Principio-me nesse refúgio cadente de estrela. Quase no meio de um dia, escondida atrás da maior.
Minha capital dos sofrimentos arraigados, minha solitude maximizada em escolha. E essa pedra no lugar errado que suga as dianteiras casas ocultas do meu viver. Essa pedra que não monta tijolos, que não constrói castelos. Coloca-se no caminho e fica na intenção de me acompanhar num refúgio que é só meu, na minha própria casa do medo.
Meus melhores cacos soltos pelo chão de vidro, transparecendo as margens sonoras do fim do mundo, logo ali, é só olhar para frente.
Quase todos os dias a inserção nessa pedra se intensifica, menosprezo os olhares que ultrapassam nossos seres sem vida. E a estrela que se apaga, nessa proporção pequena para os outros casos trancafiados em muitos terrores vividos.
Sinto-me o mimo de ante ontem que me apavorou em náuseas infiéis, prestes a tirar de mim todo esse conforto do exterior capitalista.
Melhor agora, eu. Não preciso me acostumar, somos nosso meio de comunicação, a parede e agora a pedra dentro de mim, me fazendo companhia como um urso macio e gostoso.
Engasgando-me as palavras desesperadas que sopram para dentro as tentativas de devaneio, de mistura, de silêncio.
Esse sistema precário de abundância acrescentada em partes extraordinárias de um lugar no rio corrente, transbordando a ingenuidade, a falha, a farsa.
Meu refúgio de papel crepom se desfazendo no vidro e chegando perto demais... Fazendo-se minha carteira de identidade, meu protótipo ferrado! E logo ali, embaixo, o vidro se quebrando em pedaços, se misturando aos cacos de mim e a pedra se dissipando em diamante... FIM!