quinta-feira, 10 de junho de 2010

É que eu achei que eu pudesse entrar assim, sem desejo, só eu. Só as palavras do dicionário completo e minha forma inexpressiva e volante, voando por entre a porta fechada.
Imaginei que seria uma recepção convidativa, imaginei que todos fossem vibrar, pensei que eu pudessse chegar. Só eu. Eu e as palavras que me seguem como sombras e me resguardam dos dias frios que cobrem a árvore do quintal. 
Quis ficar o tempo todo percebendo as presenças entrosas, que pulavam de um lado para o outro e se misturavam em cores perfeitas, minimizando minha solitude inquieta. Sondando os ares perfumados com a poeira que saia dos tapetes e as palavras sapecas escapuliam brincalhonas por dentro deles, fazendo cosquinhas e ajudando a poeira subir.
Eu não caibo aqui! Sem pensamentos, palavras soltas não fazem frases, que por sua vez, não montarão conversas que te levarão longe. Só eu e as palavras. Eles querem mais que isso. 
A experiência que pede, não mede a vida que passou atrás. Ela que deixa as cicatrizes montadas nas astes, os sombrios sonhos de madrugada que perdem a cama e tocam o chão.
Investir nos sonhos errados.
Mas aí, fomos embora. Eu e as palavras. Quase sem esperanças de nos transformarmos em algo mais que uma dupla muito individual. Só eu. Eu e as palavras dolorosas palavras solitárias em si.