Havia um buraco na parede, aos olhos dos outros ela estava intacta, mas o buraco estava lá, enorme, desfazendo-a aos poucos, descascando a tinta, corroendo os tijolos tornado-se cada vez maior.A parede não era mais vermelha, o branco se apoderou de tal maneira à fazê-la ficar sem cor, era pálida, triste.
Duas mãos agarradas em uma porta, implorando para entrar e ficar, gritando aos ouvidos de quem passasse o quanto precisava estar ali, ninguém escutava, ninguém podia escutar, tampouco entender.
Um tamanho menor que se tornava maior com o vazio que o ocupava, soletrando solidão com o sopro do vento que era tão forte, mas não fazia as borboletas voarem.
Outra parede ganhou cor, ainda assim, parecia morta, o ambiente, morto.
Era o primeiro dia de uma nova vida e a cor precisava voltar, as borboletas precisavam voar e ela precisaria aprender a viver, só não sabia como.