sábado, 31 de julho de 2010

Procuro.

E toda vez que eu acordo confusa e  não te vejo ao lado esperando que meus olhos se abrissem para simplesmente dizer que eu fico linda quando durmo. Sempre essas manhãs eu espero que a porta se abra e você venha com aquele sorriso incrivelmente seu e me diga o quanto foi ruim a estrada sem mim, o quanto meu lado na sua cama é vazio quando eu não estou.
Espero aquela ligação incasavelmente, que do outro lado só me diria numa voz rouca de um dia de trabalho cansativo que chegaria logo e que eu fiz falta durante o dia.
Guardo a esperança de uma viagem sem rumo, uma olhada na janela, perdida em pensamentos que você insistiria em querer entrar, deveria dizer que sonhava com os próximos dias: eu e você.
Espero que esta manhã seja só uma daquelas que você sairia sem avisar e eu olharia pro lado e o seu bilhete amassado "saudade desde já".
E o dia começa, recomeça e um vazio robótico e repetitivo insisite em se instalar, toda vez que eu olho pro lado. Quase um disco arranhado que repete todas as vezes que você não vai voltar.
Procuro seu rosto em personagens que nunca me fariam ir além, insisto em manter relações imaginárias e te encontrar nos campos ilusórios destas. Fecho os olhos em beijos que não são seus, mas sinto e desejo tanto que fossem.
Clareio os fatos em minha mente, fujo logo que um outro alguém tenta ocupar o seu lugar, tenho medo da felicidade entrar e te mandar embora. Preciso me manter entristecida, saudosa pra que você seja de alguma forma, frequente em mim.
Não me acostumo em deixar seus rastros, ninguém nunca mais entrou aqui. Não me tocam como você, não se encaixam como faziamos e todos os dias as manhãs atordoadas me lembram que o outro lado não é mais seu, que a porta não vai abrir e recomeço esse ciclo de te procurar em minhas lembranças, em uma necessidade tamanha de não te esquecer.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Incomum

Gosto de ir a esses lugares.
Ninguém sabe o meu nome, o que eu fui, o que eu sou. Vou assim, vestida de mim, sem muitas pompas, sem muito desdém, na medida certa para ser comum. Não que eu goste
dessa coisa de ser igualada a todo mundo, tenho minha instância em ser diferente. Mas de vez enquando eu fico de saco cheio com toda essa ideia que as pessoas esperam.
Tenho um pouco de medo dessa esperança que as pessoas tem de mim.
E é por isso que eu gosto desses lugares, alguns me olham, mas logo se aquietam e ficam. Me junto a eles e me torno mais uma, assim, qualquer uma. Uma na multidão de
tantos outros. E fico ali parada esperando alguma coisa, no fim das contas eu sou mesmo como as pessoas, tenho esperança em outras coisas.
Talvez isso me mova, mas o fundo mesmo, me sinto mais completa quando sou comum. Ninguém quer que eu me destaque, ninguém exige coisa ou outra da perfeição inalcançável
somos imperfeitos em medidas iguais. Somos tão iguais que nos tornamos distintos, nos detalhes dos olhos, nos rostos pouco armados, nos outros cheios de experiência,
no sorriso escondido, nas lágrimas entrecortadas que moldam os narizes.
Gosto de ir a esses lugares, assim, ficar e me sentir sozinha, comum como qualquer outro na multidão, cercado, diferente.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Pressado.

Tenho usado muito os verbos no passado. Vivido essa nostalgia, toda essa melancolia. Um drama cheio de esperança.
Ainda hesito em me manter no presente, não sei se por medo de recebê-lo, ou por saber que ele nunca vai ser igual aos dias que eu vivi.
Ando meio apressada, sem tempo e quando o tenho me entrego ao que fui, ao que conheci, ao que me fez alguém, hoje. E nunca sei quem sou, não no tempo verbal que vivo. Sempre me perco em antes, os caminhos que fiz pra chegar a ser.
Sou meio covarde, eu sei. Mas o passado me remete coisas tão boas, que me prendo a ele como uma criança em seu brinquedo favorito e é tão difícil largar e simplesmente deixar passar. Ou aceitar: passou.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Eu.

Vivo despenteada, nervosa, sem maquiagem. Vivo inconstante, pulando nos galhos, quebrando outros.
Sigo caminhos que não me levam a lugar nenhum, caminhos que eu traço com os dedos, caminhos já traçados por pegadas que eu vou atrás.
Deito tarde, acordo cedo. Visto meus medos, visto minhas roupas. Não visto nada.
Ando torta, ando bêbada, descentralizada, sou o centro do universo. Do meu universo. Que gira, gira, gira e me faz cair.
Levanto das quedas, sozinha, acompanhada, de mãos dadas. Perco os encontros, perco as horas.
Vivo detalhes, morro em certezas.
Sonho paisagens, maremotos, montanhas, rochas. Realizo terras, campo, verdes, ar.
Encontro os papéis que há poucos eram cartas, misturados no lixo. Reciclo as palavras riscadas, sinto saudade, gosto tanto de você, oi, tudo bem?. Não as uso, estão jogadas no lixo. Mas reciclei na minha memória nostalgica.
Vivo quente no frio, vivo fria por dentro. Mordo os dedos, como as feridas, as cascas descascadas que abrem ainda mais. Sangro o jardim, as flores, as rosas. Cresço nas arvores que morrem 150 anos depois, que viram tantas pessoas morrerem meses depois.
Sou minha amiga, minha pior inimiga, me desfaço nos cantos que escondo, me refaço na frente do mundo. Gosto de tudo, não gosto de ninguém. Gosto da magia perdida no amor, do sentimento esquecido. Da dor da saudade, de ir e não voltar.
Odeio, sou tão intensa que consigo odiar. Mas intensidade machuca e continuo me descabelando com ela.
Sou vida, morte, encontro, desencontro, ponteiro perdido na hora marcada. Não fui achada, não fui perdida, não me interesso, não me acostumo. Não fico, mas sempre estou indo.
Vivo dos lugares, das paisagens, vivo a intensidade do momento e me perco na capacidade e na importância dele.
Aconteço e acabo.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Feliz dia do amigo.

Algumas coisas sempre vão mudar. Coisas que a gente não controla, como a temperatura, as estações, a hora, os dias. Até algumas exatidões matemáticas, mudam. Muda também coisas que por muito tempo pensamos que esteve em nosso controle, nossa liberdade, nossa independência.
A maioria das coisas muda, muda pra melhor, muda pra pior, pra  ajudar, pra ampliar. Muda pra construir, pra sermos alguém. Muda pra diminuir, para tentarmos ser alguém.
Vivi enlouquecida essa fase da mudança, passei por muitos lugares, tentei controlar muitas situações e todas elas escorregaram da minha mão como sabonetes molhados e eu não entendia e era tão claro: As coisas mudam.
Mas de todas essas, por todas as fases que eu passei, por todos os meus momentos e por toda credibilidade de mudança, uma dessas não mudou. E que sensação inexplicável, passar por tantas etapas e manter alguma coisa. Manter um sentimento, cultivar a certeza. A certeza daquele infinito e de todas as coisas que um iam se lapidando com o tempo. As coisas que poderiam ter sido desabadas e que tiveram oportunidades inúmeras de serem e nunca mudaram.
Permanecem seis, completando as arestas do hexagono, ou a cumplicidade ou qualquer outra coisa que lembre o número.
Pessoas que entram, pessoas que vão, amores que ficam e que fazem sofrer. A vida corrida, a vida crescida. Os antigos problemas pequenos, as provas da escola, os novos problemas grandes, as contas pra pagar. Sempre tão difícil, sempre tão mais fácil com vocês.
O dia hoje pode ser especial, mas pra mim, há pelo menos uns 7 anos todos os meus dias são especias por tê-las comigo, mesmo que não presentes em todos, mas só sabendo que tenho isso é bem maior que tudo que mudou e que tudo que vai mudar.
Porque é ai que entra a diferença de uma amizade verdadeira: vem pra ficar.

Indo embora.

Da primeira vez imaginei diferente. Não que fosse comum, mas ir embora é sempre difícil, deixar as coisas que a gente cria e recomeçar como se nada tivesse sido criado. Um mundo novo.
Já não me sentia mal por ir, tantas vezes que fui, tantas coisas que deixei, coisas que nunca deixaram de ser importantes mesmo quando foram esquecidas. As coisas que ficam na gaveta nostalgia logo embaixo da gaveta saudade e que eu hesito abrir, seguir em frente é sempre assim. Deixar de lado o que foi pra que o novo seja bem vindo, sem comparação ou tristeza. Seja só o novo.
Então eu fui, tirei os sapatos para não machucar os pés, dobrei a calça para não molhar a borda e fui. Me vi seguindo caminhos que não conhecia, lugares que me passaram despercebidos que agora eram meus refúgios.
Simpatizei-me com pessoas que viviam como índios e por tempos duvidei da existência destes, o sol que não vinha.
Imaginei que o céu nublado fosse passageiro, metaforicamente o céu sempre nublara nos primeiros dias de caminhada, agora é tão literal, tão verdadeiro. Mesmo que não tivesse frio, consegui me arrepiar com a sensação de verdade.
Uma coisa é ir embora e voltar, agora que eu vou e não volto a intensidade é maior. Tropecei em meus pés e tentei olhar pra trás. Não sei se foi o medo, a incerteza das reticências ou a certeza de que você não estaria mais me esperando, mas não o fiz.
Levantei-me e continuei.
A ideia de tirar os sapatos pra evitar a dor, foram como a de ir embora: fracassada. Os pés doiam. E quase como quem pede por socorro, ajoelhei esperando alguma coisa. Alguém com seu rosto, suas palavras e só o sopro do vento na areia conseguia ser o barulho.
Esperava que você fosse me encontrar, minhas pegadas que foram embora com a água do mar e agora eu já nãosei como voltar.
Mais se você for me buscar em qualquer lugar, mesmo que não no mar, eu te prometo ficar e nunca mais te deixar.
Imaginei diferente como da primeira vez, ir embora é sempre tão difícil, principalmente quando sabemos o quão valioso é o que estamos deixando pra trás.
Não quis machucar ninguém, então vem me encontrar, eu sei que é pro nosso bem.

domingo, 18 de julho de 2010

Can't replace.

Mas mesmo assim, o dia ainda demora pra passar. E a falta que você faz dentro dele sempre tão intensa, tão presente.
Mudou o ritmo e as coisas que eu queria te contar, os medos que eu queria compartilhar. E mesmo que o tempo tenha sido tão justo em passar, arrastando muitas vezes, mas passando, ainda dói imaginar como seria.
A gente cresce, esquece, enche a cabeça de problemas e como você não sai daqui? Da minha terceira mosqueteira à saudade que eu tenho.
Vocês se encontraram? Se reconheceram?
Tão nova, tão velha. Maior de idade. E a gente estaria conversando sobre como seria seus dias em coisas como faculdade, ou meninos. Em como poderíamos passar o tempo juntas.
As chances que a gente perde... E mesmo assim, mesmo quando tudo parece estabilizar, mesmo quando eu sei que não existem motivos para eu querer que você volte, o dia demora pra passar.
E a saudade vem, fica e permanece nesse constante desespero de te querer por perto.
"E se..." você tivesse ficado? Como eu queria poder escolher não ter que tentar todos os dias substituir essa ideia de ter você. Tentativa egoísta e impossível.
E ainda assim, com todas as certezas de paraíso, ainda que eu saiba que a gente se encontra por aí, ainda assim é insuportável quando os dias demoram pra passar e você não está.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

- Dizem que as pessoas quando morrem, vão pro céu, é verdade pai? Você tá no céu? É a mesma coisa sem a gente ai? O Sol nasce mesmo quando a gente quer que ele se esconda e não volte nunca mais?
E os dias continuam acontecendo, mesmo quando a melhor parte deles não esta mais aqui?
Como você faz quando a saudade é tão grande que não cabe mais?
Às vezes eu aumento o som do rádio só pra lembrar de como você ficava bravo, deixo minha cama desarrumada e espero você vir me dar uma bronca.
Acho que a gente se perdeu, né? Porque agora eu só te encontro nos meus sonhos e nas minhas lembranças? Dói chegar em casa e não ter você pra abraçar.
Você já tem uma casa ai? Aonde a gente possa morar?
Eu queria que fosse mais fácil, tenho medo de te buscar no céu e você não me reeconhecer. Você saberia minhas feições ainda de cor? Tenho medo de eu mesma não saber quem é você.
Seus olhos ainda brilham quando você olha pra mamãe? Você ainda olha pra ela?
E você ainda faz aquele sorriso sem dente, só pra eu abri-lo com os dedos igual a gente faz com o cachorro?
Todos os dias eu queria que você estivesse aqui, eu tenho medo de você não voltar. Você vai voltar?
Todo mundo vem com uma cara triste me dizer que sente muito, eu realmente não entendo.
Pai, cadê você? A luz acabou e eu to com medo.
Pai, cadê você? Preciso te contar um segredo.
Me abraça, canta pra eu dormir. Pai, cadê você? Meu coração já não tá aguentando.
Sei que muitas vezes eu fiz coisas erradas, a maioria foi pra te ver olhando pra mim. Sei que a vida nem sempre foi fácil pra gente, mas você aqui facilitava tanto.
E agora que a tarde chega num pôr do sol tão lindo que eu fico imaginando que você vai surgir dele, correndo para me abraçar e dizer que vai ficar.
Volta, eu sinto tanto a sua falta.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Soltas.

Se só o que resta é esperar, fazer e deixar acontecer.
Me encontre depois que acabar, quando nada mais sobrar.
Recomeçaremos e esperaremos e nos viciaremos um no outro, seremos nossa droga, nosso êxtase.
Chama meu nome, eu venho te ver, me encontra quando tudo isso acabar.
Me liga de volta quando eu não te retornar, eu já não aguento mais esperar.
Já fiz, deixei acontecer e agora sou a sobra que te fez faltar.
Não nos resta mais nada, nem do vício. Ainda que queiramos, não somos, não seremos.
Limitei-me a não te esperar, o escuro é meu amigo, não venha me amedrontar.
Eu acho que na verdade, eu fingia acreditar nas pessoas só pra ver se elas paravam.
Por um tempo eu acreditei na possibilidade de dar credibilidade à elas. Pareciam sinceras, não todas, mas eu sabia selecionar.
Fiquei cercada de mentiras, vivi nelas, me apaixonei por elas, me encantei.
E aos poucos as encaixei e se alguém pode ser sincera, vou ser agora, nem doeu tanto quando as descobri mentiras. De uma certa eu já esperava, só queria poder dar uma chance as pessoas, dizem que elas merecem.
Não sei bem o que elas merecem, não sei bem no que realmente acreditar. Mas nessas pessoas eu não acredito e não, mesmo que elas tentem reconquistar minha confiança, mesmo que se esforcessem com suas mentiras mal contadas, eu sai dessa farsa.
Não acredito em ninguém.

Transparência.

Dói. Dói tanto que não consigo me esquecer da dor, nem quando eu quero. Dói aqui, ali, dentro e fora.
Dói. Marcam as dores pobres de perdão, os risos que veem forçados naquele lado. Quase me perco neles, mas a dor não permite.
Inerte à ela, inerente à mim. Fui tantas e agora sou dor.
Olho pro lado enquanto o outro tenta se enconder, dentro da dor dele que acumula nessa perfeita sanidade rotulado.
Talvez seja por isso que doa tanto, os rótulos são cruéis. E se você não é consegue escapar da dor, é louco e ponto final.
Remédios que aliviam a sensação, a fuga da realidade, é tão patético que existam remédios para isso. Tudo porque a realidade também dói, fere os olhos, os ouvidos, cansam.
E se te permitem esclarecer, tudo tanto quanto machuca, tudo que é dentro e passa para fora, dói.
Cansei de me esconder da dor, fugir também dói. Transpareci, triste, deprimida, sozinha, pode rotular, nomear, diga as letras que couberem. Me levem para qualquer lugar, droguem-se em busca da fantasia, lá na mais perfeita loucura vai doer! E quando acontecer, você será o quê?
Dói, dói em todo mundo. Muito, pouco. Comparando ao que for, a qualquer dor.
A intensidade é o menos importante nesse caso, importa que dói e só quem é corajoso admite.
Porque coragem dói mais que a fraqueza e fraquejar é triunfo dos que se escondem.

sábado, 10 de julho de 2010

Socorro eu não estou sentindo nada.

Senti frio, não um frio que pedisse um cobertor. Na verdade, era o frio quem me cobria, senti tanto como se fosse meu, que fiz questão de lhe atribuir vida, quem.
Consegui sorrir para o que me arrepiava, pelo menos era alguma sensação e eu não deveria me abster dela, deixei que ficasse e levantasse tudo em mim e me fizesse pensar em acordar doente amanhã, melhor assim, outras sensações viriam. Ou eu conseguiria ser tão absorta à essas também? Melhor não esperar, vou ficar sentindo frio por enquanto.
Cheguei mais perto dele, mesmo com medo, o céu num vermelho lindo como se quisesse me pintar com ele me chamava. Sentei na grama molhado de sereno e esperei que ele me contornasse. Quase podia ouvir o vento vindo de longe e chegando em mim.
Confesso que ele me arrepiava, não de frio. As mesmas frestas nas quais eu olhava, procurei por elas e sem encontrar fiquei olhando o céu.
Percebi que dormia e talvez sonhava, ou sonhava simplesmente?
O dia clareou, esperei vir algum vestígio de doença, nada.
Talvez eu realmente estivesse sonhando com a vontade que tenho de sentir alguma coisa, mesmo que seja só o frio. Ou o calor em mim. Ou qualquer sensação que me coloque em outra pessoa que não mais a que eu pertenço... Socorro!

terça-feira, 6 de julho de 2010

Procura-se um lar.

Há pouco mais de um ano os significados ditados pelo dicionário têem se distorcido na minha cabeça. Me pergunto todos os dias se quem lhe deu o significado, estava correto daquilo que dizia.
Lar: local onde há harmonia, onde as pessoas vivem e sentem-se bem.
Pode até ser, mas e aquele vazio que deu quando instalei-me no meu então "novo lar", foi difícil fazê-lo ter todo esse sentindo e acredito que mesmo com muito esforço, não consegui dar-lhe razão e quando ia chegando pelo menos um pouco perto, desfez-se. Da mesma forma que uma paçoca se desfaz, ou qualquer outra coisa e lá se foi o significado, junto com a paçoca.
Imaginei que o então novo lar, quarto de toda a minha vida seria mais fácil, toda essa coisa de sangue parece que corre em um mesmo lugar, por ser igual. Mas DNA, pode também ter outro nome quando se trata de convivência isolada. Difícil, quase impossível, mais uma vez.
Um lugar só pra mim, sempre quis um lugar só pra mim. E me senti tão sozinha quando conquistei, consegui me acostumar com a solidão que por tempos já traçados, foi minha grande companheira e acredito que ainda seja, mesmo quando tenho medo dela.
E logo agora, quando novamente me encontrava ultrapassando esse limite do desgosto, tirando o des da palavra, o lar se desfaz.
Chega a ser complicado entender de verdade o que significa uma palavra, quando por 17 anos da sua vida ela é exatamente aquilo que lhe disseram e de repente, muda. As coisas sempre mudam, acho mais digno que o dicionário refaça suas palavras.
E agora, mesmo estando no lugar de partida, no então lar, não me sinto mais aqui.
Continuo perdendo o sentido, junto com as palavras e se isso me levará a outro lar que não será meu, tudo bem.
No final do jogo, o que importa mesmo, é um teto e uma cama para você se destoar dos que moram no chão das ruas. Não importa muito a credibilidade que isso dá, se é temporário ou se é permanente, se tem contrato que te expulse ou se o contrato te diz que pode expulsar alguém.
Vai o seguinte para o meu dicionário, lar: Concreto, chão, teto.
Sentir-se bem é só um porém e francamente, rimas a essa hora, não caem bem.
Imaginei-me procurando um lar, não, não um lar.

domingo, 4 de julho de 2010

Se alguém, em algum caminho esbarrar em mim, mesmo que não se encante, me preserve. Leve-me consigo para algum caminho no qual eu possa me reencontrar.
Ando perdida, buscando os restos que eu deixei espalhados no caminho.
Não me acho.
Encontrando-me, devolvam-me. Sinto falta do que fui, de quando pertencia apenas a mim e não me perdia com facilidade. 
Não sei para onde fui, não me encontro em lugar nenhum, nem nos pedaços que sobraram de mim como forma de conforto. 
Por favor, encontrando-me, devolvam-me. 
Talvez eu esteja esperando por isso, sentada ansiosa e ninguém nunca chega. Acho que perdi o caminho de volta. Ou talvez a parte que se perdeu, não queira mais voltar.
Pouco importa, preciso de mim... Não me refaço sozinha e esses pedaços não se encaixam. 
E se alguém, em algum caminho me encontrar, devolva-me.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

E aí me disseram que eu não poderia perder o que eu nunca tive.
Achei que o clichê não coubesse em mim, me descobri a peça perfeita do quebra-cabeça dele. Me encaixo perfeitamente na frase feita dita.
Eu não perdi, talvez tenha perdido uma pequena esperança de ter, uma partizinha alegre dos poucos dias que foram. Mas perder, de verdade, perder alguém, aquele alguém que eu nunca possui.
E aquele saudade que se tem do que nunca existiu? Ela não se perdeu, não foi embora com ele.
E agora fica aqui, martelando minha cabeça com o que eu não perdi e ainda assim, me faz falta.