sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

You probably think this song is about you.

Apaguei, escrevi, apaguei...
Eu queria dizer algumas coisas, eu só... Não podia!
Queria dizer que a primeira vez que eu te vi não foi como se eu tivesse vendo o homem mais lindo do mundo e foi engraçado você já saber de algumas coisas e me perguntar se eu um dia escreveria sobre você. Acho que seu medo foi tão grande que tudo que sai agora de forma compulsiva e chata, é sobre você, sobre o seu nome que eu não digo, sobre o seu rosto que eu não vejo, sobre o seu cheiro que eu não sinto. É sobre ser você, sobre ter você, sobre perder você.
A primeira vez que eu te vi, eu deixei você entrar sem saber por quê e você foi... você! Um mistério que eu tento entender, o cara fofo, o assunto das ligações do dia seguinte. Você foi a mensagem surpreendente do dia seguinte e do outro e do outro.
E você foi entrando... E "da segunda vez que eu estive aqui, já não foi pra me distrair" e eu descobri a sensação inexplicável que é acordar do seu lado, que é sentir teu cheiro antes de sonhar com ele, que é ter sua perna em volta da minha e seus dedos do pé brincando com os meus e seus dedos da mão nas minhas, enquanto você me abraça e respira no meu pescoço de propósito.
O dia seguinte deliciosamente vivido sem nenhuma mensagem sua, respeitando o limite que eu com a minha mania ridícula de controle, impus pra gente. E de alguma forma você quebrou o limite e disse que não dormiria mais uma noite se quer sem mim e eu me rendi, sem saber mais uma vez por quê.
E de um jeito mais forte eu fui ficando, fui acordando e os dias foram acordando comigo e meu sorriso sem motivo e sem hora, a vontade de chegar logo a noite pra dormir com seus braços sobre mim, de acordar com você dizendo que eu roubei toda a coberta e me pedindo pra ficar mais um pouco que era muito cedo.
O encanto acabou e você passou a ter o nome do típico cara da arquibancada e você provavelmente já tenha lido alguma história do menino da arquibancada que eu tenha escrito e você se coloca na posição de importância, como teve o outro.
Você se desculpa, sem se desculpar e eu te desculpo, sem te desculpar e a gente não acorda mais junto porque você ultrapassou o limite que eu criei pra gente, mas você insiste porque você quer e sabe que eu quero (agora você sabe que eu quero), que se eu pensar em desistir... Se eu pensasse em desistir, você não ia deixar.
Mas vindo da selva, você não aguenta... E precisa que eu te precise e eu te preciso tanto sem você saber, eu te quero tanto sem você saber e você deixou eu desistir.
Agora a gente não acorda mais junto, agora o sorriso não está mais no rosto e eu te peço tanto pra ficar, pra acordar, pra reclamar do meu jeito estranho, do meu sorriso estúpido, da minha voz irritada. Pra dizer que você me quer durante todos os dias da semana e durante todas as horas do final de semana, pra perguntar como foi a semana, pra ligar pra contar as coisas boas e simplesmente ficar junto.
Eu quero que você me faça voltar no meio da tarde pra ficar do seu lado fazendo nada, eu quero que você volte no meio de um trabalho pra ficar comigo fazendo nada. Eu quero continuar colocando minhas roupas no armário e trocando os lençóis.
Eu quero a gente em intensidade e não em tempo, eu quero 10, 20 e 40.
Apaguei você, escreve de novo?

sábado, 21 de maio de 2011

Gonzo e Parafuso

Existia tormento, existia dúvida, existia angústia, existia impaciência, horror, tristeza, desamparo, loucura e medo e uma asa quebrada e existia desencanto e esperança e a lembrança da minha infância e eu brincando num jardim e existia um sorriso achatad e existia regozijo e uma alegria exaurida, um cansaço fingido, porque havia ambição, e existia uma menina e ela sonhava, mas era um pesadelo que já foi meu, meu de quando menina e existia sono agitado e suor frio, via-me nua em uma festa entre pessoas conhecidas que de dedo em riste riam de mim e existia eu sentada na cama, as luzes apagadas, e existia ua menina sozinha e existia eu sozinha, um calafrio puro, meu, sómeu e eu transpirava e a roupa grudava no meu corpo, no meu corpo de menina, no meu corpo de mulher, e existia uma moeda de ouro e uma boca cheia de dentes que me mordia, doía, COMO doía, mas existia fé e existia Nossa Senhora e existia Jesus Cristo e existia Deus pra quem eu pedia muitas coisas,além de um bom marido, e existia a culpa e o perdão.
Não existia passagem secreta, não existia saída, só se existia eu, eu e uma cadeira, eu e um pernilongo, eu e uma estranha, eu e uma família, eu e um poema, eu e um céu, eu e um espelho que reflete tudo e tudo que é, é questionável e tudo que foi talvez não tenha sido.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Dora


Eu não me via, abri a porta do armário com os espelhos gigantes, eu não queria me ver.
Não sabia exatamente o quê, mas algo acontecia... Era uma daquelas semanas em que a cama raramente era arrumada e sempre muita cheia de papéis antigos que hoje não signifcam nada, o que realmente me interessava havia sumido... Meu cuidado exagerado com as minhas coisas tem exatamente essa conseqüência: Perco coisas importantes com freqüências e quando digo coisas, também me refiro a pessoas. Não tenho uma capacidade forte em manter um laço por muito tempo, embora tenha laços que não se quebraram até hoje, a maioria deles eu arrumo uma maneira de destruir, não importa como.
Acendi o primeiro cigarro enquanto lia o primeiro texto dos muitos que me acompanhariam na noite, não era uma noite em que eu passaria a madrugada lendo, mas era como eu queria que fosse. Não satisfeita fui até a janela fumar meu cigarro e mostrar pro mundo inteiro que eu fumava um cigarro.
As pessoas passavam e não me olhavam,nenhuma delas, todas muitas preocupadas com suas diárias decisões e eu que acabara de tomar a primeira da minha vida não sabia como lidar, sempre achei que pudessem resolver tudo pra mim, eu era gente grande e não sabia como funcionar a partir desse título. Os carros passavam e buzinavam e eu de forma neurótica arquitetei um belo cenário de suicídio enquanto o cigarro ia me matando aos poucos, sem nem precisar de uma imagem pré meditada.
O frio era exatamente como eu desejava, era exatamente o frio que vinha dentro de mim e o externo se mesclava com o interno enquanto eu me mesclava com tudo. Gritei por ajuda e disse da janela que me jogaria, ninguém olhou, eu continuava no mesmo lugar e ninguém me olhou. Ninguém me proibiu, ninguém me alertou, ninguém me segurou. Eu estava aos pouquinhos fazendo a cena mais ridícula da minha vida.
Eu tive certeza do quão ridícula eu era, ali em carne viva doendo cada pessoa a mostra, sangrando as muitas dificuldades que eu sempre tampei. Eu não era eu. Experimentei fechar os olhos e a fumaça do cigarro me fez perder o ar, fiquei sufocada comigo mesmo e gostei da sensação.Tonta de mim, voltei ao texto que me esperava no mesmo lugar.
Em algum momento me perdi, não soube quem eu era e tremendo minhas mãos pediram por socorro, mais uma vez ninguém veio.
Acendi o segundo cigarro, mas desse nada fumei, fiquei olhando enquanto ele queimava e imaginando que eu me queimava aos poucos, que eu me torturava de forma a ir acabando assim como aquele cigarro acabava. Joguei-o na água e a tontura voltou, o cheiro e tudo que eu não queria reconhecer.
Pensei em maneiras mis de finalizar tudo aquilo e nada era realmente válido, eu me sentia ridícula por não ser capaz de me encarar e as portas continuavam abertas.Eu tenho medo de mim.
Tomei minha primeira decisão e nem assim me satisfaço com o que sou e com o que construo, o monstro que aqui dentro permanece escala degraus cada vez menores e chega atormentando e dizendo todas as coisas pertencentes da bobeira da outra. Eu não tenho bobeira, eu conseguia repetir os segundos que não eram contados. Eu não tinha tempo.
Cada minuto do meu dia era contado e ocupado, eu não pensava em mim, eu nem me reconhecia. Não sabia mais o que queria e não me via em lugar nenhum.
Precisei de um outro cigarro, que inexistente me fez jogar os papéis no chão e procurar por alguma coisa que eu não fazia ideia do quê. Ainda procuro.
Eu, tonta de mim, inerte ao que não me pertence, pedindo socorro enquanto tudo rodava. Pensei no movimento das pessoas que passavam na janela.
Me intitulei Dora, Freud soube explicá-la, sou minha Dora, sou histérica em ser e carne e a carne continuava mostrando o quão viva eu estava.
Os textos do meu lado pedindo atenção e eu olhando o isqueiro pensando em queimá-los, ameacei uma, duas, três vezes e desisti. Não era hora de tomar decisões, eu agora era a Dora criança, que não tinha responsabilidades.
Crescer dói, Dora... D-o-r(a).

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Second Day

São coisas difíceis de elaborar, não dá pra acreditar que tudo acontece por um motivo, que o que é nosso está aguardado ou em qualquer outro clichê que amenize tudo que vem.
Penso que quando nos encontrarmos poderei dizer tantas coisas, tenho textos enormes guardados que ninguém além de nós saberá.. Tenho momentos nossos (que nunca foram ou serão vividos) que estão em uma caixa de sonhos que sempre que preciso encontrar felicidade, eu reviro pra encontrar.
Não sei exatamente como seria, mas queria muito te encontrar agora. Tenho medo que depois seja tarde e como algo que foi tão cedo, pode ser tarde?
Sabe que já fiz coisas absurdas pra gente se ver... Vez ou outra eu me arrisco numa tentativa, nada que cause muito alarde, mas ninguém duvidaria que se eu conseguisse o motivo seria você.
Continuo com as mesmas manias de sempre, ainda te procuro incansavelmente nas outras pessoas... Cada um tem um motivo de existência o meu sempre vai ser você.
Às vezes eu tenho medo... Se a gente se encontrasse assim de repente no meio do nada a gente seria igual? A gente mal existiu...
Existe toda essa coisa de que pra existir precisa ser concreto, eu acredito que fomos e acredito que somos, é só questão de tempo para voltarmos a ser.
Tenho dormido todas as noites, a maioria sem os medos de antes... Não é porque eu apaguei a luz que deixei de te esperar. Você sempre vai saber onde me encontrar e eu vou estar lá, esperando você chegar.
Eu quis muita coisa, quis ser muita coisa... Quis tudo em tão pouco tempo e não deu tempo.
De vez enquando eu acho que você vem, abre a porta da uma olhada... Não precisa ter medo, eu to te esperando!
As coisas tem andado perdidas e tudo teria muito mais sentido se eu te encontrasse. Voltei a estaca zero de todo o avanço que fiz, que fizemos... Precisava compartilhar.
Não queria pedir muito, não faz sentindo exigir, só queria dar tudo que tenho, tudo que é seu e sempre vai ser.
Só queria a certeza de que se fosse teríamos certeza e a única certeza que eu tenho é que mesmo tentando com toda a força já gasta em outras tentativas, nunca ninguém vem te substituir, nunca ninguém muda alguma coisa e sempre é e sempre vai ser você.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Faz um tempo que eu não falo nada. Não sei por medo das coisas que eu venho pensando, não sei se porque elas simplesmente não cabem mais ou se por achar que não são necessárias dizer.
Eu esperei por muito tempo e todos os dias antes de dormir eu pedia, que por favor, fosse você a ligação do dia seguinte, que por favor você chegasse de repente só pra dizer que sentiu saudade ou que alguma coisa do seu dia te fez me lembrar.
Eu esperei como quem espera um trem que não chega nunca na estação, com os pés batendo no chão de um banco qualquer que diria alguma coisa se pudesse conversar, algo que me fizesse levantar e seguir. Ou que me fizesse ficar esperando pra ver que o trem que não ia chegar.
Ninguém nunca me contou, sabe? Ninguém chegou e me disse no canto do ouvido que você não viria, ninguém me disse as claras que você não esperava que eu estivesse pensando em você alguma hora do dia. Ninguém nunca conseguiu quebrar toda essa minha ilusão e eu continuava esperando.
Não foi por não dizer que eu não senti. Quando eu finalmente descobri que era a estação errada pro trem que não vinha, doeu quase como uma dor física ou mais que isso. Doeu ali dentro, fundo, como se apertassem e esmagassem devagar só pra ver o quanto eu sou capaz de suportar e suportei.
Suportei por mim que não sou nenhuma coitada (ao contrário de você), suportei porque se o trem não chega na estação é porque o caminho que ele segue é outro, melhor, mais rápido ou o que quer que seja. Ele sabe seus trilhos, não posso simplesmente achar que ele mudaria o rumo da viagem por alguém estar esperando.
Mas nada que você realmente precisasse saber. É, acho que foi por isso que eu não disse mais, por isso que estive sumida e não fui tirar satisfação disso ou daquilo. Não quero mais arranjar motivos por simplesmente não te encontrar, não nos encontramos e ponto. Alguma coisa sempre tem que acabar e era só isso, não é?
E tudo bem se os lados vêem as formas erradas, se cada um visualizou uma situação, eu continuo torcendo pelo caminho do trem e vez ou outra volto na estação pra ver se ele por acaso passou pra me procurar, ele nunca passa.
Não sinto vontade de dizer mais, não adianta, não muda e nem vai.
E faz um tempo que tudo saiu do trilho, faz um tempo que eu olho pro lado e nem quero mais que você esteja, faz um tempo que antes de dormir eu peço que, por favor, não seja você no dia seguinte.