quinta-feira, 3 de junho de 2010

Chão

Fica difícil andar com essas poças mal cuidadas atrapalhando o caminho. Se cada pulo é como um martirio significativo, a dor é quase inatingível.
E a gente permanece nessa constante falta de senso. Desviandos das poças sem tocá-las. 
O problema é que quando não esquiva, a gente cai e fica pedindo por ajuda por ter simplesmente caído numa poça, se molhado, se sujado. 
E é tão pouco, quando a mão estendida não é sua. Quando a poça se torna um mar de lixo e reclusões. É mínimo e o tempo todo que se desviou, fica pra trás, perdido nas outras poças alarmantes do chão elameado. Reflete tudo que a gente não quis ver, tudo que nos proibimos enxergar.
A gente nunca sabe o que nos espera e por fantasiarmos tantos erros, deixamos as poças se evaporarem na manhã ensolarada de um seguinte. 
E o pequeno do pouco que resta na água, fica no ar. 
Ontem eu cai numa poça, meu perfeito pequeno banho de rosas.