terça-feira, 30 de março de 2010

Esgoísmo de 96 amor.

Desejar que o melhor pra alguém não aconteça porque não é melhor pra gente, é puro egoísmo, eu sei.
Mas desejar que uma pessoa permaneça por perto é amor.Talvez não nos damos conta do sofrimento que essa permanência possa acarretar à essa pessoa, talvez exista lá no céu um espaço faltando que só o brilho dela poderá suprir.Talvez seja só mais um dos muitos sustos levados ao longo desses anos, para nos fazer perceber o quanto é difícil e ao mesmo tempo, o quanto conseguimos amar tanto uma pessoa, mesmo que a frequência ao lado dela não seja enorme.
Nas horas da raiva, buscamos a quem culpar, esquecemos que outras pessoas também merecem essa presença, também deveriam conhecer alguém tão... excepcional!Mas é inanceitável que o façam, se essa presença já foi minha, não deveria ser de mais ninguém.
Egoísmo, continua bater essa tecla, que seja egoísmo não querer te perder, mas eu simplesmente não sei viver sem você e sinceramente, não quero aprender.
Não seja uma estrela sem que eu vire também, não deixe o mundo de cabeça para baixo, se é por você que eu vim, é por você que eu vou, se você também for.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Nostalgia recente.

O vento chegava até as árvores e nunca me atingia, o vidro impedia a sensação natural, mas por dentro acontecia uma ebulição de sentimentos, quanto mais o tempo passava, mais demorava para chegar e as borboletas atormentavam meu estômago, agitadas, risonhas, impacientes.
Era o primeiro reencontro, o começo de uma rotina que se tornaria cansativa e medonha, mas que se acomodaria nas linhas tortas que seriam apresentadas depois.
Saber que haveria alguém ali, que ansiava pela minha chegada, tanto quanto eu esperava para chegar dava mais sentido ao caminho, às curvas, às placas que indicavam os quilômetros que iam chegando sempre perto, que iam diminuindo na medida que as borboletas aumentavam.
Os olhos que se encontraram e disseram tudo que as palavras não conseguiriam, o abraço apertado que não queria se soltar, o coração batendo cada vez mais forte.
Era uma quinta-feira feliz, o final de uma semana de 6 meses, a saudade da novidade e da vontade de voltar e sentir tudo de novo, agora é só ficar, só as quintas, que se tornaram sextas e muitas vezes, sábados, tão próximas de um domingo choroso, de um aceno triste, de um caminho inacabável.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Tchau saudade!

É você saudade?Que está batendo forte assim no meu coração, que suprimiu meus sentimentos e arrancou as certezas?
Foi você saudade?Que sobrou quando eu olhei em volta, que fechou a porta, que me acompanhou?
Será você saudade?Que vai continuar apertando, machucando e batendo?Que vai me fazer desacreditar, desistir e não alcançar?
Por favor saudade, as portas estavam fechadas pra você, não era seu direito vir, entrar.
Não saudade, não é seu dia, nem sua hora, o que te faz acreditar que é bem vinda aqui?
Vai saudade, eu não preciso de você pra me fazer lembrar, pra me fazer chorar, eu consigo ser sozinha sem você aqui.
Ah saudade!Por favor não insista, se não for suprir o lugar de quem você me faz faltar.A sua presença não ajuda e nem faz passar.

Mínimos

As coisas já não estão mais no lugar e as chances de recolocá-las aonde deveriam estar, foram esvaindo-se.... Com o vento, com o tempo, com o sentimento.As partes que tocaram um dia, se estiverem vivas, esconderam-se em um lugar desconhecido.Já não estão envolvidos nos detalhes, nos momentos, quebraram-se todos, recontruí-los levaria uma eternidade.Busca-se por antigas certezas, pelas coisas que antes estavam organizadas, ordenadas, certas, por momentos, por detalhes... Sentir saudade de determinados detalhes, pode ser muito doloroso, porque alguns são tão únicos que nunca existirão de novo e na maioria das vezes, não são aproveitados como deveriam e as coisas simplesmente saem de ordem, perdem-se, morrem e procurá-las, concertá-las, reconstruí-las já não é uma opção.Elas simplesmente não voltam, não se encaixam, não estão, não serão.

terça-feira, 16 de março de 2010

Hawaii

A instabilidade das ondas eram cansativas, não que o cansaço fosse motivo de desistência, atrapalhavam um pouco o ritmo das braçadas e da certeza de chegar a algum lugar que ainda não era avistado.

Caminhar no escuro não motivava, ainda que o desafio fosse tentador, a probabilidade de tropeçar era tão grande que o medo de não levantar de uma queda, cobria toda a adrenalina prevista.

O tempo era curto e acostumar era preciso antes que as ondas simplesmente passassem por cima no escuro, sem serem percebidas diante de todas as oscilações feitas, e impetuosamente o inconsciente desejava por isso, a angustia passaria despercebida se fosse coberta pelo mar.

O vôo parecia interminável e mesmo na hora da aterrisagem era como se ainda estivesse no céu, uma parte ainda estava lá, era difícil determinar qual delas e mesmo que voltasse para descobrir, ela estaria perdida no infinito, misturada no encontro entre o céu e o mar.

Buscar por ajuda em um lugar desconhecido, era o certo, mas não era apropriado.Vem a decisão de se recolher àquilo que lhe é oferecido e só participar das ondas quando elas se estabilizarem, era uma difícil previsão e em meio há tantas outras, era a única opção.
Uma decisão precipitada, ir embora sem certezas, com medo do escuro, para o lugar das maiores ondas do mundo.A ideia de não se despedir veio com a incapacidade de perceber que a ida realmente tinha acontecido e como um aviso de volta breve.
Pelo menos era esse o esperado.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Primeiro dia.

Havia um buraco na parede, aos olhos dos outros ela estava intacta, mas o buraco estava lá, enorme, desfazendo-a aos poucos, descascando a tinta, corroendo os tijolos tornado-se cada vez maior.A parede não era mais vermelha, o branco se apoderou de tal maneira à fazê-la ficar sem cor, era pálida, triste.
Duas mãos agarradas em uma porta, implorando para entrar e ficar, gritando aos ouvidos de quem passasse o quanto precisava estar ali, ninguém escutava, ninguém podia escutar, tampouco entender.
Um tamanho menor que se tornava maior com o vazio que o ocupava, soletrando solidão com o sopro do vento que era tão forte, mas não fazia as borboletas voarem.
Outra parede ganhou cor, ainda assim, parecia morta, o ambiente, morto.
Era o primeiro dia de uma nova vida e a cor precisava voltar, as borboletas precisavam voar e ela precisaria aprender a viver, só não sabia como.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Tudo que vai.


Parece que foi ontem, crianças brincando de se apaixonar, descendo as escadas que pareciam não ter fim.Falando bobagens, insinuando o quanto aquilo daria certo, se desse errado.
Deitada no colo do outro, recebendo carinhos inocentes que passavam dos cabelos aos lábios, que arrepiavam constantemente e faziam o coração bater vergonhosamente acelerado.
Parece que foi ontem, a chuva caindo e a gente não se importando com os pingos que aumentavam na medida que a gente também aumentava o ritmo, você me pegando no colo rindo de como pareceria engraçado aos olhos dos outros, a gente descendo o escorregador, ou se escondendo na casinha.
Você dizendo o quanto eu precisava acreditar em você e o quanto não queria que eu tivesse que passar por tudo aquilo e se quer saber... Faria tudo de novo!
As primeiras mensagens que relatavam coisas que eu jamais ouviria de você depois e o final, quando você conseguiu dizer que me amava na hora da despedida.Foi difícil ouvir que você não conseguia mais ficar com nenhuma outra, foi difícil ouvir você dizer pela primeira vez que me amava, foi difícil saber que um dia você também chorou por mim... E isso tudo, na hora errada.
Parece que foi ontem, mas infelizmente, fazem anos.E a nostalgia continua batendo à minha porta, junto com o seu pedido de desculpa, a sua declaração e a despedida.
Eu não queria que você fosse embora, eu não queria ir embora, eu queria que tivesse sido ontem.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Clichê

Eram inúmeras frases feitas que perdiam o sentido dentre tantas outras, mas assim, em um contexto, até pareciam bonitas, até pareciam sinceras.Eram arrancadas de músicas que justificam amores, de poesias que testumanham paixões, mas não eram dele, não eram sentindas, eram clichês que todos diziam o tempo todo, pra qualquer um, na tentativa de dizer alguma coisa a mais, mas não dizia, nada além de letras formadoras de palavras que não traziam efeito algum, tão superficial... E você se abstém de sentir, porque simplesmente acha que aquilo é uma sensação, acomoda-se com as palavras, com o rotineiro que até te deixam alegre, mas não é verdadeiro.Você acha que aquilo é amor...
Até conhecer alguém que não faz uso das palavras, que age, e você sente, sente algo que nunca sentiu, algo que não consegue distinguir, teme que seja qualquer coisa ruim, alguém que não faz parte da rotina, que não te leva à rotina.Alguém que te carrega até a porta, que te leva até a cama, que te beija ao dormir, alguém que usa do sentimento e não diz usar.E começa um conflito, é certo trocar o certo pelo duvidoso?Tão clichê... Mais uma vez clichê, todos diriam que não.
É certo sentir o amor, pelo menos uma vez na vida e simplesmente aproveitá-lo?Isso não é clichê, talvez não seja tão verdadeiro a ponto de fazer alguém dizer vezes intermináveis uma frase dessa.Chega a ser motivo de piada, alguém acreditar no amor, o problema é que amar não é clichê e tudo fica confuso quando não se tem uma resposta imediata.

segunda-feira, 8 de março de 2010

H&G.

Não dá pra dizer e eu odeio dizer, estou te deixando hoje.
Não é uma carta, não é um recibo, tão pouco um alívio.Dizer que estou indo embora, por menor que seja a mudança é gigantesco.
E nada que eu diga agora, que eu escreva hoje explica isso.
Talvez depois eu expresse em palavras o que um ano 24 horas por dia foi pra mim, hoje não.Hoje eu só odeio dizer isso.

quinta-feira, 4 de março de 2010

C.U.T.W.

Parada, ela estava parada sem nenhum sinal, placa, mão, ou qualquer objeto do meio externo para impedí-la de continuar, mas ela não continuava.
Caminhar significava muito mais que dar passos pra frente, por isso seus pés fixaram-se na intenção de mostrar o seu medo, era tão branco olhar pra frente, tão incerto prosseguir.
Tentou então um passo para trás, voltar ao que já havia conhecido, ao que já havia vivido, não adiantou, aquelas páginas já tinham sido escritas, já tinham um ponto final, não existia maneira de reviver, de reescrever.Todas aquelas páginas pediram ajuda de outros personagens que fizeram frases, que escreveram páginas, capítulos maravilhosos!
Mas ali, diante daquelas novas páginas, ela estava inerte.Não haveriam outros personagens que pudessem dar o suporto das páginas já viradas, era a vez dela fazer capítulos por si só, da sua maneira, com seus passos.E isso era aterrorizante e perfeitamente inapropriado para uma menina tão dependente, não era hora.
O vento a empurrava brutalmente na intenção de fazê-la dar o primeiro passo, criando um muro em suas costas tornando o regresso incapaz de ser feito, não havia torcida, não havia ninguém ali depois das páginas brancas em sua frente.Não era fraqueza, ou talvez fosse...
O vento soprava cada vez mais forte, até tirarem seus pés do chão, fazendo-a cambalear um pouco, era difícil distinguir se o vento a fazia cambalear, ou se o medo era quem lhe dava tremores.
Era uma decisão complexa a ser tomada, não haviam outras escolhas, ou ela estagnava ou seguia em frente.
Não deu tempo para perceber o que ela tinha em mente, em um salto gigantesco ela se jogou para o branco das páginas, trêmula, chorando feito um bebê, cheia de medo, se atirou corajosamente, dependendo apenas de sua força, que ela própria desconhecia.No fundo, sabia que conseguiria escrever uma história e tanto e preencher aquele branco com cores além das do arco-íris.

Teto para desabar.

Todos os dias passavam assim, alguma coisa sempre me trazia você, dando-me lembranças que eu nunca tivera e que nunca terei.
Era bem difícil encarar a realidade sem você nela, doloroso, já não sei haviam pedaços a serem arrancados, se o pouco que você deixou comigo foi arrancado a medida que a sua auseência se fazia mais presente.Era insuportável encará-la, tirou de mim toda a paz, causou uma dor incomporável a qualquer dor física, era muito mais que uma ferida no corpo que se fechava com o tempo, ou com pontos, era uma ferida aberta, escancarado, sangrando compulsivamente uma quantidade absurda.
Às vezes eu pensava que era por isso que eu gostava da solidão, era um momento tão nosso, aonde eu realmente podia sentir você comigo, ou pelo menos, imaginar isso.A gente tende a fantasiar situações, quando realmente quer que elas acontençam e sozinha eu era capaz de imaginar um mundo perfeito em que você era presente, um mundo nosso, lindo.Mas o que se escondia por trás da perfeição era tão sombio que me lembrava tudo de novo, de forma cruel que aquele mundo não existia, me lembrando que não importava o quão boa era a minha fantasia ela não me dava a real largura do seu sorriso, ou o som das suas gargalhadas, não dava a intensidade dos seus olhos, o quanto poderiam ser tristes quando choravam e como expressavam felicidade, não davam o calor do seu abraço ou o saber do seu beijo, eram fantasias e por mais perfeitas que parecessem, não passavam disso, jamais sairiam da minha cabeça.E já não existiam mais pedaços de mim que pudessem aguentar isso, já não existia mais solidão que suprisse a sua falta, já não adiantavam todas as pequenas coisas me lembrarem você, eram só lembranças e nenhuma delas faziam verdadeiramente você estar aqui.

segunda-feira, 1 de março de 2010

A cidade chorava, explicitando o que por um bom tempo eu tentei esconder.
Ela gritava no meu ouvido com a voz mais aguda que o choro de um cachorro, me pedindo para acompanhá-la nessa difícil tarefa de se mostrar, frustando-se ao redescobrir uma menina que se fazia de fraca, para não mostrar o quão forte poderia ser.
Agora esta menina, mostrava todo o poder que tinha e a cidade chorava por não ter alguém com quem dividir, alguém que entendesse suas lágrimas, ela percebia, cada vez mais, que não nos pertenciamos, éramos simples coadjuvantes em nossas histórias e ser coadjuvante de uns tempos pra cá tem se tornado tão... participativo!
Sabendo que meu lugar não era com ela, resolveu me prender, trouxe-me amores, amigos, sensações jamais experimentadas, liberdade, situações que eu jamais teria experimentado em nenhum outro lugar, se não em seus braços.Não foi o suficiente, ainda me sentia distante, rebelou-se mostrando-me seu pior lado, me colocou medo, como quem disesse que eu deveria estar com ela, para estar protegida.
A partir desse dia, nos tornamos amigas, não nos pertenciamos, mas nos ajudavámos, ela me protegia, sabia que eu não ficaria por muito tempo e que meus sonhos seriam maiores... Eu avisei que não estaria mais por perto e que isso não demoraria, que a distância seria maior do que a esperada, não era só a cidade, ou o estado, eu iria para outro país.Ela me olhou bravamente, numa tentativa frustrada de me entender, sem a menor noção de que eu era a pessoa que ela carregava, mais incapaz de ser entendida e percebendo isso, refez seus atos, trouxe-me mais um pouco de tudo aquilo que ela achava que eu precisava, amores, amigos, tentações, experiências, não conseguiu, nem com os terrores afirmando que ela me protegeria se eu permanecesse, se eu fosse dela.
Hoje, a cidade chora, chora com medo, tanto quanto o medo que eu venho sentindo, chora com dor, com um tamanho imensurável, incalculável, chora de raiva, chora de nervoso, chora por chorar, por ter cansado de ser forte por tanto tempo, por ter se encubido de tantas atividades e pessoas, tentando mostrar-lhes que ela também sente, que ela também pode.As pessoas não percebem que ela chora ou porque isso acontece, elas simplesmente estão ocupadas demais com os seus motivos pra chorar, a cidade implora por atenção!
E depois de tantas tentativas, ela finalmente percebeu que não precisávamos nos pertencer para que eu a compreendesse, para que nos tornassemos protagonistas e fizessemos diferença em nossas histórias, talvez eu já não tivesse necessidade de mostrar ao mundo que eu chorava, talvez eu simplesmente precisasse que ela mostrasse isso e agora, era o suficiente.