sábado, 26 de junho de 2010

E eu que gostava de me perder.

Eu mesma não caibo aqui. Meus sonhos ali, parados me encarando como se quisessem me comer, achei que eles teriam conseguido se eu não me cobrisse. Mas as metáforas que antes se encaixavam, ficaram no meio do caminho imitando as pedras, me fazendo tropeçar sem uma mão para levantar.
Os mesmos erros de ontem a noite, as mesmas falas que me encobri de gravar. Os textos que eu soletrava, com a facilidade de um assopro, sairam de mim, assim como os sonhos agora deitados no chão. Achei que eles estivessem dormindo depois de me encarar, pareciam mortos, assustaram meus pensamentos.
Quando você se coloca em um lugar, a intenção é que pelo menos um pouco, de alguma maneira você se enquadre nele, eu entrei nessa forma geométrica desregular que não me sustenta. E agora, caber já não faz sentindo.
Meus erros se prenderam aos sonhos, morreram e atormentavam os fantasmas de mim.
Se eu soubesse reconstruir com a poeira que cobre meus sonhos, mas são restos e passei a não me dar com eles, todos já estraçalhados, pela metade. 
Não consigo me encontrar nessa sujeira que eu mesma fiz, nessa bagunça que eu deixei por arrumar. E a vida que passava diante dos sonhos que eu dormia. E agora, mortos, sem preço me consomem de arrependimentos. 
Acabei descontruindo as outras partes que eu conclui, inteiras, hoje são poeira de novo. E meu lugar de partida, meu último peso se perdeu. Não sei me encontrar, sem meus sonhos, sem minhas construções.
Alguém que goste de resto vai passar por eles, vai ajudá-los, ficarei feliz por vê-los se encontrando. 
E eu que gostava de me perder...