesse vindo, chegado de repente me fazendo uma surpresa, queria te esperar sentar enquanto a gente não sabia e eu não sei.
E você continua se despedindo, indo embora e nunca chegando perto. E o mundo morre aos poucos, chora aos poucos querendo que você fique.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Refúgio.

Gábiz diz: Gente! Pelo menos eu vou poder contar pra minha filha que a madrinha dela tinha uns surtos muito bizarros de vez em quando e que é pra ela tomar cuidado!Hahaha.
Narely diz: Ah ta. Então eu conto pra minha que um dia eu resolvi levar a madrinha dela na casa de um amigo, pela primeira vez e que no final da noite ela estava deitada num colchão chorando porque ela tinha perdido a lente, QUE ESTAVA NO OLHO DELA.

E enquanto tivermos essas histórias pra contar pras nossas filhas, que serão nossas afilhadas, por mim tudo bem.
Tudo bem se o mundo lá fora desaba aos montes, tudo bem se um velho vai entrar no ônibus e puxar nossos cabelos e dizer o quanto odeia mulheres e afirmar que o Marcelão é um pão. Tudo bem se eu terminar um namoro, se no dia seguinte você vai perder aula pra me levar à praia e mais tarde pra fazer compras e não é porque compra é uma ótima terapia, mas porque sua companhia é a melhor terapia.
 Tudo bem se você contar pra todo mundo que eu não tive alta na psicóloga e que sou meio maluca, tudo bem se nenhum relacionamento nosso der certo, a vida me trouxe você e deve ser por isso que ninguém nunca fica. Dizem que existem vários tipos de “alma gêmea”, eu devo ter encontrado a minha e não sobrou espaço pra outra.
Tudo bem se a gente sentar no isopor do cara e ele fizer escândalo. Tudo bem se eu tiver que sair correndo na Vila antes do curso de inglês pra caçar algum paquera que não estaria ali, mas que não custava conferir.
Tudo bem se eu acordar mau humorada e não quiser dar as caras pro mundo, você dá seu jeito e faz o mau humor passar.
Tudo bem se eu queimar a mão com água fervendo e morrer de dor, se eu tiver você pra segurar minha “barra”. Tudo bem se me ferrar em uma prova na faculdade porque você vai ter se ferrado comigo, só pra eu não ficar chorando sozinha.
Tudo bem se o dia estiver triste pra caramba, à noite a cortina vai dar um show particular pra gente e eu vou ter ataques incessantes de riso.
E tudo bem se tudo que eu acredito se desmoronar e se tudo que eu quiser não der certo, tudo bem se eu fizer drama demais, porque eu sempre faço drama demais com tudo que é pequeno. E tudo bem se tudo parecer grande e impossível e se eu quiser ser sempre triste, eu tenho mesmo essa mania de tristeza.
Tudo bem porque eu vou olhar pra parede e vai ter uma seqüência de fotos nossas que vão me dizer que sempre vai acabar bem.
E aí eu vou contar pra minha filha, que quando eu achava que não tinha saída a madrinha surtada dela sempre era a minha certeza de que tudo ia ficar bem e ficava, fica.
E vou ficar feliz de poder compartilhar com ela tudo que a gente inventou como vida infeliz e como tudo isso conseguia ser a parte mais alegre de mim. Porque com você fica bem e aí, tudo bem.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O fim do mundo.

Mas você vai ver o seu sonho desabar logo na sua frente. Você vai achar que é o fim do mundo e por um tempo indeterminada vai ser. É.
Você vai odiar a cidade e culpá-la por ser tão feliz. Também, logo eu, tentando me encaixar na cidade da alegria, na cidade maravilhosa?! Obviamente não daria certo.
E o fim do mundo tão próximo e tudo que você sonhou para o seu futuro acabando, indo embora. Agora é pó, linha ocupada no final da conversa.
O problema em planejar é esse: A frustração é muito maior quando não se alcança o objetivo.
Eu quero ir embora, agora, logo. Enquanto o ano corre, as coisas vão se despedaçando bem aqui e tudo vai indo sempre...
A gente perde um pouco o sentido, hoje cedo eu reclamava que não conseguia chorar. Ironico esse destino, me deu três palavras tão simples que desabaram tudo que eu poderia esperar. Acabou e aceita, seus sonhos não são importantes pra gente. É essa a tradução, né?!
Queria pelo menos poder esperar um 2011, mas é de tanto esperar que ando me frustrando, angustiando e toda sem ar, toda cheia de dor. Toda pela metade.
Eu precisava tanto ser completa. Ah! Fim do mundo, como é doído te encarar.

Um pouco do que falta pra quem é metade.

Um pouco de respeito para quem não sabe dar mais que isso. Algo como estar sempre no mesmo lado de um lado que não é seu.
Ainda acredito que as pessoas possam ser boas, sinceramente, não sei porque.
Um pouco de carinho de quem não sabe o que é acariciar. Foi um tempo de ternura que ninguém teve, fica uma lembrança sombria de um final de tarde colorido, de um sol nascendo lá no fundo e um dia seguinte sem cor.
Como se faltasse uma parte desesperadora de mim e ainda sabendo que não vai se preencher dessa forma eu continuasse numa tentativa suicida de encontrar uma peça.
Um pouco de dor pra quem já sabe o que é perder.
Eu que sempre consegui chorar tão fácil, em tudo, com tudo. Alguma coisa errada nesse meu lado insano, alguma coisa como estar sã e esse peso aqui dentro é sanidade ou tristeza?
Acho que ainda fica uma esperança de um dia que não é meu.
Um pouco de tristeza pra quem não quer ser feliz.
E as várias formas de sorriso que você não conseguiu arrancar, sentir uma coisa que não é sua. Ainda pode ser o que não é e não foi. Insistir na ideia de que o outro faz e quer, quando só você trabalha pra isso.
Eu não tenho força suficiente pra aguentar um peso tão grande.
Um pouco de grandeza pra quem sempre foi pequeno.
E tudo parece maior, quando eu consigo diminuir tanto que não me faço aparecer. Assim, falta o respeito pra esse meu lado de inverno sem hora. Falta silêncio em momento de paz, alguma coisa sempre falta e ninguém percebe que eu não sou inteiro.
Um pouco de alguma coisa pra quem é vazio.

domingo, 19 de setembro de 2010

Algo como não ser.

Ainda é a mesma sensação, enquanto tudo acontece você vive e não sente. Para em troco de algo maior que não é seu e que você sabe que não vai ser.
Luta na busca de conquistas que você já fez e deixou pra trás, desmerece aquilo que você mais precisou. Perde a confiança em si, porque tudo envolve força e a força fica de encontro com o nada que agora te pertence.
Algo como estar em batalha com você e perder. Não conseguir alcançar tudo que sempre foi seu, algo que nunca será.
Quando tudo pode ir embora, quando você não se desfaz do que não deveria ficar e ainda assim, não sobra nada além de um espaço vazio por dentro.
A questão é descobrir se ainda existe um pouco de você e buscar por isso e ainda assim, dá trabalho e demanda tempo, sossego e fôlego (porque esse sempre cobre a angústia e falta, enquanto esta sobra).
Dúvidas sobre as coisas que você mais teve certeza. Os sonhos que ainda vão acontecer e ainda parece que tudo precisa ser preenchido, esse pedaço branco enorme que te completa ou te desqualifica.
Não conseguir se colocar nem na primeira pessoa de um caso que é seu, quase como não ser. Não sentir.
Uma procura daquilo que ficou no espaço, um não regredir regredindo, um passo pra trás em troca de muitos pra frente. E um vazio que não infla, que não muda.
Tudo como não deveria estar, solidão em forma de outro.
E quem poderia ser você?

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Lembra?

Olha na verdade eu nem penso em te mandar, a gente se esqueceu, simples.
Seu nome não representa e assim vai e assim fui.
É engraçado, tudo que eu sei sobre você e as coisas que você não sabe sobre mim, lembra da sua mania de me chamar de misteriosa transparente? Que eu sempre fingia ser inteira e na verdade escondia tudo de mim.
Lembra dos apelidos que você me deu em dias de chuva? E das brincadeiras que a gente fez com todos eles?
As ligações que eu não fiz e as respostas que você não deu.
Os dias de chuva que eu passava sozinha foram bastante doídos por um bom tempo, hoje eu gosto e prefiro por mim passá-los sozinha, vai ser assim por um tempo eu espero.
Ainda lembra que eu preciso de tempo pra mim e que eu sumia de repente porque eu precisava respirar? Mesmo sem querer você me sufocava, eu vivia pensando em você e isso me deixava bem exausta.
Ninguém nunca mais soube que eu odeio dividir pipoca, você sabia. A gente brigava por causa de pipoca, lembra? A gente brigava atoa e deixava os assuntos sérios pra depois, sempre pra depois.
Sabe aquelas minhas manias que te davam medo? Foram embora um dia desses, me senti meio incompleta sem elas, era a mesma sensação de quando nos esquecemos. As manias me lembravam você, acho que foi um pouco seu que ficou em mim e de repente sumiu também.
Não consigo mais comer sonho de valsa, me enjoa. Quando começaram aquelas frases a gente vivia comprando só pra rir das cantadinhas e mandar um pro outro, eu tinha um bolo daquilo. Você jogava as minhas fora.
Sabe aquelas coisas que você só percebe quando acaba? As coisas que você tapava porque queria que tudo fosse perfeito? Eu revi toda a nossa (imensa) trajetória e quanta coisa ruim eu fingi que não aconteceu, por você, por mim, porque queria que fossemos.
Nunca tivemos uma música e as músicas nunca me lembraram você, exceto por "bubbly" que de repente se encaixava perfeitamente com tudo que você fazia. Só. Nunca te procurei em filmes bonitos, nem nos que a gente não via, nem nos que poderíamos ter visto.
Sempre tentei te desculpar pelas coisas que você não queria ser desculpado, sempre me desculpei pelas coisas que eu não deveria ter me desculpado.
A gente errou pra caramba, lembra? Ainda tenho marcas aqui, tipo cicatrizes vivas de erros que cometemos. Mas isso sempre foi o de menos, sei lá, os erros meio que completavam a gente.
Tivemos muitos dias, muitas coisas que eu posso lembrar e contar. Foram muitos dos nossos sorrisos, das nossas brigas e das lágrimas.
Sabe que a gente nunca se despediu, sempre vai faltar um ponto final. Mas a gente sabe que se esqueceu, a gente sabe que morreu e não se olha mais como se nos quisessemos. Não dá mais dor no coração quando vamos embora, não dá vontade de ligar antes de dormir, nem mandar mensagem quando estiver chegando
Não me sinto mais perdida quando você não está, as coisas não perdem mais a graça e eu não te procuro nos lugares. Não estou mais com vontade de ligar e ser sua, não quero mais perder o que eu não tenho.
Você foi embora e por ter sido você é tão difícil te deixar. Muita coisa sua ficou por um tempo, ficava difícil te deixar e eu sempre tentava te trazer de volta. Você costumava dizer que seriamos sempre um do outro, porque acabávamos juntos em todos os momentos e em todos os lugares. E agora perdemos o "sempre" e o sempre se perdeu na gente.
E quase sempre bate uma saudade do que a gente não foi, sabe como? Do nosso não rotular sentimentos, do nosso não estar junto e estar. Não sinto falta de você, de verdade, não sinto. Mesmo querendo, só que você sempre vai ser você e te esquecer às vezes dói, porque colocar alguém que possa ser importante no seu lugar é como te trair e te perder. Acho que você entende, né?
Passaram outros, outros e outros, mas ninguém pertenceu tanto quanto você. As histórias, os sorriso e os enfins, mesmo que estes não fossem sós.
Acho que te perder é difícil porque me perco com você, porque vai embora contigo uma parte minha, porque vamos ser nossas lembranças, já somos nossas lembranças.
E às vezes eu me lembro que me esforço tanto pra te lembrar. E te colocar em posição de passado é tão difícil quanto começar um presente estranho.
Eu sei, saudade é banal, sentir é coisa estranha. Mas a gente foi de verdade e ser de verdade é muito maior quando se esquece.
Lembra?

O que falta acontecer.

Não é pra dizer que tudo deu errado.
Ainda tem muita coisa pra acontecer.
Uma porta nova se abriu,
lá vou eu.



...

domingo, 12 de setembro de 2010

Vai e vem, não volta.


O que eu fiz o tempo todo foi manter essa distância saudável entre a gente, não porque eu não queria te ver, era óbvio que eu queria te encontrar, mesmo que sem querer num bar e te surpreender com aquela troca de olhar que a gente faz quando fica sem graça demais com nossa presença.
Mas fiz porque cheguei perto demais de te colocar em um espaço meu proibido, quase ultrapassou os sons da leveza do sorriso, quase me fez perder o sono e te procurar em lugares meus. Você quase me tocou e eu me distanciei. Tudo enquanto podia todo o tempo perto e o tempo longe, essa mania de te trazer sempre aqui do lado e te colocar na minha frente.
Mas eu não podia mais, você entende agora que querer e poder são coisas diferentes? Eu queria você perto, aqui do lado, na minha frente, seu sorriso solto em dias sem cor, uma palavra sem validade e as promessas inúmeras que eu cansei de acreditar e esperar que fossem cumpridas. Queria morrer por dentro enquanto todo o meu dia passava em função da sua existência, queria soltar fogos quando você chegasse com pouca vontade e me empurrasse pra dentro, queria mais que tudo ser sua todos os dias. Queria sim te ver e te ter, pertencer, refazer, começar e terminar. Mas não podia, não por mim e não por você.
Tudo é confuso demais e ainda existem limitações que meu corpo precisa cumprir, ainda existem batidas que meu coração precisa fazer e o mundo não pode ser seu, pelo menos não o meu.
E aí eu fui embora, te coloquei pra fora daqui e os pensamentos ultrapassaram outros rostos e outros sorrisos que me fizeram perder o fôlego e era engraçado, que quando o ar voltava você voltava junto. Meio perdido na esfera de fumaça do cigarro do outro, sem um rosto preciso, mas eu sabia que era você. Voltava em uma piada que alguém fazia, na rua que eu passava e a gente se encontrou sem querer e se abraçou sem querer e sorriu de saudade. Prometemos que manteríamos contatos e trocamos nossos telefones e concluímos com o famoso: “você sabe que eu sinto saudade”. E fomos embora, de novo.
Não nos ligamos e se pensamos em fazê-lo ignoramos a vontade, saímos com outros números e permanecemos distantes o suficiente para não nos lembrarmos. E o acaso transforma tudo irreal quando o assunto volta pra mesa. E alguém ali na mesa do lado fala seu nome e eu espicho a cabeça pra escutar, essa mania que eu sempre tive de achar que era tudo sobre mim e tudo sobre você. Porque por um tempo eu fui você e você foi “em mim”.
Um dia refazendo as caixas de sapato com mil problemas guardados encontrei um pedaço de você, pequeno, em letras garrafais e grandes: “OBRIGADO POR TER VINDO! ADORO VC!”, assim simples, você nunca precisou de muitos alardes, sempre sucinto em suas demonstrações de afeto que quase nunca existiram e resolvi revirar tudo que era seu, porque a distância física não me impede de querer te trazer pra perto emocionalmente. E você era um fofo, ainda deve ser não comigo, mas deve ser. E eu comecei numa sessão nostalgia você e um filme de tempo indeterminado passou.
Você lá em um dos dias mais felizes da minha vida, de surpresa, depois de ter dito que não poderia ir. A gente andando do lado errado e eu chorando no seu ombro por nada e tudo foi meio certo e errado, sempre fomos assim, errados demais para acertamos na mesma proporção.
E todas as confusões, os e-mails que muitas vezes não diziam nada, eram para sabermos que estávamos ali. As mensagens aleatórias que nunca eram o suficiente e os casos mal contados da falta que um fazia quando estava longe. Discussões infinitas de como faltamos em momentos importantes na vida do outro e de como éramos importantes demais para ficarmos de fora de eventos de tamanho porte.
E depois de todas essas lembranças eu apaguei, apaguei seu nome da minha lista de contatos virtuais e dos meus telefones (fiz questão de te colocar nos dois, só por emergência), joguei fora a caixa e apaguei as mensagens mesmo que com dor, mesmo a mais linda de todas, que veio como resposta à minha: “amo suas piadinhas fora de hora”; “E eu amo você”.  Apaguei também. O e-mail, as fotos, tudo. Tentei te colocar o mais distante possível na minha cabeça também, já não era o suficiente manter-me longe apenas, precisava que você saísse e não voltasse em nenhuma outra ocasião, não te queria em carnavais, não te queria em peças de teatro, nem em cinemas vazios, não te queria em almoços de desculpa, nem em mensagens fofas.
Expulsei todas as lembranças, tudo, te coloquei em lugar de nada, só pra ver se você ficava ali, mas mesmo depois do último encontro ter sido como se fossemos estranhos, mesmo depois te ver sentado do lado de uma atual qualquer e a gente fingindo que a distância criou um muro em que não mais nos enxergamos você volta e de nada adiantar tentar me manter longe, porque você volta e fica. E eu fico nessa briga ridícula em não querer te deixar aqui, então vem, pode ficar desde que seja distante do limite que eu criei pra você não entrar, desde que não passe dessa saudade de poder ter sido eu e ninguém mais. Desde que eu nunca mais te coloque em evidência e desde que você nunca mais venha e me peça desculpas, pode ficar aqui na cabeça e ser essa lembrança gostosa de um medo bobo, fica em pensamento de tudo que não foi e do que eu não quero que seja, eu estou deixando você ficar.
Fica, mas se você só se você prometer não voltar.

sábado, 11 de setembro de 2010

Madrugada

Como de costume, a insônia surgiu por causa do café. Não, café nunca tirou verdadeiramente o meu sono, é só uma desculpa que eu do pra minha incapacidade de lidar com certos fatos que me tiram o sono e me fazem perder por alguns momentos a sensação das pernas, sim, eu fico sacudindo-as na cama só pra não correr o risco de perdê-las. Como quem diz: "Tá, pode fazer o showzinho de vocês aí, mas eu PRECISO de vocês. Então, acordem!". 
O café nunca foi um problema pra mim, ele sempre foi minha solução, lá pelas três e meia da tarde ele vem e queima um pouquinho de um jeito doce e amargo que só ele tem, o céu da minha boca e lê um texto chato comigo, ou um interessantíssimo, chora com algum programa bobo na tv ou com um capítulo triste do último livro que eu comprei. Mas não, eu não vou falar do café, mesmo que ele seja inspirador.
Assisti aquele filme super fofo "500 day of Summer" pela terceira ou quarta vez, é uma das únicas comédias românticas que não me fazem chorar, isso faz com que eu me sinta meio superior e auto suficiente, na ideia de que eu não me encaixo em todas as histórias tristes de amor, saio um pouco dessa paranóia de que tudo pode dizer respeito a fatos da minha vida. É um filme que faz com que eu não me sinta e eu gosto de vez ou outra não me sentir.
E fui deitar, feliz porque como no filme tudo tem sua hora e seu tempo. Já fui muito desesperada e com 15 anos achei o fim do mundo descobrir que sentimentos acabavam e que nada seria eternamente meu, mesmo que eu quisesse que fosse. E com 18 eu tive certeza.
Acho que essa lembrança foi o que me tirou o sono (depois do café, claro) e essa coisa de ficar meio sem chão e me sentir sem as pernas faz parte do medo e da incerteza do dia seguinte. Porque assim, você pode até agora estar com o homem da sua vida e amanhã você chega e ele diz que não sente mais nada por você e que precisa ficar sozinho. Dois dias depois você encontra com ele (no seu lugar favorito), com uma loura gostosona que não tem absolutamente nada a ver com ele, nem com você. Falta de respeito do caramba! Aquele ali é o meu lugar, mas nem disso eu tenho controle mais, é público.
O que é realmente engraçado é que eu nunca tive pessoas sinceras que chegassem até mim e dissessem "Olha, eu não gosto de você, some da minha vida!", ou sei lá, qualquer coisa pelo menos um pouco parecida com isso. Ninguém nunca foi verdadeiro comigo, nem nas coisas bonitas de se dizer, nem nas cartas que eu encontrei na minha caixa ontem depois da minha crise de sem sono as 3 e meia da madrugada, nem nos e-mails que eu vasculhei e apaguei, nem em mensagens e nem em momentos. Todo mundo sempre viveu farsas, como eu sei? Sei lá, a gente sabe, né? Não na hora, porque na hora tudo é desculpa certa. Ele tava cansado pra me ver, ou ele tem medo de relacionamentos sérios, ou ele precisa mesmo ficar sozinho, ou pra que continuar ficando agora? Daqui há alguns meses é carnaval (é uma pena que estávamos em julho). 
E por aí vai e isso me tira o sono, não porque eu vivi e fico enlouquecida pensando no que poderia ser se pelo menos algum desses nomes que ficam em gavetas que eu tranco e não quero mais olhar, se pelo menos um que fosse tirasse de mim tudo que eu poderia ter de repente eu ficasse acordada pensando no que eu conquistaria para poder ser sugada mais tarde. Mas não, eu nunca fui um filme nem uma comédia romântica, nem um drama, nem nada. Nem mesmo aquelas comédias insuportavelmente chatas de tão forçadas que são, nunca fui. Nem letras de músicas, nem livros, nada. Fico me imaginando ser e isso me motiva a escutar, ver e ler, mas não fui.
E aí acontece que três e meia da madrugada eu revejo tudo que foi escrito em letras e o que foi vivido com a pior sinceridade possível e perco o movimento das pernas, fica complicado sentir qualquer coisa quando tudo que você sentiu transforma-se em algo que nunca foi.
Um café pra me acompanhar na noite de hoje, por favor.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Mundo paralelo.

Onde tudo parece menor e vazio.
Sensação de estar presa num pote sendo chacoalada e tudo se transforma em cores e formas desconfiguradas.
Eu, pequena demais nesse mundo tão grande, cheio de gente sem expressão e figuras cansadas de estar em situações assim.
E quando tudo parecia se encaixar, o quebra cabeça sumiu, aquela peça voou e ficou perdida, fiquei perdida.
Eu que era tão segura de objetivos que não tinha, fiquei dentro de um pote em movimento sentindo saudade de alguém, em um outro mundo que ninguém sabe se existe.
E aqui onde eu sei, onde eu acredito é tudo tão diminuido, tão sem ar, feio demais, solto demais, cinza demais. Os dias que o Sol não cobre em cores vivas que matam os olhos, é só isso: Saudade.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Espera.

O que eu espero dos bons (que são fracos), são os pequenos galhos existenciais que me sustentam, essa vida inteira propulsora que me atinge em meio a tarde fria de um inverno que acabou há tempos.
Esperar, sentar e ficar olhando o nada enquanto o nada continua a acontecer. Por medo, por acomodação, por prazer. Espero que os fracos não esperem, são bons demais para ficarem parados se fazendo de apáticos, enquanto o mundo vive e ruge e sente e chama.
Agudos os sentidos de mais ou menos, essa dor aqui e outro ser que morre ali do lado. A gente nunca entende como funciona tudo isso, vai vendo pela fresta da cortina que deixa o vento virar fantasma, vai se estreitando nos ponteiros do relógio que maximizam a dor da espera.
E o tempo nunca passa, enquanto ficamos todos em uma sala de costura reclamando as vidas antigas que nunca passaram de fases, fases inventadas e que nem por isso não existiriam. Vivi essa metade inventada que me é por direito, real. Enquanto eu esperava que a verdade de mim viesse em torno dos bons e fracos músculos que eu não enxergo.
Quase sempre me encontro em meio a um prefácio coloquial de mentiras sortidas, escolho uma, me visto e saio por ai. Sorriso, maquiagem e pouca roupa, todo mundo olha, mentira pode até ter perna curta, mas engrandece a gente com ela, fiquei enorme e todo mundo me olhava de novo.
Contornei as fases de realidade porque dor não é coisa de gente forte e ser fraco dá muito trabalho, ser bom é ruim demais. Fico parafusando os terrenos que não precisam de parafusos e me vejo inerte a um caminho sem saída e sem volta e me empresto ao mundo, só de sacanagem, só pra ver se ele me fode um pouco e se eu fico atordoada com o ato.
Porque assim, desse jeito, eu canso de esperar e de ser forte e canso de me dar ao que não preciso. Gasto minhas fobias em tempos demais, deixando-as banais aos que não as conhecem. Retiro-me em tempo suficiente do ponteiro marcar uma hora adequada e me visto de outra mentira pra não perder o costume da verdade cansada.

Nada é nada.


E por aqui nada.
Nenhum sorriso que transforma, ou qualquer cheiro que anestesie dores comuns a todos. Nem um sentido mais puro ou mais provocante, nem um sonho mais leve ou pesado. Nada que chegue perto demais, nem longe o bastante para parecer inalcançável.
Nada é nada. Porque chega uma hora que você não deve ter sentimento algum por outra pessoa do sexo oposto, somente por si. É a hora que você acorda de madrugada e não pensa em mandar uma mensagem, nem confere o celular pra ver se ele se lembrou de você.  É a hora que você ama sua cama de casal que você não tem que dividir com outro corpo que tomaria metade dela, mesmo que você não a use.
Nada é sentir-se livre para sentir tudo. É ver um carinha ali e não ficar mal ou sentido-se uma traidora por ter se interessado por ele, é poder dormir tranqüila, já que no dia seguinte ninguém vai sumir. É não esperar aquela ligação que nunca aconteceu por dias, é não se pendurar em roupas e maquiagens por alguém que não você. Nada é diversão. É extasiar-se consigo mesma nas suas próprias piadas, é sentar em um bar e pedir torres de cerveja  pra você e você mesma. É se curtir. Nada é como estar em uma piscina de bolinhas ou em pula-pula deitada, enquanto todas as outras crianças pulam e te fazem levitar.
É não se prender a sentimentos alheios de reciprocidade, não se encarar no espelho e se perguntar o que você fez de errado dessa vez. É olhar o pôr-do-sol com outros olhos e sentir-se triste por ele estar indo com outra visão. É alimentar-se de todas as coisas que te fazem mal e não se importar se o então alguém te achará gorda demais!
É enfatizar o quão bonita se é quando ninguém mais suga tudo que você não tem. É não viver com olhares por tentar dar tudo isso e mais.
Nada é viver em paz, você e você. Telefones desligados, redes sociais ocupadas. Estar em nada e se dedicar apenas aos bons e velhos amigos.
Nada é tudo que você precisa quando o que você achava que precisava se preenche com nada.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

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Chegou, eu tentei adiar mesmo quando sabia que chegaria. Inventei motivos demais, criei razões inexistentes, mas chegou.
Quando a gente chega já bate aquela incerteza e aquela vontade de sair correndo porque em algum lugar deve estar, escondida, brincando com a gente. Tudo bem se não estiver na varanda, pelo menos dessa vez, tudo bem. E a gente sai correndo metalmente pela casa, roda os cantos todos, procura debaixo de tudo, até a hora de subir a escada.
E só pra ter certeza, vasculha os quatro quartos antes, chegar no quinto é certificar tudo que eu tentei evitar durante esse tempo, então eu preciso ficar ocupada demais. Aí chega e de repente a casa grande vai diminuindo, diminuindo e me esmagando e minha vontade é que ela consiga me cuspir pra fora e não me faça voltar ali, não enquanto ela não estiver. Perdi meus conceitos e a casa foi diminuindo mais ainda e era tão grande e de repente não é mais a casa em que eu cresci e tudo parece tão diferente, vazio demais, pequeno demais, sozinho demais.
E eu nem fiquei muito tempo ali, o coração foi ficando menor e tudo foi se desfazendo, dentro e fora de mim. E como uma criança indefesa eu sai correndo e me embrulhei na cama e esperei que talvez ela viesse de longe, só dizer que era mentira. Que a casa ainda era nossa e que essa dor era coisa boba, que ia ficar tudo bem. Esperei, esperei.
Mas alguma coisa ainda me empurrava e implorava pra entrar, fiquei olhando um tempão pra ela, feia, pálida, inexpressiva realidade. Veio ali, escrito numa lápida corrida de nervos e terras, com outros dois nomes em cima. Uma escritura pouca, uma estrela atrás e aí ela bateu, soprou, empurrou e me fez cair e sair correndo, porque eu não queria acreditar. Mas ela ficou ali e tentou me abraçar e eu gritando com ela, enquanto a mesma pedia pra eu me acalmar e dizia que ficaria, que adiou-se por mim e que era preciso aceitá-la.
Deitei nos braços do outro que logo veio me acudir, é sempre assim quando o amor é muito grande, mas não adiantou porque eu estava cercada pela realidade que me impedia de sentir qualquer conforto externo e tudo por dentro era incrédulo.
Ela pedindo desculpas e tudo doendo tanto que chegava a ser incapaz de sentir e o ar faltava de novo e eu começando a acreditar que ia ser impossível e a realidade me certificando e os outros olhos cheios de amparo e tudo muito confuso, como saudade que não se traduz.
E eu consegui ir embora e levar a realidade comigo e agora seremos nós, sem ela.

sábado, 4 de setembro de 2010

Entre você e a complicação.

Acho que às vezes eu complico as coisas mais do que devia, não porque eu quero, mas porque quando elas estão claras demais eu me perco e me confundo e você aparece nessa trasnparência que eu crio. E fica tudo mais aflito do que quando as coisas são complicadas.
Dói porque você não está aqui e porque eu sei que não vai vir, mas ai de repente você chega e o seu cheiro espalha toda a esperança que me sobrava como pólvora de saudade e a qualquer momento vai estourar e eu fico esperando e te olhando e esperando mais ainda. E explode! Porque ter você aqui é existir e me forçar a sorrir quando tudo que eu queria era te abraçar e ficar assim, eu e você. Só nós dois.
Mas assim como você chega, a facilidade com que vai embora é facinante, mas não um fascínio que atordoa a mente, destes que me deixam sem dormir e me fazem querer sair correndo pra te ver a qualquer hora do dia, mesmo que eu esteja rodiada de pessoas lindas e cheirosas. É, o seu cheiro é um problema enlouquecedor e eu nem sei de verdade qual o seu perfume.
E eu prefiro a luzes turvas que não me deixam enxergar direito, que me fazem pensar que esse rosto que me encosta é o seu, que esse corpo que me chama é o seu e que tudo em volta pode ser você. Mesmo que no fundo eu saiba que não, as coisas complicadas me deixam pensar que sim e eu fico melhor.
E logo depois dói de novo, enquanto eu vou embora de uma manhã cansada eu vejo e não é você e tudo clareia.
Então eu escolho a complicação, pra eu poder inventar problemas que não me tragam a tona toda essa vontade de que eles girem em torno do seu nome, pra que o dia cresça fosco e eu não precise descobrir que não é você do meu lado, pra que tudo seja tão inexpressivo que eu não consiga sentir você. E assim vai, num círculo que segue toda essa confusão de não te ter comigo, melhor do que vê-la como real.
Entre você e a complicação.