sexta-feira, 26 de março de 2010

Nostalgia recente.

O vento chegava até as árvores e nunca me atingia, o vidro impedia a sensação natural, mas por dentro acontecia uma ebulição de sentimentos, quanto mais o tempo passava, mais demorava para chegar e as borboletas atormentavam meu estômago, agitadas, risonhas, impacientes.
Era o primeiro reencontro, o começo de uma rotina que se tornaria cansativa e medonha, mas que se acomodaria nas linhas tortas que seriam apresentadas depois.
Saber que haveria alguém ali, que ansiava pela minha chegada, tanto quanto eu esperava para chegar dava mais sentido ao caminho, às curvas, às placas que indicavam os quilômetros que iam chegando sempre perto, que iam diminuindo na medida que as borboletas aumentavam.
Os olhos que se encontraram e disseram tudo que as palavras não conseguiriam, o abraço apertado que não queria se soltar, o coração batendo cada vez mais forte.
Era uma quinta-feira feliz, o final de uma semana de 6 meses, a saudade da novidade e da vontade de voltar e sentir tudo de novo, agora é só ficar, só as quintas, que se tornaram sextas e muitas vezes, sábados, tão próximas de um domingo choroso, de um aceno triste, de um caminho inacabável.