terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Bubbly

E ai me lembraram, que tudo que eu queria mesmo era esquecer.
E eu pedi tanto, por favor, nem precisa daquela palhaçada de três palavrinhas só me pede pra ficar, só cuida de mim. E você só conseguia dizer as tais palavras, completamente em vão que iam embora com a chuva.
Agora outra pessoa faz todas aquelas coisas que eu fazia, como se alguém estivesse no meu lugar, um lugar que nunca foi verdadeiramente meu. E numa doença enlouquecida eu me pego pensando se você consegue ir pro escorrega com ela, se você é capaz de pegá-la no colo só pra sair correndo enquanto ela grita pro mundo inteiro a felicidade que é estar do seu lado. Sempre penso se ela consegue dividir a pipoca com você ou se você se acostumou a comprar os dois sacos depois de mim. E eu queria que você não fosse capaz de sair correndo na chuva do lado dela, porque eu nunca fui capaz de tomar chuva sem lembrar de você e isso me torna tão pequena e te coloca tão grande.
E eu queria te ligar pra pedir desculpa por ter mentido daquela vez que disse que ia gritar pro mundo que não queria mais você, eu queria que alguém pudesse acreditar nisso, mas alguém sempre, sempre me lembra.
Fiquei repetitiva de novo, falando as mesmas coisas pras mesmas pessoas, esperando as mesmas coisas das mesmas pessoas. Se alguma coisa sempre me leva até você, por que dessa vez tem demorado tanto? E aquela promessa de que não importa com quem a gente viva, a gente sempre vai ficar junto, foi desfeita também?
Eu queria te contar que trocaram aquele nosso sofá, aquela nossa televisão, queria te contar tanta coisa... Que mesmo a vida continuando eu sempre penso em você, que hoje eu  tomei um banho de chuva e um desconhecido me ofereceu carona na sombrinha e eu lembrei tanto da gente e fiquei dançando você e sonhando você.
E essa época do ano que eu sempre passei do seu lado, que eu sempre liguei e você sempre fez a mesma palhaçada durante todos os anos que passamos assim, eu não esqueci... Eu só não quis lembrar e lembrei.
Eu dormia e pedia “por favor, por favor, volta!”, sei lá da um jeito, lembra do barquinho, da praça, da TV, do sofá, da bala. Lembra da escada, da minha carta vergonhosa de 10 folhas que lembrava de tudo e te pedia pra ficar, lembra das mensagens, das primeiras principalmente que eram indescritíveis (você sabe que minha loucura me fez decorar todas elas). Lembra que “you make me smile even Just for while”, lembra que você me prometeu que se fosse alguém, seria eu. Por favor, me chama pra dançar, me faz rir de novo e diz que você vai fazer de tudo pra não me perder.
E eu acordo e peço “por favor, por favor, volta!” e nada acontece.