A instabilidade das ondas eram cansativas, não que o cansaço fosse motivo de desistência, atrapalhavam um pouco o ritmo das braçadas e da certeza de chegar a algum lugar que ainda não era avistado.
Caminhar no escuro não motivava, ainda que o desafio fosse tentador, a probabilidade de tropeçar era tão grande que o medo de não levantar de uma queda, cobria toda a adrenalina prevista.
O tempo era curto e acostumar era preciso antes que as ondas simplesmente passassem por cima no escuro, sem serem percebidas diante de todas as oscilações feitas, e impetuosamente o inconsciente desejava por isso, a angustia passaria despercebida se fosse coberta pelo mar.
O vôo parecia interminável e mesmo na hora da aterrisagem era como se ainda estivesse no céu, uma parte ainda estava lá, era difícil determinar qual delas e mesmo que voltasse para descobrir, ela estaria perdida no infinito, misturada no encontro entre o céu e o mar.
Buscar por ajuda em um lugar desconhecido, era o certo, mas não era apropriado.Vem a decisão de se recolher àquilo que lhe é oferecido e só participar das ondas quando elas se estabilizarem, era uma difícil previsão e em meio há tantas outras, era a única opção.
Uma decisão precipitada, ir embora sem certezas, com medo do escuro, para o lugar das maiores ondas do mundo.A ideia de não se despedir veio com a incapacidade de perceber que a ida realmente tinha acontecido e como um aviso de volta breve.
Pelo menos era esse o esperado.