Acho que algumas coisas são meio óbvias aqui, quer dizer, eu sentada no sofá esperando alguma coisa olhando para a porta, sabendo que a fechadura não vai fazer aquele barulho e que a maçaneta não vai girar. Minha expressão possivelmente é meio vazia, assim como o ambiente em minha volta, gostaria de tirar uma foto, mas tenho medo de me ver e me escondo, aqui, sentada e sem expressão, ausente de mim, sentindo a ausência de você.
Aquele cheiro que tinha a pipoca que a gente deixava no microondas e como você sempre brigava comigo por deixar a inhaca na cozinha, eu realmente não ligava e às vezes fazia só pra irritar.
A manta do sofá que eu com um toque, derrubava no chão e as piadas que você cismava em fazer sobre eu não ter coordenação nem para me sentar.
O beijo da manhã com gosto de café e o café me esperandO.
Sabe o que tem aqui agora, eu, as poeiras que hoje fiz questão de limpar. Então, sou só eu, eu e minhas lembranças malucas de saudade, produzidas pela representação que vocês tem para mim.
Um sofá produtor de livros, almofadas, uma mesa e uma televisão. Um quarto, uma cama e o vazio da falta.
A vontade de voltar, de cantar, de estar.
É saudade do lar.