sábado, 21 de maio de 2011

Gonzo e Parafuso

Existia tormento, existia dúvida, existia angústia, existia impaciência, horror, tristeza, desamparo, loucura e medo e uma asa quebrada e existia desencanto e esperança e a lembrança da minha infância e eu brincando num jardim e existia um sorriso achatad e existia regozijo e uma alegria exaurida, um cansaço fingido, porque havia ambição, e existia uma menina e ela sonhava, mas era um pesadelo que já foi meu, meu de quando menina e existia sono agitado e suor frio, via-me nua em uma festa entre pessoas conhecidas que de dedo em riste riam de mim e existia eu sentada na cama, as luzes apagadas, e existia ua menina sozinha e existia eu sozinha, um calafrio puro, meu, sómeu e eu transpirava e a roupa grudava no meu corpo, no meu corpo de menina, no meu corpo de mulher, e existia uma moeda de ouro e uma boca cheia de dentes que me mordia, doía, COMO doía, mas existia fé e existia Nossa Senhora e existia Jesus Cristo e existia Deus pra quem eu pedia muitas coisas,além de um bom marido, e existia a culpa e o perdão.
Não existia passagem secreta, não existia saída, só se existia eu, eu e uma cadeira, eu e um pernilongo, eu e uma estranha, eu e uma família, eu e um poema, eu e um céu, eu e um espelho que reflete tudo e tudo que é, é questionável e tudo que foi talvez não tenha sido.