As paredes se moviam, me senti um pouco embriagada do medo, talvez isso fizesse o teto girar, sei que ele não parava nem por um segundo de pular em cima da minha cabeça atormentada.
Do outro lado uma porta acizentada chamava a atenção e o medo de ir até ela ficava perdido no movimento das paredes e nos giros do teto, tentei me concentrar por alguns segundos até de fato me levantar e caminhar até a porta. Tentei afugentar meu medo por trás das palavras que sairam com dificuldade, mas foram corajosas. Voltei lá, aos 10, a semana que me fez conhecer todo o mundo de novidade que seria o meu mundo de pavor.
Nem na concepção de tranquilidade criada pela minha mente as paredes pararam de entrar em convulsão, elas estavam mais enlouquecidas do que eu. Fizemos uma roda, como aquelas que fazem em festas juninas e ela me rodou, me embalou e me continuou me desfazendo.
Numa embriaguez fajuta morri dentro de mim, de medo, de pavor, de calma. Consegui uma noite, as outras eram mistérios e os traumas eram tão vivos e óbvios que já não havia como contê-los.
E nessa parte, quando deveria ter acabado ou nem começado aos 10, recomeçou, voltou e continua aqui.