quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

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Depois de três (longos) anos você insistiu em voltar pra mim. Já era tarde quando sem pretensão eu recebi a mensagem "pode falar? Quero te dar parabéns". Quantas respostas eu quis te dar, quantas perguntas eu quis fazer... Fechei o olho e pensei "mas eu não sei como dizer, nem descrever" e li de novo... Um número de telefone desconhecido (já não tenho o seu faz tempo) que eu não fiz questão de anotar. "?" E eu lá inerte pensando nas mil maneiras de gritar pra você que eu esperei por isso o tempo todo, mas não conseguia responder. Até que a coragem de "santa chuva" e a vontade de cantar me tomaram um "sim" completando as felicitações pobres de quem não me conhece mais. "Será que a gente pode se ver?" Depois de tanto tempo, depois das festas que eu me perdi querendo estar com você e das que estávamos juntos procurando por abraço, depois dos outros, da fome, da sede e do carinho que eu perdi... Eu errei tanto, tanto! Nem me reconheço mais. Você errou tanto, tanto! Nem te reconheço mais. Vontade de brincar "não saio com estranhos", mas nem seria brincadeira. 
E eu perdi tanta vida esperando que isso acontecesse, criei relacionamentos furados só pra ver darem errado me certificando de que tinha que ser com você. Quis a vida inteira... Fechei o olho várias vezes implorando pras estrelas me devolverem você, fiquei amando as chuvas sozinha... 
Minha vida amorosa se transformou no drama mexicano que a gente criticaria dividindo as pipocas pra não ter briga. E eu culpei tanto você.
Quanta intensidade pra não saber o que dizer... Que surpresa te ver por perto, quanto amor eu tinha guardado pelo pessoa que você não é mais. 
E eu te respondi na minha maior sensatez e lucidez (embriagada por outro amor) "acho melhor não...". 
Que alívio meu coração sentiu, olhei no espelho e me vi mais magra, tomei um banho e me senti mais leve, limpa de você. 
Quanto capricho guardado por um amor tão bonito. "Alguma coisa sempre me leva até você" "se for alguém vai ser você"... Promessas que eu guardei dentro de mim por anos esperando concretude, esperando a volta. E me vi deitada sorrindo porque a história foi tão maravilhosa, a lembrança é tão maravilhosa, mas ficou no meu passado gostoso de lembrar e não volta a ser presente.
"Boa vida nova" - e você nem sabia que me deu a libertação pra viver essa vida nova que me desejou. 
Eu disse não pro que eu achava ser felicidade e recomecei... Dessa vez meu primeiro capítulo sem você.
"Vou escrever sobre isso" "eu sei".
E a felicidade me olhou pela porta e me chamou pra caminhar e você virou o texto mais bonito de despedida da minha vida antiga.
Obrigada por voltar, obrigada por partir.