quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

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Quanto não se tem o que dizer, o que sentir, o que fazer, as pontuações parecem se encaixar perfeitamente nas frases inexistentes.
E são delas que eu falo e há um tempo, são delas que eu vivo, reticências, vírgulas, interrogações, exclamações, finalizações de frases que nem começarem e que tampouco terminarão.É como um ciclo, rodando sem fim e chegando sempre ao mesmo lugar, incapaz de se curvar e fazer de um outro modo é fechado, tanto quanto a bolha, que ao inves de sufocar, acalma.
Tudo parece fazer sentido, ao mesmo tempo que é tão surreal que parece uma história e até que ponto as histórias realmente são reais?Mais interrogações cabíveis em frases sem lógica.
É tão confuso, tão incerto que é capaz de transtornar e eu viveria transtornada nessa bolha lotada dos pontos se pudesse, só para não ter que encarar as frases completas, elas são tão assustadoras e conseguem estragar tanta coisa que é prefirível não dizê-las, nem ouvi-las.
Acontece que a realidade fura a bolha todos os dias e vomita frases inacabáveis em cada segundo, nunca dá pra distinguir se é o barulho do ar saindo da bolha trazendo a tona o cheiro da realidade que incomoda, ou se são as palavras cheias de vida e vontades que o fazem.Seja lá o que for, é terrível!
E todos os dias, antes da bolha começar aquele barulho irritante e das pessoas (que vão crescendo em um número pavoroso) começarem a jogar todas aquelas frases sem sentindo, que incluem repetidamente "eu, eu, eu" como uma vítrola estragada tocando a mesma parte da música mais irritante já gravada, eu desejo não desejar estar naquela bolha de novo e é quando tudo recomeça, igual o ciclo mencionado, ou qualquer outra coisa que não termina e quanto mais se desespera e se grita por um fim, mas acontece como as reticências "ditam", inacabável.
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