quinta-feira, 15 de abril de 2010

Intensidade

Reconheci todas as minhas “eus”, todos os meus nós, coitados, tão sós que até faziam rimas com o vento que cantava lá fora.
Era uma confusão, mas a confusão era uma neblina tão clara, tão coberta de certeza, era uma fusão. Fundia meus pensamentos de várias identidades com os nós embaraçados nos abraços apertados. Ah! Que saudade desses abraços nas noites frias do meu quarto, sozinha com um retrato.
Deitava nos cobertores que cobriam as minhas dores que tremiam debaixo deles, às vezes faziam a cama andar vez em muito faziam o meu eu parar. Ainda que difícil saber qual deles paralisava.
As pinturas nas cortinas dançavam ao canto do vento, que cantava as rimas dos nós, sós. Elas se encontraram e se embolavam como a confusão que era cada vez maior e se embolava em outra e outra e outra... Todas tão bonitas de sentir.
O canto era inaudível, mas ao mesmo tempo de uma beleza infinita. Os olhos foram fechando e a dor coberta pelos cobertores se acalmando e eu ali, me lembrando dos muitos que fui, das muitas que sou, dos muitos que fomos e do que não seremos.
Tão claro, tão... Tão!