Acho que interpretei errado aquelas frases bonitas que eu escutava nos dias que a gente dormia colado. Pode ter sido a emoção de fazer valer cada letrinha, colocando-as em ordem contrária.
E não acredito que exista tempo para acontecimentos, mas até ontem, eu acreditava em coisas que hoje, eu não acredito mais. Então, vai ver o tempo é o grande senhor da razão e eu com minha teimosia inata não quis perceber.
Retratei histórias de outros dois, mas eramos ali ninguém menos que nós dois. E agora somos tão poucos, divididos e diminuidos, corpos que se diferem.
Corpos que ontem se despiam de paixão, se faziam um que intensificava muitos.
Se quiser minhas desculpas, te devolvo a culpa. A cama dessarrumada e o a louça por fazer, tudo desajeitado como não devia ser.
As representações simbólicas são tão fracas que o ouro escurece em cima da mesa, mesmo estando vivo nos dedos há dias.
Busquei outro porta e agora outra cama, meu conforto fraternal, minha casa particular. E que o altar dos nossos sonhos não se emoldure nos som das ondas.
Éramos tão nossos e a intensidade se petrifica na ideia do eterno, que durou assim. E a rotina de te ver todos os dias quando o Sol gritava felicidade do outro lado de fora, ficou como marca na memória do coração.