Coberto por uma multidão atrasada, machucada, com olhos que dizem tanto e ao mesmo tempo são tão indecifráveis às visões leigas de um qualquer sentado ao fundo. Os barulhos do lado de fora da janela, o sol que queima os braços e machuca os olhos. E as pessoas continuam lá, mesmo insatisfeitas, mesmo reclamando, buscando cada uma por objetivos que acreditam que irão conseguir.
Se sacrificam todos os dias com terrores que nem sabem que passarão, que nem sabem que existem por ali. Os olhos se encontram em outros e se perdem com a mesma rapidez, tímida, desconhecida, aflita, nervosa.
Cada um com um caminho a seguir, se encontram por acaso em um dia qualquer. Descem em seus lugares de partida, ou de chegada, dependendo da visão, começam, recomeçam, dias, noites, horários inacabáveis.
As histórias das pessoas são tão interessantes quando se tenta descobrir através dos seus olhos, eles dizem mais do que qualquer um imagina, guardo comigo o que descobri de cada indivíduo, sentada ao fundo. São pessoas interessantes, de verdade, boas, ruins, não estao em outdoors, revistas e jornais, outras estão de forma indelicada, indesejada, errada. Mas são pessoas e suas vidas merecem ser contadas, um dia eu começo, só pelos olhos a desvendar tudo que elas expressam. Pessoas do cotidiano.