Reli os últimos... Senti os últimos, quando a vida começa sem terminar. Dez anos que a vida não termina, dez anos que a vida começa em cinema, azul, cenoura, escada, celular quebrado por ciúme e continua em visita, choro, domingo, mais ciúme, chuva... Dez anos que lembrar de alguém só faz saudade virar sentimento em vão... Sem dia pra voltar, sem hora pra chegar, sem casa pra morar. Eram só os dois no sofá, deitados brincando de qualquer coisa que excluísse o mundo lá fora.
Ela não saberia falar sobre qualquer outra coisa e não fala... Vive nas sombras de amores roubados, estragando cada sentimento novo que puder cobrir a vontade de fazer com que ele vá embora, não vive a possibilidade de esquecer. Há dez anos ele é a vida dela, acordar, viver e esperar, esperar pra cada minuto do dia seguinte ser dele, há três anos não é...
Quando entra a matemática e você tira os três dos dez que calam as noites, ficam os sete anos maravilhosos da vida dos dois e entra os três que escaparam dele a vida que ela leva.
Dez anos que o ponto final fica pra depois