Acho que interpretei errado aquelas frases bonitas que eu escutava nos dias que a gente dormia colado. Pode ter sido a emoção de fazer valer cada letrinha, colocando-as em ordem contrária.
E não acredito que exista tempo para acontecimentos, mas até ontem, eu acreditava em coisas que hoje, eu não acredito mais. Então, vai ver o tempo é o grande senhor da razão e eu com minha teimosia inata não quis perceber.
Retratei histórias de outros dois, mas eramos ali ninguém menos que nós dois. E agora somos tão poucos, divididos e diminuidos, corpos que se diferem.
Corpos que ontem se despiam de paixão, se faziam um que intensificava muitos.
Se quiser minhas desculpas, te devolvo a culpa. A cama dessarrumada e o a louça por fazer, tudo desajeitado como não devia ser.
As representações simbólicas são tão fracas que o ouro escurece em cima da mesa, mesmo estando vivo nos dedos há dias.
Busquei outro porta e agora outra cama, meu conforto fraternal, minha casa particular. E que o altar dos nossos sonhos não se emoldure nos som das ondas.
Éramos tão nossos e a intensidade se petrifica na ideia do eterno, que durou assim. E a rotina de te ver todos os dias quando o Sol gritava felicidade do outro lado de fora, ficou como marca na memória do coração.
domingo, 13 de julho de 2014
Personagens
Um bilhete dentro da minha pasta branca que nunca deveria ter sido reaberta, algumas coisas simplesmente são feitas para momentos, não para lembranças. A pasta branca coberta por fotos era uma delas.
Dentro uns textos muito mal cuidados que por muitas vezes me completaram, muitas princesas de blusas feias que deveriam ser bonitas, muitas Beatrizes, Julietas e Gabrielas que ficam com Raul e que se viram pra fazer cenas de última hora. Dalva prostituta, Dora menina da rua, alguém com uma camisa de força que não controla suas próprias emoções um auto-retrato do que eu representava naquela época. Inveja, ira, luxúria e outros pecados que eu representei com a vontade de ser tanto aquelas pessoas que fez com a platéia aplaudisse de pé.
Um sorriso na brincadeira de verdade ou consequência, as lágrimas ao assistir Tomates verdes fritos e fazer da ficção a minha realidade.
Fui muitas e muitas vezes quis ser eu, quando fui Gabriela não continuei, era eu que tinha mudado do menino nerdizinho que sentava na primeira fileira de frente pra professora, para o maconheiro que matava aula em frente a escola. Era eu que queria viajar sozinha e não mais a barbie. Eu cresci sendo personagens e me perdi nas verdades que eles diziam.
Beatriz queria tanto o amor de outro que não conseguia se conter quando este a amava, em sátiras fui tão ridicularizada por não saber receber o amor. Beatriz ou Gabriela? Nenhuma delas soube como ser amada.
A primeira vez que me pediram o nome assinado, que me admiraram por algo escrito por outra pessoa e interpretado por mim, os aplausos, os rostos conhecidos, os desconhecidos, todos emocionados pelo que eu consegui transmitir.
A pasta branca cheia de fotos memoráveis e as letrinhas cheias de personagens com suas diversidades, as mil maneiras que eu pude ser sendo simplesmente eu.
Dentro uns textos muito mal cuidados que por muitas vezes me completaram, muitas princesas de blusas feias que deveriam ser bonitas, muitas Beatrizes, Julietas e Gabrielas que ficam com Raul e que se viram pra fazer cenas de última hora. Dalva prostituta, Dora menina da rua, alguém com uma camisa de força que não controla suas próprias emoções um auto-retrato do que eu representava naquela época. Inveja, ira, luxúria e outros pecados que eu representei com a vontade de ser tanto aquelas pessoas que fez com a platéia aplaudisse de pé.
Um sorriso na brincadeira de verdade ou consequência, as lágrimas ao assistir Tomates verdes fritos e fazer da ficção a minha realidade.
Fui muitas e muitas vezes quis ser eu, quando fui Gabriela não continuei, era eu que tinha mudado do menino nerdizinho que sentava na primeira fileira de frente pra professora, para o maconheiro que matava aula em frente a escola. Era eu que queria viajar sozinha e não mais a barbie. Eu cresci sendo personagens e me perdi nas verdades que eles diziam.
Beatriz queria tanto o amor de outro que não conseguia se conter quando este a amava, em sátiras fui tão ridicularizada por não saber receber o amor. Beatriz ou Gabriela? Nenhuma delas soube como ser amada.
A primeira vez que me pediram o nome assinado, que me admiraram por algo escrito por outra pessoa e interpretado por mim, os aplausos, os rostos conhecidos, os desconhecidos, todos emocionados pelo que eu consegui transmitir.
A pasta branca cheia de fotos memoráveis e as letrinhas cheias de personagens com suas diversidades, as mil maneiras que eu pude ser sendo simplesmente eu.
Azedo.
Tire esse azedume do meu peito.
E foi assim que começou o ano, fiz de tudo pra gente não comemorar esse terceiro ano de despedida, fiz de tudo pra não lembrar de todas as falas, frases, acontecimentos. Ela também, fez de tudo pra que você não me encontrasse, não me olhasse, não lembrasse.
A gente cruzou o olhar logo no primeiro minuto de festa, nos vimos de longe sem sorrir. Que graça tem, afinal?
Antes mesmo de chegar eu já lembrava das coisas feitas nas muitas saídas que passaram. Antes mesmo de sair eu já tinha medo de te fazer presente mais uma vez. Me obriguei, eu precisava superar todas as coisas que eu sentia sem razão, eu precisava não ficar sem chão toda vez que te via e agora que te vejo uma vez por ano resolvi perder o chão pro resto dos dias.
Sozinho, com ela, comigo, sorrindo.
Uma cascata de chocolate só pra finalizar as gargalhadas que eu te vi dando, só pra relembrar nosso ano de cascata, sua pinta de chocolate.
Eu não faço mais isso. Eu não sou mais essa pessoa.
Você olha? Você sente?
Indo embora cheia de saudade que não larga e que diz que se hoje sem você eu sofro tanto, é só a certeza de um amor.
E foi assim que começou o ano, fiz de tudo pra gente não comemorar esse terceiro ano de despedida, fiz de tudo pra não lembrar de todas as falas, frases, acontecimentos. Ela também, fez de tudo pra que você não me encontrasse, não me olhasse, não lembrasse.
A gente cruzou o olhar logo no primeiro minuto de festa, nos vimos de longe sem sorrir. Que graça tem, afinal?
Antes mesmo de chegar eu já lembrava das coisas feitas nas muitas saídas que passaram. Antes mesmo de sair eu já tinha medo de te fazer presente mais uma vez. Me obriguei, eu precisava superar todas as coisas que eu sentia sem razão, eu precisava não ficar sem chão toda vez que te via e agora que te vejo uma vez por ano resolvi perder o chão pro resto dos dias.
Sozinho, com ela, comigo, sorrindo.
Uma cascata de chocolate só pra finalizar as gargalhadas que eu te vi dando, só pra relembrar nosso ano de cascata, sua pinta de chocolate.
Eu não faço mais isso. Eu não sou mais essa pessoa.
Você olha? Você sente?
Indo embora cheia de saudade que não larga e que diz que se hoje sem você eu sofro tanto, é só a certeza de um amor.
Regressão
Regressão... Regredir é como pisar em uma agulha, parece que a pior parte é a hora que pisa, mas não se pode esquecer que tirar a agulha que entrou é bem pior.
Regredir dói, atinge a alma de quem não queria sentir de novo o poder de outra pessoa sobre si, permite a vulnerabilidade de alguém que só queria ser forte. Regredir é gritar por mundo que precisa de uma pessoa que não precisa de você, é insistir na ferida para ver se sangra mais, e sangra.
O atrito que fez do contrato o pior dos pedidos, a não aceitação da rejeição... O pior lado de alguém que deveria trazer prazer.
Andar pra trás, relembrar de tudo que já foi vivido e reviver.
Regredir dói, atinge a alma de quem não queria sentir de novo o poder de outra pessoa sobre si, permite a vulnerabilidade de alguém que só queria ser forte. Regredir é gritar por mundo que precisa de uma pessoa que não precisa de você, é insistir na ferida para ver se sangra mais, e sangra.
O atrito que fez do contrato o pior dos pedidos, a não aceitação da rejeição... O pior lado de alguém que deveria trazer prazer.
Andar pra trás, relembrar de tudo que já foi vivido e reviver.
segunda-feira, 7 de abril de 2014
Dez, sete, três.
Reli os últimos... Senti os últimos, quando a vida começa sem terminar. Dez anos que a vida não termina, dez anos que a vida começa em cinema, azul, cenoura, escada, celular quebrado por ciúme e continua em visita, choro, domingo, mais ciúme, chuva... Dez anos que lembrar de alguém só faz saudade virar sentimento em vão... Sem dia pra voltar, sem hora pra chegar, sem casa pra morar. Eram só os dois no sofá, deitados brincando de qualquer coisa que excluísse o mundo lá fora.
Ela não saberia falar sobre qualquer outra coisa e não fala... Vive nas sombras de amores roubados, estragando cada sentimento novo que puder cobrir a vontade de fazer com que ele vá embora, não vive a possibilidade de esquecer. Há dez anos ele é a vida dela, acordar, viver e esperar, esperar pra cada minuto do dia seguinte ser dele, há três anos não é...
Quando entra a matemática e você tira os três dos dez que calam as noites, ficam os sete anos maravilhosos da vida dos dois e entra os três que escaparam dele a vida que ela leva.
Dez anos que o ponto final fica pra depois
Ela não saberia falar sobre qualquer outra coisa e não fala... Vive nas sombras de amores roubados, estragando cada sentimento novo que puder cobrir a vontade de fazer com que ele vá embora, não vive a possibilidade de esquecer. Há dez anos ele é a vida dela, acordar, viver e esperar, esperar pra cada minuto do dia seguinte ser dele, há três anos não é...
Quando entra a matemática e você tira os três dos dez que calam as noites, ficam os sete anos maravilhosos da vida dos dois e entra os três que escaparam dele a vida que ela leva.
Dez anos que o ponto final fica pra depois
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
Eu sei demais que tá demais
Não cabe mais as palavras que eu não digo pro mundo, não cabe mais o sentimento que eu sinto pra você, não cabe a gente numa escada, não cabe a gente numa praça, não cabe a gente no sofá e mais em lugar nenhum. E eu sei tanto disso que não consigo parar de enxergar nós dois embaixo da chuva, brigando por pipoca, dançando forró, debaixo da árvore e correndo por puro prazer.
Já é exagero lembrar do nosso fim que nem aconteceu, já nem sei se a gente teve começo. Minha mania te inventa muito mais que a realidade, mas foi tudo tão real, foi tudo nosso. Foi brincadeira sem graça em manhã de domingo, foi mensagem inesperada no meio da sala de aula, foi sorriso, foi bola de gude, foi...
Eu tentei não olhar, mas nossos olhares se cruzaram tanto que ela pediu pra você virar de costas. Eu tentei não querer, mas a cascata de chocolate me fez sua pinta rindo de mim com a blusa aberta, me fez ciúme no meio da madrugada, me fez batom em sola de sapato e beijo obrigado.
Olhar você ali tão perfeito, tão dela, olhar você ali tão distante de mim. Eu tentei não parecer perdida, mas onde mesmo eu fico sem você? Qual meu papel do seu lado sem estar do seu lado?
A gente se viu de longe e não sorriu, qual a graça afinal? O mundo não vê a gente, nós somos os figurantes. A gente se viu de perto e não se abraçou, onde afaga o amor que a gente esconde, afinal? O que caberia no nosso abraço?
Eu não te trouxe nada, não te trouxe folha, não te trouxe presente, não te trouxe sorriso, nem abraço... Eu te esperei antes e tinha levado tantas coisas que você se perderia mais uma vez.
E ai você foi embora e as palavras que eu não digo continuaram não ditas e quando eu fui embora, dentro de um carro qualquer só consegui deixar a gente escorrer, eu te perder, você me perder, a gente não ser... Tudo foi saindo de mim como se ainda fossemos e podíamos tanto ser.
Já é exagero lembrar do nosso fim que nem aconteceu, já nem sei se a gente teve começo. Minha mania te inventa muito mais que a realidade, mas foi tudo tão real, foi tudo nosso. Foi brincadeira sem graça em manhã de domingo, foi mensagem inesperada no meio da sala de aula, foi sorriso, foi bola de gude, foi...
Eu tentei não olhar, mas nossos olhares se cruzaram tanto que ela pediu pra você virar de costas. Eu tentei não querer, mas a cascata de chocolate me fez sua pinta rindo de mim com a blusa aberta, me fez ciúme no meio da madrugada, me fez batom em sola de sapato e beijo obrigado.
Olhar você ali tão perfeito, tão dela, olhar você ali tão distante de mim. Eu tentei não parecer perdida, mas onde mesmo eu fico sem você? Qual meu papel do seu lado sem estar do seu lado?
A gente se viu de longe e não sorriu, qual a graça afinal? O mundo não vê a gente, nós somos os figurantes. A gente se viu de perto e não se abraçou, onde afaga o amor que a gente esconde, afinal? O que caberia no nosso abraço?
Eu não te trouxe nada, não te trouxe folha, não te trouxe presente, não te trouxe sorriso, nem abraço... Eu te esperei antes e tinha levado tantas coisas que você se perderia mais uma vez.
E ai você foi embora e as palavras que eu não digo continuaram não ditas e quando eu fui embora, dentro de um carro qualquer só consegui deixar a gente escorrer, eu te perder, você me perder, a gente não ser... Tudo foi saindo de mim como se ainda fossemos e podíamos tanto ser.
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