domingo, 3 de outubro de 2010

O resto do fim.

O que restou de uma televisão quebrada numa brincadeira de bala, de um celular assassinado depois de cair escada abaixo devido a uma crise de ciúme. Restou um sorriso mal dado, uma briga mal feita, uma palavra cortada.
Restou saudade que não é sentida, telefonema fora de hora e perguntas sem reposta. Restou as reticências em uma história que nunca teve fim, que nunca vai saber ter um fim. Restou uma mensagem de fim de tarde e um abraço apertado, um soluço desesperado e um pedido de desculpa.
A velha incerteza de tudo que sempre restou.
É quando o resto torna-se tão maior que a gente percebe que não dá mais, que não conclui, que histórias precisam de finais sejam felizes ou não. E a gente se encontra e nada surge, nada flui. Nem por um segundo, como se fossemos obrigados pelos nossos corações que antes batiam em ritmos iguais a sentirmos a mesma coisa, olha que surpresa! O sentimento acabou, nós acabamos.
Seguir com essa certeza é bem mais incerto do que a dúvida de um sentimento.
E depois de passar tanto tempo sozinha na chuva, percebi que passá-la de novo do seu lado não faz tanto sentido. Gosto mais de mim.
E agora que depois de tanto tempo, conseguimos enxergar que acabou? Pra onde a gente vai depois? O que a gente sente depois? Quem vai suprir tudo que fomos?
Estamos em nosso tempo, nos lugares diferentes. Difícil aceitar que as coisas que você acha que seriam eternas se desmancham, difícil entender que sentimentos acabam e que vai restar vazio quando você não souber o que sentir.
Então é isso? A gente se vê, sem precisar se ligar, sem precisar desejar. Nos encontramos por aí, quando der, como der. Acabou tudo isso e foi só o que restou.