Dei as costas pra realidade há um tempo. Pronto, melhor assim.
Tinha muitas coisas com o que me preocupar, semana de provas chegando, uma vida inteira pra viver, a outra que se foi eu deveria simplesmente anular, ou guardar. Guardei, não estava vendo, não encontrei.
Essa coisa de viver fingindo que ok, tudo bem, virou costume. Já tem cinco meses toda essa invenção, eu consegui fugir da realidade, não abri ea porta pra ela, mesmo quando ela batia e me acordava na madrugada qualquer. Não entrou.
Eu sabia em algum lugar aqui dentro que uma hora ela viria e que eu não estaria preparada e que eu deveria me preparar e que nada disso aconteceria. Mas aconteceu e eu preciso encarar.
Não tem mais alegria, só um quarto branco. Não tem cadeira balançando, só uma cadeira parada na varanda. E não tem miolo de pão, só pão inteiro. Não tem, acabou. Acabou tem tempo, eu sei que acabou. Sei mesmo, não tenho tentando manter tudo isso longe, mas encarar a realidade e abrir a porta pra ela é muito mais doloroso do que só saber que ela existe e ela existe.
E a gente vai se encontrar e eu tenho certeza que não estou pronta, mas ela vem, cinco meses depois e já me avisa que vai entrar e que dessa vez não vai bater.
A realidade anda me preparando. Só tenho medo de quem vou ser quando ela entrar e de como seremos juntas. Muito medo da dor que ela vai trazer e desse vazio se alastrar em formato de nada e me fazer assim... Saudadosa de um pouco de mentira e fingimento.
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
domingo, 29 de agosto de 2010
Significados.
Ontem eu li um texto que me fez um bem danado. Essa coisa que a gente tem de se identificar com o que os outros escrevem, mesmo quando a história não tem absolutamente nada a ver.
Era um texto sobre o melhor amigo ser o melhor amor, esse amor diferente que uma amizade entre homem e mulher tem, sem necessariamente ultrapassar algum limite.
Ai eu fui e mostrei pro meu melhor amigo pra que ele visse comigo o quanto a história da outra pessoa era exatamente o que a gente sentia um pelo outro e ele ficou até pasmo quando viu que quem escreveu não fui eu.
Resolvi então dedicar um momento pra ele, porque quem mais né?
Tenho medo de reescrever o que eu li, porque era de uma sincronia com a nossa história tão grande, que tenho que fazer esse paralelo entre a minha realidade e a da escritora.
Entre toda essa minha loucura de procurar apartamento, óbvio que ele se ofereceu pra ajudar, ele sempre ajuda, seja pra desentupir uma pia, ou pra achar uma moradia (até rimou). E eu fiquei pensando que o corretor ia achar que a gente fosse um casal e foi engraçado, porque realmente somos. De uma forma bizarra, de uma forma errada, mas eu sou o par dele e ele é o meu e não importa quantas pessoas passem por nossas vidas, não importa que namoremos mil pessoas diferentes e que nos encatemos com outras. Eu vou ser sempre dele e ele vai ser sempre meu e é assim que funciona, pelo menos pra gente.
Com a gente não tem dessa de ficar inventando pudor ou censurando as coisas, a gente fala e faz o que dá na telha e nunca se desculpa, porque é assim que funciona. Fazemos decisões juntos e brincamos com elas, na maioria das vezes pra irritar. E é bom, porque a gente se irrita pro bem.
E de vez enquando a gente até se odeia, porque o ódio é melhor amigo do amor. E quando eu faço alguma besteira, ele fica puto da vida e me xinga e briga comigo. E se xinga e briga com ele mesmo e no dia eu peço pra ele não me odiar e ele diz que não me odeia e eu retruco (porque eu sou teimosa pra caramba) "eu sei que não, mas não me odeia, tá?" e ele ri e o assunto acaba aí.
A parte mais legal de ter um melhor amigo que nem o meu, é não precisar se explicar pra ninguém se as duas da madrugada você sentir uma dor no coração e precisar de alguém pra dormir do seu lado, sem nenhuma intenção, só dormir mesmo porque você tá ali sozinha e ele também.
E se eu quiser roubar o celular dele pra ver as mensagens da namorada, ele não vai me olhar como uma invasora, só vai rir pra mim enquanto eu fico brincando com o telefone e as mensagens.
E eu odeio mesmo quando ele começa a namorar ou quando arruma alguma paquera, não por estar apaixonada por ele, mas porque ele é meu e dividir alguém assim é terrível. Não consigo e ele sabe e morre de rir. Porque eu vivo dando ataque de pelanca com qualquer recado no orkut, ou com qualquer casinho que ele vem me contar "ela é feia" "ela é gorda" "ai, credo!" e é engraçado mesmo. Porque eu pareço ex ciumenta e recalcada, mas é só um medo e uma insegurança de ter que dividir a pessoa mais incrível do mundo com qualquer outro ser desse mundo.
E sem querer fazer muita propaganda, mas meu melhor amigo é a pessoa mais incrível do mundo e eu nem preciso falar muito isso, porque o ego dele é maior que tudo e ele sabe bem disso. E eu até gosto desse achismo, é parte dele.
E de repente dá uma pontada de saudade e eu lembro que a gente não se vê há um tempo, lembro inclusive que a última vez que a gente se viu ele me bateu tanto que eu acho que nem quero mais vê-lo. Mas ai eu começo a rir sozinha, porque todo o motivo da porradinha de brincadeira era a saudade e vale a pena apanhar por saudade e devolver os socos e ficar igual dois retardados no meio de um show se chutando feito macaquinhos. E ai eu fico com mais saudade.
Eu não quero que ninguém conheça o meu melhor amigo, mesmo que eu tenha exposto ele aos montes aqui, porque se alguém conhecer vai querer tê-lo consigo e me desculpa, eu não divido. Porque não tem ninguém, ninguém nesse mundo de homens esquisitos que acham que qualquer bom dia é sinal de que eu to me jogando em cima, me entenda e se confunda tão perfeitamente comigo, como ele faz e assim vai ser, porque a gente é assim. A gente vai brigar e ele vai falar que eu acho que ele é um otário e eu vou chorar do outro lado da tela do computador porque não é nada disso, a gente vai se bater na frente de todo mundo e sair abraçados depois, a gente é assim e meu melhor é assim. E depois de ler aquele texto, eu percebi que precisava que soubessem que eu também tenho sorte e que infelizmente, essa sorte é só minha, mesmo que alguém já tenha escrito sobre ela.
Era um texto sobre o melhor amigo ser o melhor amor, esse amor diferente que uma amizade entre homem e mulher tem, sem necessariamente ultrapassar algum limite.
Ai eu fui e mostrei pro meu melhor amigo pra que ele visse comigo o quanto a história da outra pessoa era exatamente o que a gente sentia um pelo outro e ele ficou até pasmo quando viu que quem escreveu não fui eu.
Resolvi então dedicar um momento pra ele, porque quem mais né?
Tenho medo de reescrever o que eu li, porque era de uma sincronia com a nossa história tão grande, que tenho que fazer esse paralelo entre a minha realidade e a da escritora.
Entre toda essa minha loucura de procurar apartamento, óbvio que ele se ofereceu pra ajudar, ele sempre ajuda, seja pra desentupir uma pia, ou pra achar uma moradia (até rimou). E eu fiquei pensando que o corretor ia achar que a gente fosse um casal e foi engraçado, porque realmente somos. De uma forma bizarra, de uma forma errada, mas eu sou o par dele e ele é o meu e não importa quantas pessoas passem por nossas vidas, não importa que namoremos mil pessoas diferentes e que nos encatemos com outras. Eu vou ser sempre dele e ele vai ser sempre meu e é assim que funciona, pelo menos pra gente.
Com a gente não tem dessa de ficar inventando pudor ou censurando as coisas, a gente fala e faz o que dá na telha e nunca se desculpa, porque é assim que funciona. Fazemos decisões juntos e brincamos com elas, na maioria das vezes pra irritar. E é bom, porque a gente se irrita pro bem.
E de vez enquando a gente até se odeia, porque o ódio é melhor amigo do amor. E quando eu faço alguma besteira, ele fica puto da vida e me xinga e briga comigo. E se xinga e briga com ele mesmo e no dia eu peço pra ele não me odiar e ele diz que não me odeia e eu retruco (porque eu sou teimosa pra caramba) "eu sei que não, mas não me odeia, tá?" e ele ri e o assunto acaba aí.
A parte mais legal de ter um melhor amigo que nem o meu, é não precisar se explicar pra ninguém se as duas da madrugada você sentir uma dor no coração e precisar de alguém pra dormir do seu lado, sem nenhuma intenção, só dormir mesmo porque você tá ali sozinha e ele também.
E se eu quiser roubar o celular dele pra ver as mensagens da namorada, ele não vai me olhar como uma invasora, só vai rir pra mim enquanto eu fico brincando com o telefone e as mensagens.
E eu odeio mesmo quando ele começa a namorar ou quando arruma alguma paquera, não por estar apaixonada por ele, mas porque ele é meu e dividir alguém assim é terrível. Não consigo e ele sabe e morre de rir. Porque eu vivo dando ataque de pelanca com qualquer recado no orkut, ou com qualquer casinho que ele vem me contar "ela é feia" "ela é gorda" "ai, credo!" e é engraçado mesmo. Porque eu pareço ex ciumenta e recalcada, mas é só um medo e uma insegurança de ter que dividir a pessoa mais incrível do mundo com qualquer outro ser desse mundo.
E sem querer fazer muita propaganda, mas meu melhor amigo é a pessoa mais incrível do mundo e eu nem preciso falar muito isso, porque o ego dele é maior que tudo e ele sabe bem disso. E eu até gosto desse achismo, é parte dele.
E de repente dá uma pontada de saudade e eu lembro que a gente não se vê há um tempo, lembro inclusive que a última vez que a gente se viu ele me bateu tanto que eu acho que nem quero mais vê-lo. Mas ai eu começo a rir sozinha, porque todo o motivo da porradinha de brincadeira era a saudade e vale a pena apanhar por saudade e devolver os socos e ficar igual dois retardados no meio de um show se chutando feito macaquinhos. E ai eu fico com mais saudade.
Eu não quero que ninguém conheça o meu melhor amigo, mesmo que eu tenha exposto ele aos montes aqui, porque se alguém conhecer vai querer tê-lo consigo e me desculpa, eu não divido. Porque não tem ninguém, ninguém nesse mundo de homens esquisitos que acham que qualquer bom dia é sinal de que eu to me jogando em cima, me entenda e se confunda tão perfeitamente comigo, como ele faz e assim vai ser, porque a gente é assim. A gente vai brigar e ele vai falar que eu acho que ele é um otário e eu vou chorar do outro lado da tela do computador porque não é nada disso, a gente vai se bater na frente de todo mundo e sair abraçados depois, a gente é assim e meu melhor é assim. E depois de ler aquele texto, eu percebi que precisava que soubessem que eu também tenho sorte e que infelizmente, essa sorte é só minha, mesmo que alguém já tenha escrito sobre ela.
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Costume.
Eu não me importo. Não muito, não de verdade, não como queriam que eu me importasse.
Acostumei, porque no final é sempre assim, a gente acaba acostumando. Acostuma com coisas como a cor do cabelo, com o sapato apertado, o trânsito das 17:54 que é sempre o mesmo, nos mesmos lugares e acostuma também com a saudade de alguém, com a razão que esculhamba as portas dizendo que você não pode ligar, que alguém não vai voltar e o que todos os aviões que te fariam encontrar, não vão mais para aquele lugar.
O lugar é o mesmo, a sensação de querer chegar é a mesma, digo, segundo a geografia e a arquitetura também, continua a mesma. Mas é uma sensação tenebrosa porque ainda que seja o mesmo lugar, não é aquele com que eu estava a ir. Não é a mesma pessoa que me esperava com um sorriso enlouquecedor chegar, não é o mesmo tom de voz no telefone que me acorda perguntando por quanto tempo mais eu vou demorar, não são as nuvens que tem as formas mais românticas enquanto eu imagino como vai ser.
O lugar é o mesmo pra muitas pessoas, que chegam, passeiam, trabalham, mas pra gente não. Pelo menos não pra mim. E eu também tive que me acostumar com isso, pousava muitas vezes sem os olhos que me faziam sorrir mesmo depois da turbulência, sonhava muitas vezes com o cheiro que vinha e a saudade aumentava.
E agora eu não me importo, não porque não quero. Mas porque não volta e eu tive que me acostumar a seguir, mesmo quando eu queria me arriscar a voltar.
Acostumei, porque no final é sempre assim, a gente acaba acostumando. Acostuma com coisas como a cor do cabelo, com o sapato apertado, o trânsito das 17:54 que é sempre o mesmo, nos mesmos lugares e acostuma também com a saudade de alguém, com a razão que esculhamba as portas dizendo que você não pode ligar, que alguém não vai voltar e o que todos os aviões que te fariam encontrar, não vão mais para aquele lugar.
O lugar é o mesmo, a sensação de querer chegar é a mesma, digo, segundo a geografia e a arquitetura também, continua a mesma. Mas é uma sensação tenebrosa porque ainda que seja o mesmo lugar, não é aquele com que eu estava a ir. Não é a mesma pessoa que me esperava com um sorriso enlouquecedor chegar, não é o mesmo tom de voz no telefone que me acorda perguntando por quanto tempo mais eu vou demorar, não são as nuvens que tem as formas mais românticas enquanto eu imagino como vai ser.
O lugar é o mesmo pra muitas pessoas, que chegam, passeiam, trabalham, mas pra gente não. Pelo menos não pra mim. E eu também tive que me acostumar com isso, pousava muitas vezes sem os olhos que me faziam sorrir mesmo depois da turbulência, sonhava muitas vezes com o cheiro que vinha e a saudade aumentava.
E agora eu não me importo, não porque não quero. Mas porque não volta e eu tive que me acostumar a seguir, mesmo quando eu queria me arriscar a voltar.
terça-feira, 24 de agosto de 2010
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Pedido de desculpa.
Eu não quero sentir saudade de você. Não, o problema não é especificamente seu, eu não te ligo, nem te procuro ainda porque eu não quero me aproximar.
Porque depois de me aproximar ou vou ter certeza dessa quase dúvida de quão bom você pode ser e bondade faz mal pra mim. Vindo dos outros assim, eu canso. Porque eu sou boa demais por fora e quando os outros querem ser bons comigo, eu me enjôo, sei lá, dá uma vontade de sair correndo e trancar a porta e nunca mais deixar entrar.
Eu não vou me aproximar porque eu sei que sua capacidade é incrível e se eu já acordo pensando em você, imagina dormir com o mesmo pensamento? Não, eu não quero.
O seu jeito não me fez mal, não foi você, eu juro. O problema nunca é a outra pessoa, sempre sou eu. Pode perguntar, pergunta pra quem quer que tenha se relacionado comigo se depois de um tempo eu não enlouqueci, ou eu não mandei mensagens aleatórias no meio da madrugada, ou eu não enjoei na segunda semana de perfeição? Faz a pesquisa, você vai ver que o problema não é seu. Uma hora eu descubro e te ligo, mas ai você vai estar cansado demais, eu sei, eu vou entender. Isso já aconteceu inúmeras vezes e eu me acostumei.
Mas agora não, agora eu não vou chegar muito perto e não vou retornar suas ligações, ou suas mensagens fofas. Agora eu não vou ao cinema com você no domingo à noite, nem dividir a minha pipoca com queijo e manteiga derretida, porque eu não sei fazer isso. E se eu faço, eu canso e eu vou te odiar porque você vai roubar todas as minhas pipocas e pipoca é uma coisa que não se divide amigo e você não vai saber disso, porque eu não vou deixar que você me conheça.
Então não se assusta, porque eu vou ser por um tempo o homem da relação, até você achar que eu como homem, eu não te quero e ir embora. Ai depois de um tempo, eu vou lembrar que suas mensagens chatas sempre vinham na hora certa.
Eu vou lembrar que quando você me ligava no meio de uma aula importante e eu olhava torto pra minha amiga e fazia carinha de nojo era tudo que eu precisava, porque a aula de repente passou a ficar chata e eu queria que você fosse me buscar pra gente fazer qualquer coisa.
Vou imaginar um dia a gente entrando no altar, porque eu sou meio louca mesmo, mas eu não vou poder te contar, porque eu vou te ligar e provavelmente sua nova namorada ou sua ex bonitona vai estar do seu lado.
Vou ouvir qualquer música besta e pensar que ela poderia ser nossa e aí eu vou sentir saudade. E é exatamente por isso, que agora eu não vou me aproximar.
Se a gente chegar perto demais de ser alguma coisa além de eu aqui e você ai, algo além de um telefonema esporádico ou de uma mensagem que não ilustra falta, mas que é exatamente isso, eu vou enlouquecer e não me pergunta como, ou por que. Eu tenho medo de chegar perto de mais, eu sei lá porque, porque eu sou louca e você não vai gostar. Porque eu tenho doença fatal, ou porque meu coração vai explodir.
Tenho medo de você conhecer meus defeitos mais grotescos ou de descobrir que eu não consigo comer um sanduíche com guardanapo e me odiar por isso. Eu não sei o que acontece, porque se você começa a gostar de mim, eu fico com nojo, porque eu não sou ninguém pra você gostar e você me cansa, porque todo esse grude é demais pra mim e qualquer coisa que se assemelha há mais de duas mensagens por semana, pra mim é grude. Porque eu simplesmente tenho medo de me apaixonar, porque eu sei que você não vai gostar depois disso.
E eu não faço a menor idéia do porque eu sei disso, eu sei e pronto. E eu não vou me aproximar e eu te peço desculpa, porque você é exatamente o que eu sempre esperei de alguém, é exatamente o que eu deveria querer... Mas eu nunca vou saber o que eu quero, mas eu sei o que eu não quero e que não quero passar o tempo todo sentindo saudade de você. Então me desculpa, mas eu não vou me aproximar, me apaixonar, eu não sou esse tipo de pessoa, não é de mim que você vai gostar.
Você pode ficar se quiser e olhar pra mim com essa cara de que não está entendendo nada, porque eu também não estou e a gente vai ficar rindo de mim, eu gosto de rir de mim e ai acabou nada, além disso, e você precisa entender.
Eu só não quero sentir saudade de você.
Porque depois de me aproximar ou vou ter certeza dessa quase dúvida de quão bom você pode ser e bondade faz mal pra mim. Vindo dos outros assim, eu canso. Porque eu sou boa demais por fora e quando os outros querem ser bons comigo, eu me enjôo, sei lá, dá uma vontade de sair correndo e trancar a porta e nunca mais deixar entrar.
Eu não vou me aproximar porque eu sei que sua capacidade é incrível e se eu já acordo pensando em você, imagina dormir com o mesmo pensamento? Não, eu não quero.
O seu jeito não me fez mal, não foi você, eu juro. O problema nunca é a outra pessoa, sempre sou eu. Pode perguntar, pergunta pra quem quer que tenha se relacionado comigo se depois de um tempo eu não enlouqueci, ou eu não mandei mensagens aleatórias no meio da madrugada, ou eu não enjoei na segunda semana de perfeição? Faz a pesquisa, você vai ver que o problema não é seu. Uma hora eu descubro e te ligo, mas ai você vai estar cansado demais, eu sei, eu vou entender. Isso já aconteceu inúmeras vezes e eu me acostumei.
Mas agora não, agora eu não vou chegar muito perto e não vou retornar suas ligações, ou suas mensagens fofas. Agora eu não vou ao cinema com você no domingo à noite, nem dividir a minha pipoca com queijo e manteiga derretida, porque eu não sei fazer isso. E se eu faço, eu canso e eu vou te odiar porque você vai roubar todas as minhas pipocas e pipoca é uma coisa que não se divide amigo e você não vai saber disso, porque eu não vou deixar que você me conheça.
Então não se assusta, porque eu vou ser por um tempo o homem da relação, até você achar que eu como homem, eu não te quero e ir embora. Ai depois de um tempo, eu vou lembrar que suas mensagens chatas sempre vinham na hora certa.
Eu vou lembrar que quando você me ligava no meio de uma aula importante e eu olhava torto pra minha amiga e fazia carinha de nojo era tudo que eu precisava, porque a aula de repente passou a ficar chata e eu queria que você fosse me buscar pra gente fazer qualquer coisa.
Vou imaginar um dia a gente entrando no altar, porque eu sou meio louca mesmo, mas eu não vou poder te contar, porque eu vou te ligar e provavelmente sua nova namorada ou sua ex bonitona vai estar do seu lado.
Vou ouvir qualquer música besta e pensar que ela poderia ser nossa e aí eu vou sentir saudade. E é exatamente por isso, que agora eu não vou me aproximar.
Se a gente chegar perto demais de ser alguma coisa além de eu aqui e você ai, algo além de um telefonema esporádico ou de uma mensagem que não ilustra falta, mas que é exatamente isso, eu vou enlouquecer e não me pergunta como, ou por que. Eu tenho medo de chegar perto de mais, eu sei lá porque, porque eu sou louca e você não vai gostar. Porque eu tenho doença fatal, ou porque meu coração vai explodir.
Tenho medo de você conhecer meus defeitos mais grotescos ou de descobrir que eu não consigo comer um sanduíche com guardanapo e me odiar por isso. Eu não sei o que acontece, porque se você começa a gostar de mim, eu fico com nojo, porque eu não sou ninguém pra você gostar e você me cansa, porque todo esse grude é demais pra mim e qualquer coisa que se assemelha há mais de duas mensagens por semana, pra mim é grude. Porque eu simplesmente tenho medo de me apaixonar, porque eu sei que você não vai gostar depois disso.
E eu não faço a menor idéia do porque eu sei disso, eu sei e pronto. E eu não vou me aproximar e eu te peço desculpa, porque você é exatamente o que eu sempre esperei de alguém, é exatamente o que eu deveria querer... Mas eu nunca vou saber o que eu quero, mas eu sei o que eu não quero e que não quero passar o tempo todo sentindo saudade de você. Então me desculpa, mas eu não vou me aproximar, me apaixonar, eu não sou esse tipo de pessoa, não é de mim que você vai gostar.
Você pode ficar se quiser e olhar pra mim com essa cara de que não está entendendo nada, porque eu também não estou e a gente vai ficar rindo de mim, eu gosto de rir de mim e ai acabou nada, além disso, e você precisa entender.
Eu só não quero sentir saudade de você.
domingo, 22 de agosto de 2010
Em processo de existência.
Tentei me concentrar em alguma coisa que eu sou. Porque ser sempre vence o estar e cansei de ficar passando de fase em fase, me transformando e virando. Fiquei de cabeça pra baixo, um 360º é tudo volta ao normal... De cabeça pra baixo de novo.
Foi uma crise bem divertida pra quem sabe o que é não saber. Dessa vez eu consegui olhar pro espelho e não ficar com medo da pessoa que eu via mesmo não tendo ideia de quem ela era e não sei mesmo, até agora depois de três dias, quem é. Mas eu consigo olhar e isso torna tudo um pouco mais fácil.
Talvez daqui há três dias eu tenha vontade de sair correndo e contar pra todo mundo que me descobri, essa daqui sou eu e consigo me reconhecer no espelho.
Ainda é cedo pra três dias, mas a crise nem me incomoda mais. Deixa ela surtada dentro de mim, enquanto os miolos da minha cabeça vão explodindo aos poucos e eu fico batendo os pinos por aí. Mas é bom bater pino, depois dessa crise percebi que sou mais feliz meio maluca e quando não sei de nada, principalmente quando não faço ideia de quem sou... É bem mais fácil.
É uma responsabilidade imensa me dizer alguma coisa, ou alguém. Por isso que eu vejo um monte de gente fingindo ser ou não ser, porque esse bando todo tem medo de entrar em crise. Gente, ter crise é legal! Sério, você se pergunta cada coisa e entra em colapsos e fica inconstante e depois constante, vai se misturando no sofá ou num livro. Tem vontade de sumir e pular na grama feito um grilo, é muito divertido!!! Porque é uma desculpa pra você não ser normal e o que todo mundo tenta nesse mundo de pessoas loucas, se não fingir que é normal?
Nesse medo todo de existir dos últimos três dias consegui muita coisa, mesmo que o principal não tenh a sido alcançado. Eu vou guardar sempre um lugar no carro e vou mandar bolos em todos os aniversários, vou escrever cartas e vou enlouquecer em todo segundo dia de todos os meses (ainda que o mês não seja maio, todo dia dois me faz lembrar) e eu vou ser louca e vou deixar todo mundo me chamar de louca.
E eu não faço a menor ideia do que é estar em crise, porque pra mim estar é muito passageiro e crise é muito constante. Então agora eu vou ser, amanhã eu não sei, mas agora eu sou a crise. D
eixa a gente aqui que a gente vai se entender e um dia eu me descubro, o processo tá indo e a gente chega lá.
Foi uma crise bem divertida pra quem sabe o que é não saber. Dessa vez eu consegui olhar pro espelho e não ficar com medo da pessoa que eu via mesmo não tendo ideia de quem ela era e não sei mesmo, até agora depois de três dias, quem é. Mas eu consigo olhar e isso torna tudo um pouco mais fácil.
Talvez daqui há três dias eu tenha vontade de sair correndo e contar pra todo mundo que me descobri, essa daqui sou eu e consigo me reconhecer no espelho.
Ainda é cedo pra três dias, mas a crise nem me incomoda mais. Deixa ela surtada dentro de mim, enquanto os miolos da minha cabeça vão explodindo aos poucos e eu fico batendo os pinos por aí. Mas é bom bater pino, depois dessa crise percebi que sou mais feliz meio maluca e quando não sei de nada, principalmente quando não faço ideia de quem sou... É bem mais fácil.
É uma responsabilidade imensa me dizer alguma coisa, ou alguém. Por isso que eu vejo um monte de gente fingindo ser ou não ser, porque esse bando todo tem medo de entrar em crise. Gente, ter crise é legal! Sério, você se pergunta cada coisa e entra em colapsos e fica inconstante e depois constante, vai se misturando no sofá ou num livro. Tem vontade de sumir e pular na grama feito um grilo, é muito divertido!!! Porque é uma desculpa pra você não ser normal e o que todo mundo tenta nesse mundo de pessoas loucas, se não fingir que é normal?
Nesse medo todo de existir dos últimos três dias consegui muita coisa, mesmo que o principal não tenh a sido alcançado. Eu vou guardar sempre um lugar no carro e vou mandar bolos em todos os aniversários, vou escrever cartas e vou enlouquecer em todo segundo dia de todos os meses (ainda que o mês não seja maio, todo dia dois me faz lembrar) e eu vou ser louca e vou deixar todo mundo me chamar de louca.
E eu não faço a menor ideia do que é estar em crise, porque pra mim estar é muito passageiro e crise é muito constante. Então agora eu vou ser, amanhã eu não sei, mas agora eu sou a crise. D
eixa a gente aqui que a gente vai se entender e um dia eu me descubro, o processo tá indo e a gente chega lá.
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Uma falta danada de acordar de madrugada, entrar no corredor tremendo de medo e ficar diante da porta esperando algum barulho pra que eu possa entrar sem assustar ninguém.
Esses dias, eu acordei pensando em ir ao quarto do lado porque o meu estava muito escuro fiquei um tempão pensando se iria ou não. Ai me veio uma dor, meu coração acelerou de tal forma e eu lembrei que não tinha quarto do lado. Quer dizer, até tinha, mas não exatamente o que eu queria ir.
E eu não consegui me levantar, fiquei deitada esperando o coração acalmar e o tremor passar. Fiquei olhando o telefone 1:23, era cedo pra caramba e ao mesmo tempo tarde demais. E saudade vem assim, à 1:23 da madrugada acorda a gente e eu fico como uma criança abandonada esperando alguém chegar. E não chega.
Não adianta escutar a voz no telefone no dia seguinte, se a vontade era sair correndo e pedir um espacinho na cama, agora eu tenho minha própria cama de casal que sempre fica vazia de um dos lados. Depende de onde o espelho se encontra. Morro de medo de dormir de frente pro espelho. Mas medo mesmo eu tenho de acordar de novo à 1:23 da madrugada e não ter o quarto do lado me esperando, o espaço na cama já projetado com o meu corpo que mesmo crescido sempre coube ali.
E a noite vai passando e o coração tranqüilizando, a saudade aumentando. Tento fazer passar, preciso crescer e isso faz parte. Às vezes eu só queria ser pequena de novo e poder ter qualquer desculpa pra não dormir sozinha.
E às vezes eu sou pequena mesmo e as desculpas são tão vãs que não são aceitas. Se cortaram esse cordão a gente cola depois? Se eu for embora, eu posso voltar?
E quando eu acordar com medo e quiser chorar?
“Eu acordei com medo e procurei no escuro alguém com o seu carinho e lembrei de um tempo, porque o passado me traz uma lembrança do tempo que eu era criança e o medo era motivo de choro, desculpa pra um abraço ou um consolo. Hoje eu acordei com medomas não chorei, nem reclamei abrigo. Do escuro, eu via o infinito sem presente, passado ou futuro. Senti um abraço forte, já não era medo era uma coisa sua que ficou em mim e que não tem fim. De repente, a gente vê que perdeu ou está perdendo alguma coisa morna e ingênua que vai ficando no caminho...”
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