domingo, 30 de maio de 2010

Do cais, o mar com a menina.

O meio porto bêbado em seus trajes masculinos, esperava o barco chegar, ansioso em sua instância difusa. O mar agitado mergulhava suas ondas nas madeiras do cais.
A menina triste, acalmava suas lágrimas e batia as pernas incansavelmente tentando descansar suas aflições.
O cais desprovido de qualquer arquitetura moderna, desmerecido de olhar fitava o horizonte ansiava por um barulho. Algo que o fizesse crer que o barco chegava, que as pessoas andariam, que os risos viveriam, que a noite teria sentido.
O mar curava a ressaca e se embriagava na noite escura e vadia.
A menina se emancipava dos medos, se calava nos choros e se acoplava ao cais.
Que envelheceu, que faliu, que empodreceu com a água. Deixou de ser porto, quando não mais chegavam. E de tanto esperar se desfez.
O mar chorava, a menina batia, o cais se desfazia.
O mar batia, a menina se desfazia, o cais batia.
As vidas se encruzilharam nas mesmas estradas irregulares, nos encontros inesperados da escuridão interior.
Enquanto o mar se apavorava, a menina se despia, o cais tremia, cansada de esperar, a menina pulou o mar vibrou e o cais calou.