quinta-feira, 4 de março de 2010

C.U.T.W.

Parada, ela estava parada sem nenhum sinal, placa, mão, ou qualquer objeto do meio externo para impedí-la de continuar, mas ela não continuava.
Caminhar significava muito mais que dar passos pra frente, por isso seus pés fixaram-se na intenção de mostrar o seu medo, era tão branco olhar pra frente, tão incerto prosseguir.
Tentou então um passo para trás, voltar ao que já havia conhecido, ao que já havia vivido, não adiantou, aquelas páginas já tinham sido escritas, já tinham um ponto final, não existia maneira de reviver, de reescrever.Todas aquelas páginas pediram ajuda de outros personagens que fizeram frases, que escreveram páginas, capítulos maravilhosos!
Mas ali, diante daquelas novas páginas, ela estava inerte.Não haveriam outros personagens que pudessem dar o suporto das páginas já viradas, era a vez dela fazer capítulos por si só, da sua maneira, com seus passos.E isso era aterrorizante e perfeitamente inapropriado para uma menina tão dependente, não era hora.
O vento a empurrava brutalmente na intenção de fazê-la dar o primeiro passo, criando um muro em suas costas tornando o regresso incapaz de ser feito, não havia torcida, não havia ninguém ali depois das páginas brancas em sua frente.Não era fraqueza, ou talvez fosse...
O vento soprava cada vez mais forte, até tirarem seus pés do chão, fazendo-a cambalear um pouco, era difícil distinguir se o vento a fazia cambalear, ou se o medo era quem lhe dava tremores.
Era uma decisão complexa a ser tomada, não haviam outras escolhas, ou ela estagnava ou seguia em frente.
Não deu tempo para perceber o que ela tinha em mente, em um salto gigantesco ela se jogou para o branco das páginas, trêmula, chorando feito um bebê, cheia de medo, se atirou corajosamente, dependendo apenas de sua força, que ela própria desconhecia.No fundo, sabia que conseguiria escrever uma história e tanto e preencher aquele branco com cores além das do arco-íris.