Apaguei, escrevi, apaguei...
Eu queria dizer algumas coisas, eu só... Não podia!
Queria dizer que a primeira vez que eu te vi não foi como se eu tivesse vendo o homem mais lindo do mundo e foi engraçado você já saber de algumas coisas e me perguntar se eu um dia escreveria sobre você. Acho que seu medo foi tão grande que tudo que sai agora de forma compulsiva e chata, é sobre você, sobre o seu nome que eu não digo, sobre o seu rosto que eu não vejo, sobre o seu cheiro que eu não sinto. É sobre ser você, sobre ter você, sobre perder você.
A primeira vez que eu te vi, eu deixei você entrar sem saber por quê e você foi... você! Um mistério que eu tento entender, o cara fofo, o assunto das ligações do dia seguinte. Você foi a mensagem surpreendente do dia seguinte e do outro e do outro.
E você foi entrando... E "da segunda vez que eu estive aqui, já não foi pra me distrair" e eu descobri a sensação inexplicável que é acordar do seu lado, que é sentir teu cheiro antes de sonhar com ele, que é ter sua perna em volta da minha e seus dedos do pé brincando com os meus e seus dedos da mão nas minhas, enquanto você me abraça e respira no meu pescoço de propósito.
O dia seguinte deliciosamente vivido sem nenhuma mensagem sua, respeitando o limite que eu com a minha mania ridícula de controle, impus pra gente. E de alguma forma você quebrou o limite e disse que não dormiria mais uma noite se quer sem mim e eu me rendi, sem saber mais uma vez por quê.
E de um jeito mais forte eu fui ficando, fui acordando e os dias foram acordando comigo e meu sorriso sem motivo e sem hora, a vontade de chegar logo a noite pra dormir com seus braços sobre mim, de acordar com você dizendo que eu roubei toda a coberta e me pedindo pra ficar mais um pouco que era muito cedo.
O encanto acabou e você passou a ter o nome do típico cara da arquibancada e você provavelmente já tenha lido alguma história do menino da arquibancada que eu tenha escrito e você se coloca na posição de importância, como teve o outro.
Você se desculpa, sem se desculpar e eu te desculpo, sem te desculpar e a gente não acorda mais junto porque você ultrapassou o limite que eu criei pra gente, mas você insiste porque você quer e sabe que eu quero (agora você sabe que eu quero), que se eu pensar em desistir... Se eu pensasse em desistir, você não ia deixar.
Mas vindo da selva, você não aguenta... E precisa que eu te precise e eu te preciso tanto sem você saber, eu te quero tanto sem você saber e você deixou eu desistir.
Agora a gente não acorda mais junto, agora o sorriso não está mais no rosto e eu te peço tanto pra ficar, pra acordar, pra reclamar do meu jeito estranho, do meu sorriso estúpido, da minha voz irritada. Pra dizer que você me quer durante todos os dias da semana e durante todas as horas do final de semana, pra perguntar como foi a semana, pra ligar pra contar as coisas boas e simplesmente ficar junto.
Eu quero que você me faça voltar no meio da tarde pra ficar do seu lado fazendo nada, eu quero que você volte no meio de um trabalho pra ficar comigo fazendo nada. Eu quero continuar colocando minhas roupas no armário e trocando os lençóis.
Eu quero a gente em intensidade e não em tempo, eu quero 10, 20 e 40.
Apaguei você, escreve de novo?