sexta-feira, 20 de agosto de 2010


Uma falta danada de acordar de madrugada, entrar no corredor tremendo de medo e ficar diante da porta esperando algum barulho pra que eu possa entrar sem assustar ninguém.
Esses dias, eu acordei pensando em ir ao quarto do lado porque  o meu estava muito escuro fiquei  um tempão pensando se iria ou não. Ai me veio uma dor, meu coração acelerou de tal forma e eu lembrei que não tinha quarto do lado. Quer dizer, até tinha, mas não exatamente o que eu queria ir.
E eu não consegui me levantar, fiquei deitada esperando o coração acalmar e o tremor passar. Fiquei olhando o telefone 1:23, era cedo pra caramba e ao mesmo tempo tarde demais. E saudade vem assim, à 1:23 da madrugada acorda a gente e eu fico como uma criança abandonada esperando alguém chegar. E não chega.
Não adianta escutar a voz no telefone no dia seguinte, se a vontade era sair correndo e pedir um espacinho na cama, agora eu tenho minha própria cama de casal que sempre fica vazia de um dos lados. Depende de onde o espelho se encontra. Morro de medo de dormir de frente pro espelho. Mas medo mesmo eu tenho de acordar de novo à 1:23 da madrugada e não ter o quarto do lado me esperando, o espaço na cama já projetado com o meu corpo que mesmo crescido sempre coube ali.
E a noite vai passando e o coração tranqüilizando, a saudade aumentando. Tento fazer passar, preciso crescer e isso faz parte. Às vezes eu só queria ser pequena de novo e poder ter qualquer desculpa pra não dormir sozinha.
E às vezes eu sou pequena mesmo e as desculpas são tão vãs que não são aceitas. Se cortaram esse cordão a gente cola depois? Se eu for embora, eu posso voltar?
E quando eu acordar com medo e quiser chorar?
“Eu acordei com medo e procurei no escuro alguém com o seu carinho e lembrei de um tempo, porque o passado me traz uma lembrança do tempo que eu era criança e o medo era motivo de choro, desculpa pra um abraço ou um consolo. Hoje eu acordei com medo
mas não chorei, nem reclamei abrigo. Do escuro, eu via o infinito sem presente, passado ou futuro. Senti um abraço forte, já não era medo era uma coisa sua que ficou em mim e que não tem fim.  De repente, a gente vê que perdeu ou está perdendo alguma coisa morna e ingênua que vai ficando no caminho...”