segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Cinco meses depois.

Dei as costas pra realidade há um tempo. Pronto, melhor assim.
Tinha muitas coisas com o que me preocupar, semana de provas chegando, uma vida inteira  pra viver, a outra que se foi eu deveria simplesmente anular, ou guardar. Guardei, não estava vendo, não encontrei.
Essa coisa de viver fingindo que ok, tudo bem, virou costume. Já tem cinco meses toda essa invenção, eu consegui fugir da realidade, não abri ea porta pra ela, mesmo quando ela batia e me acordava na madrugada qualquer. Não entrou.
Eu sabia em algum lugar aqui dentro que uma hora ela viria e que eu não estaria preparada e que eu deveria me preparar e que nada disso aconteceria. Mas aconteceu e eu preciso encarar.
Não tem mais alegria, só um quarto branco. Não tem cadeira balançando, só uma cadeira parada na varanda. E não tem miolo de pão, só pão inteiro. Não tem, acabou. Acabou tem tempo, eu sei que acabou. Sei mesmo, não tenho tentando manter tudo isso longe, mas encarar a realidade e abrir a porta pra ela é muito mais doloroso do que só saber que ela existe e ela existe.
E a gente vai se encontrar e eu tenho certeza que não estou pronta, mas ela vem, cinco meses depois e já me avisa que vai entrar e que dessa vez não vai bater.
A realidade anda me preparando. Só tenho medo de quem vou ser quando ela entrar e de como seremos juntas. Muito medo da dor que ela vai trazer e desse vazio se alastrar em formato de nada e me fazer assim... Saudadosa de um pouco de mentira e fingimento.