Não me encontro em lugar nenhum.
Tudo que me era familiar, me parece estranho. Até mesmo o som do carro chegando de um dia comum de trabalho, é tudo fosco, como se estivesse neblinado.
Entro num lugar comum e estranho, o qual eu não pertenço mais. Nem aqui, nem lá. Nem nas portas eletrônicas, nem na corrida barulhenta do final da tarde. São todos sons irreconhecíveis.
Me perco nessa inconstância de reconhecimento, quase não me vejo no espelho.
Não vejo os passos atrasados e quase que a saudade me derruba, mas eu vivo a tanto tempo que passou a me levantar.
Não me lembro desses lugares, não estavam assim quando eu deixei, não eram assim quando eu cheguei.
Perdida nesses tetos que eu não me encaixo, que não enquadram, que não me abrigam. Vivo nessa rua dos sonhos perdidos, da confusão devastada, do que não foi encontrado.
Eu não sou daqui, não sou de lá, de lugar nenhum. Talvez eu esteja no lugar errado, mas nem sei pra onde devo ir.