segunda-feira, 28 de junho de 2010

Eu mesma não acredito nesses barulhos. Como se por si dissessem alguma coisa, são só barulhos.
Atormentam os ouvidos, ensurdecem, anarquizam.
Barulhos que soam tão fortes, que são tão fracos.
Mesmo nos dias mais silenciosos machucam quando tocam.
Mas quando a consciência vem e atinge, o barulho não existe, passa a ser alucinação auditiva e enlouquece.
Quando não se acredita no barulho.
Desacredito do silêncio. Deixa o barulho quieto.

sábado, 26 de junho de 2010

E eu que gostava de me perder.

Eu mesma não caibo aqui. Meus sonhos ali, parados me encarando como se quisessem me comer, achei que eles teriam conseguido se eu não me cobrisse. Mas as metáforas que antes se encaixavam, ficaram no meio do caminho imitando as pedras, me fazendo tropeçar sem uma mão para levantar.
Os mesmos erros de ontem a noite, as mesmas falas que me encobri de gravar. Os textos que eu soletrava, com a facilidade de um assopro, sairam de mim, assim como os sonhos agora deitados no chão. Achei que eles estivessem dormindo depois de me encarar, pareciam mortos, assustaram meus pensamentos.
Quando você se coloca em um lugar, a intenção é que pelo menos um pouco, de alguma maneira você se enquadre nele, eu entrei nessa forma geométrica desregular que não me sustenta. E agora, caber já não faz sentindo.
Meus erros se prenderam aos sonhos, morreram e atormentavam os fantasmas de mim.
Se eu soubesse reconstruir com a poeira que cobre meus sonhos, mas são restos e passei a não me dar com eles, todos já estraçalhados, pela metade. 
Não consigo me encontrar nessa sujeira que eu mesma fiz, nessa bagunça que eu deixei por arrumar. E a vida que passava diante dos sonhos que eu dormia. E agora, mortos, sem preço me consomem de arrependimentos. 
Acabei descontruindo as outras partes que eu conclui, inteiras, hoje são poeira de novo. E meu lugar de partida, meu último peso se perdeu. Não sei me encontrar, sem meus sonhos, sem minhas construções.
Alguém que goste de resto vai passar por eles, vai ajudá-los, ficarei feliz por vê-los se encontrando. 
E eu que gostava de me perder...

Lamento que o adeus seja assim.

Lamento que o adeus seja assim, cheio de dor. Não posso dizer que vou voltar, não conseguiria te fazer esperar.
E eu me desculpo por ir embora, por ser fraca. Mesmo sabendo que meus caminhos, mais uma vez, me levarão de volta à você.
Sou quase sem censuras e essas mãos que me alcançam me atingem com horror. Se a saudade for mais forte e você não aguentar... Eu não voltar!
Deixo as cópias com você, a cama arrumada do meu lado pra você não se espantar. Não me espere pro jantar, eu não vou voltar.
Apague as luzes ao dormir, não buscarei por lugares de luzes acessas, eu sei que você vai se importar.
Deixa meu sorriso nesse canto de você, por onde eu passar verão o seu em mim. E só assim, nos pequenos espaços o adeus terá um sentindo. Mas não se esqueça de sorrir.
Se preocupe em amar, não mais a mim. Rasgue as fotos e tire os beijos do sof'á. O que eu tinha pra te dar, guarda no coração e não me pede pra ficar. Eu não vou voltar!
Lamento que o adeus seja assim, cheio de dor.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Calma. Que enquanto a gente se desespera o mundo ri.
Chora. Que eu to do seu lado e não vou te deixar cair.
Senta. Que é cedo demais pra você partir.
Mas não se desespere, nem por mais um segundo, se o mundo te cobrir. Eu to aqui, de todos os lados, pra te trazer de volta e vou sempre te buscar, mesmo se não souber pra onde ir.

domingo, 20 de junho de 2010

Do fundo.

Estar no fundo é quase como estar em cima, mas de cima a visão é menos favorecida. Do fundo enxerga-se em um plano só, no mesmo plano de origem.
Coberto por uma multidão atrasada, machucada, com olhos que dizem tanto e ao mesmo tempo são tão indecifráveis às visões leigas de um qualquer sentado ao fundo. Os barulhos do lado de fora da janela, o sol que queima os braços e machuca os olhos. E as pessoas continuam lá, mesmo insatisfeitas, mesmo reclamando, buscando cada uma por objetivos que acreditam que irão conseguir.
Se sacrificam todos os dias com terrores que nem sabem que passarão, que nem sabem que existem por ali. Os olhos se encontram em outros e se perdem com a mesma rapidez, tímida, desconhecida, aflita, nervosa.
Cada um com um caminho a seguir, se encontram por acaso em um dia qualquer. Descem em seus lugares de partida, ou de chegada, dependendo da visão, começam, recomeçam, dias, noites, horários inacabáveis.
As histórias das pessoas são tão interessantes quando se tenta descobrir através dos seus olhos, eles dizem mais do que qualquer um imagina, guardo comigo o que descobri de cada indivíduo, sentada ao fundo. São pessoas interessantes, de verdade, boas, ruins, não estao em outdoors, revistas e jornais, outras estão de forma indelicada, indesejada, errada. Mas são pessoas e suas vidas merecem ser contadas, um dia eu começo, só pelos olhos a desvendar tudo que elas expressam. Pessoas do cotidiano.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Medo.

Eu acho que o medo, o medo é bem pior.
Não só porque ele te consome e vira parte ruim, o medo trava. Te deixa absorto na ideia de que você não vai conseguir, ou de qualquer outra coisa que você não queira enfrentar.
O medo somatiza essa questão toda do físico e psicológico, nada que caiba nas minhas explicações pequenas. Mas é nítido.
Todo e qualquer medo cria uma pessoa diferente, é quase o monstro. Até o ponto de haver o medo de ter medo.
Deixa todo mundo incapaz, mesmo quando somos perfeitamente aptos para fazermos qualquer coisa. É quase incrível, se não fosse assustador acho que passaria a ser incrível.
Meus medos me tiram o sono, me enfrentam quando eu não tenho coragem de fazê-lo e me deixam assustada comigo mesma, sou quase o formato dele em gente, mas tenho medo de me revelar.
E sempre me engano. 
É, eu acho que o medo é bem pior.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Lembrança

Eu sempre acho que existe um motivo real. Quer dizer, a gente não está agora nadando em lembranças por simplesmente ter que ser assim. Por termos vivido o suficiente do tempo que não nos foi dado em longitude.

Não couberam nossos desejos enpacotados em palavras, não souberam desfazer essa ânsia de te ver de novo e sempre mais. Não acabou o dia com a noite que se foi.

O show particular da minha vida escondida, quem dera se fossemos anos. Se assim, os planos se encobrissem de realidades. Éramos a certeza, hoje. Da incerteza mais certa que o não do dia que eu quis.

E agora, eu sempre tenho que voltar, sempre no meu pensamento em forma de saudade pra te ter por perto. Como se não bastasse esse vazio que você criou, eu regredindo pra ser bom de novo. Eu gosto das cores que você me faz lembrar, quase todas tão vivas.

Eu queria esperar, mais um dia, mais uma vez. E o seu olhar que me acompanha depois de passar. Dos erros que a gente comete quando não sabe o que fazer. E eu vivo de novo, tudo de novo. Viva, as cores do dia que eu te vi. E a noite que ainda é clara aqui. Todas as minhas vontades, sibiladas em frases suas.

E depois eu fui embora, enquanto você olhava. Virei lembrança e você saudade.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Então deixa assim, fica comigo essa noite e a gente esquece que amanhã vai chegar. Deita um pouco mais perto que a onda da saudade não pode mais atrapalhar. Se a gente separou o tempo, fica por juntar a noite de hoje o céu que resta do sentimento.
Se amanhã chegar, não precisa me acordar, não me diz que vai embora. É só ir, sem me olhar. Não olha pra trás, não de novo. Mas hoje, agora, fica. Deixa que eu sinto o seu cheiro de perto, o calor que sobe de mim em você e as palavras arrepiadas de prazer soltando fogo em mim.
Vem pra dentro, se encaixa em mim. Me faz de novo aquele dia sem fim. Mas não se atenha ao medo, não se deixe levar. Se voltou, fica, deixa só amanhã passar.
E quando acabar, me mantenha aqui, não volte. Sem bilhetes, sem despedidas, sem os passos na madeira pra me atrapalhar. Vai sem volta, que a dor chega logo depois que a porta fechar.
Mas a saudade me acompanha nessa noite, então, por favor, por favor, não fica só parado, não fica só me olhando. Deita comigo, hoje, agora, de novo e fica.
É que eu achei que eu pudesse entrar assim, sem desejo, só eu. Só as palavras do dicionário completo e minha forma inexpressiva e volante, voando por entre a porta fechada.
Imaginei que seria uma recepção convidativa, imaginei que todos fossem vibrar, pensei que eu pudessse chegar. Só eu. Eu e as palavras que me seguem como sombras e me resguardam dos dias frios que cobrem a árvore do quintal. 
Quis ficar o tempo todo percebendo as presenças entrosas, que pulavam de um lado para o outro e se misturavam em cores perfeitas, minimizando minha solitude inquieta. Sondando os ares perfumados com a poeira que saia dos tapetes e as palavras sapecas escapuliam brincalhonas por dentro deles, fazendo cosquinhas e ajudando a poeira subir.
Eu não caibo aqui! Sem pensamentos, palavras soltas não fazem frases, que por sua vez, não montarão conversas que te levarão longe. Só eu e as palavras. Eles querem mais que isso. 
A experiência que pede, não mede a vida que passou atrás. Ela que deixa as cicatrizes montadas nas astes, os sombrios sonhos de madrugada que perdem a cama e tocam o chão.
Investir nos sonhos errados.
Mas aí, fomos embora. Eu e as palavras. Quase sem esperanças de nos transformarmos em algo mais que uma dupla muito individual. Só eu. Eu e as palavras dolorosas palavras solitárias em si.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Eu não sou daqui também.

Não me encontro em lugar nenhum.
Tudo que me era familiar, me parece estranho. Até mesmo o som do carro chegando de um dia comum de trabalho, é tudo fosco, como se estivesse neblinado. 
Entro num lugar comum e estranho, o qual eu não pertenço mais. Nem aqui, nem lá. Nem nas portas eletrônicas, nem na corrida barulhenta do final da tarde. São todos sons irreconhecíveis.
Me perco nessa inconstância de reconhecimento, quase não me vejo no espelho.
Não vejo os passos atrasados e quase que a saudade me derruba, mas eu vivo a tanto tempo que passou a me levantar.
Não me lembro desses lugares, não estavam assim quando eu deixei, não eram assim quando eu cheguei.
Perdida nesses tetos que eu não me encaixo, que não enquadram, que não me abrigam. Vivo nessa rua dos sonhos perdidos, da confusão devastada, do que não foi encontrado.
Eu não sou daqui, não sou de lá, de lugar nenhum. Talvez eu esteja no lugar errado, mas nem sei pra onde devo ir.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Chão

Fica difícil andar com essas poças mal cuidadas atrapalhando o caminho. Se cada pulo é como um martirio significativo, a dor é quase inatingível.
E a gente permanece nessa constante falta de senso. Desviandos das poças sem tocá-las. 
O problema é que quando não esquiva, a gente cai e fica pedindo por ajuda por ter simplesmente caído numa poça, se molhado, se sujado. 
E é tão pouco, quando a mão estendida não é sua. Quando a poça se torna um mar de lixo e reclusões. É mínimo e o tempo todo que se desviou, fica pra trás, perdido nas outras poças alarmantes do chão elameado. Reflete tudo que a gente não quis ver, tudo que nos proibimos enxergar.
A gente nunca sabe o que nos espera e por fantasiarmos tantos erros, deixamos as poças se evaporarem na manhã ensolarada de um seguinte. 
E o pequeno do pouco que resta na água, fica no ar. 
Ontem eu cai numa poça, meu perfeito pequeno banho de rosas.