domingo, 11 de abril de 2010

It's gonna be a long night.

O dia inteiro passado, o segundo dia inteiro passado buscando por compreensão e será que ela vem? Esperando que aquele vazio se preenchesse de forma a inchar, como fora um dia, inchado!
Mas depois de passados dois dias, mesmo sendo recentes, acho que eu compreendi: O vazio não passa. Nem que a tentativa de enchê-lo seja tão forte a ponto de se tornar falsa, ele não é preenchido com momentos futuros e isso porque ele simplesmente pertence ao passado. Um passado que acabou ali e não vai ser presente e se tornar futuro, aquele era o fim de qualquer outro tempo verbal.
E mesmo compreendendo isso, ou fingindo ser humana suficiente e fazer jus à racionalidade que nos propuseram quando fomos criados, era difícil digerir e até mesmo suportar, porque o vazio ele não se instala simplesmente e fica, ele mexe, encostando-se às feridas que tentam cicatrizar e nunca conseguem porque o vazio as machuca de novo quando elas começam a fechar. Ele dança danças da solidão tão feias que ardem. Se pelo menos ele conseguisse se aquietar dentro de mim.
Eu entendi, entendi que havia um parasita em mim, um hospedeiro daqueles e que ele comeria cada canto do meu coração, que por sua vez, nunca lhe seria suficiente. Eu estava fadada ao sofrimento, eu me colocara naquela situação, aliás, a vida me colocara naquela situação e eu me acomodei a ela. Isso tudo porque dois dias haviam se passado, tão lentamente como dois anos inteiros e eu tinha certeza que o que tinha brotado-não como uma flor-dentro de mim, permaneceria por dias além desses dois.
Compreendi, mas isso não fazia com que ficasse fácil aceitar.