Senti frio, não um frio que pedisse um cobertor. Na verdade, era o frio quem me cobria, senti tanto como se fosse meu, que fiz questão de lhe atribuir vida, quem.
Consegui sorrir para o que me arrepiava, pelo menos era alguma sensação e eu não deveria me abster dela, deixei que ficasse e levantasse tudo em mim e me fizesse pensar em acordar doente amanhã, melhor assim, outras sensações viriam. Ou eu conseguiria ser tão absorta à essas também? Melhor não esperar, vou ficar sentindo frio por enquanto.
Cheguei mais perto dele, mesmo com medo, o céu num vermelho lindo como se quisesse me pintar com ele me chamava. Sentei na grama molhado de sereno e esperei que ele me contornasse. Quase podia ouvir o vento vindo de longe e chegando em mim.
Confesso que ele me arrepiava, não de frio. As mesmas frestas nas quais eu olhava, procurei por elas e sem encontrar fiquei olhando o céu.
Percebi que dormia e talvez sonhava, ou sonhava simplesmente?
O dia clareou, esperei vir algum vestígio de doença, nada.
Talvez eu realmente estivesse sonhando com a vontade que tenho de sentir alguma coisa, mesmo que seja só o frio. Ou o calor em mim. Ou qualquer sensação que me coloque em outra pessoa que não mais a que eu pertenço... Socorro!