Depois de um bom tempo calmas, as ondas voltaram a atormentar. Oscilando constantemente num barulho de tirar o sono e trazer pesadelos que antes eram ausentes, de volta as noites que chegaram a ser tranquilas.
Voltar ao Hawaii é sempre assustador, a ideia de beleza se perde nos outros aspectos assombrosos que o lugar proporciona e o cuidado se desespera na expectativa frustrada.
Era tudo melhor há um tempo, não bom, melhor. E as coisas de repente mudaram de foco, voltando ao seu ponto difícil de origem pavorosa.
Não tenho mais capacidade de suportar as ondas fortes e instáveis. Não tenho mais força para lutar contra e voltar ao estado pacífico, não me proponho a fazer isso sozinha nem mais uma vez, nem mais um dia. O mar é muito cansativo, mesmo pra quem sabe nadar.
Voltei certa de que algumas coisas não seriam mais as mesmas e certa de que a luta que antes foi feita para que houvesse um costume posterior não mais existiria. A frustração foi grande e aos poucos as ondas foram me levando e me cobrindo.
O show agora é delas, como sempre queriam que fosse. Barulhentas, oscilantes, instáveis. E o show vai ter graça agora que não tem mais platéia?
A tentativa de me arrastar de volta à esse espaço foi forte, mas eu me recuso a passar por todo o medo de enfrentar sozinha de novo.
Não faço questão de transformar mais nada, que o mar faça sua própria bagunça e se perca nela. Meu espaço, embora sozinho, está encontrado, é uma pena que não possamos nadar na mesma direção.