sexta-feira, 28 de maio de 2010

Mensalmente engANadOS.

Sirvam-se de anos, de meses, planos. A gente se engana em cada esquina, depois de se fascinar com o outro lado da rua. Tão perto e ao mesmo tempo inalcansável, fica aquela esperança distante de chegar até lá, enquanto os olhos ficam atônitos, buscando.

Sirvam-se de anos, de meses, planos. Até que uma hora tudo vai embora, tudo se detona e perder é quase encontrar, parar é quase continuar. Desistir é ser forte.

Causa essa angústia quando a brincadeira dói, quando a força é bruta e o riso é lágrima triste, aflita! Dói essa lombeira de um almoço mal comido, de uma cama mal dormida, de um filho pra criar.
Até que ficam os restos da visão dos que pararam na esquina, servidos de tanto mais. Punidos de muito menos, cheios, fartos. Os ângulos escusos, transparecendo como os raios de Sol na manhã nublada. As sortes, novelas em fins de semana. Perfeitos do outro lado da rua, servida de planos, danos, enganos.
Implicitos em meses que foram, que virão e que não serão, essa mágoa guardada na barriga que pede, esse sorriso torto do menino que não vê. Essa meia tigela que é tão carente que chega a ser quase nada.
E os anos, prolongados meses duradouros planos. Os anos que passam com uma rapidez morta, que uma fase torta e esses sonhos perdidos.

Serviços mal feitos, todos sem juízo. Vão embora cedo demais, fugindo das responsabilidades. Serviços casandos, imperfeitos, criados diante do mundo errado. E os olhos perdidos do  outro lado da rua, na esquina, sentados procurando, vagando. Mortos.