Acordei com essa vontade maluca de me desvincular de todas as coisas que me faziam pertencente. Perdi um pouco essa mania do ser humano de pertencer, acho que meio que deixei de ser humana, passei a ser coisa.
A coisa atrás do armário, da porta, da janela. A coisa que respira milagrosamente e ainda é coisa.
Acho que me confundi nessas ilustrações de perfeição, por isso aderi uma nova forma, onde só eu posso me denominar, só eu sei minhas funções, sem essa coisa doentia de pertencer.
Pertencer dói e te tira todo o domínimo sobre si, mesmo quando você acha que não.
Mas a questão do reconhecimento, acho que sempre pega porque nunca sabemos quem somos, mesmo que busquemos ser alguém. Mesmo que eu me diga coisa, se eu não for coisa pra outra pessoa, eu não serei coisa para ela. Não que eu me importe, é só representativo demais, perceptivo demais.
E eu não tenho tempo para isso, pertencer já me encubiu tempo demais, manias demais, dor demais. Preciso ser minha na medida que não sou de mais ninguém, não sei me dividir.
Acho que nem coisa sou, mas acho demais e isso tira meu tempo, perder tempo é pertencer à ele e eu desisto de pertencer.