quarta-feira, 21 de julho de 2010

Eu.

Vivo despenteada, nervosa, sem maquiagem. Vivo inconstante, pulando nos galhos, quebrando outros.
Sigo caminhos que não me levam a lugar nenhum, caminhos que eu traço com os dedos, caminhos já traçados por pegadas que eu vou atrás.
Deito tarde, acordo cedo. Visto meus medos, visto minhas roupas. Não visto nada.
Ando torta, ando bêbada, descentralizada, sou o centro do universo. Do meu universo. Que gira, gira, gira e me faz cair.
Levanto das quedas, sozinha, acompanhada, de mãos dadas. Perco os encontros, perco as horas.
Vivo detalhes, morro em certezas.
Sonho paisagens, maremotos, montanhas, rochas. Realizo terras, campo, verdes, ar.
Encontro os papéis que há poucos eram cartas, misturados no lixo. Reciclo as palavras riscadas, sinto saudade, gosto tanto de você, oi, tudo bem?. Não as uso, estão jogadas no lixo. Mas reciclei na minha memória nostalgica.
Vivo quente no frio, vivo fria por dentro. Mordo os dedos, como as feridas, as cascas descascadas que abrem ainda mais. Sangro o jardim, as flores, as rosas. Cresço nas arvores que morrem 150 anos depois, que viram tantas pessoas morrerem meses depois.
Sou minha amiga, minha pior inimiga, me desfaço nos cantos que escondo, me refaço na frente do mundo. Gosto de tudo, não gosto de ninguém. Gosto da magia perdida no amor, do sentimento esquecido. Da dor da saudade, de ir e não voltar.
Odeio, sou tão intensa que consigo odiar. Mas intensidade machuca e continuo me descabelando com ela.
Sou vida, morte, encontro, desencontro, ponteiro perdido na hora marcada. Não fui achada, não fui perdida, não me interesso, não me acostumo. Não fico, mas sempre estou indo.
Vivo dos lugares, das paisagens, vivo a intensidade do momento e me perco na capacidade e na importância dele.
Aconteço e acabo.