Dói. Dói tanto que não consigo me esquecer da dor, nem quando eu quero. Dói aqui, ali, dentro e fora.
Dói. Marcam as dores pobres de perdão, os risos que veem forçados naquele lado. Quase me perco neles, mas a dor não permite.
Inerte à ela, inerente à mim. Fui tantas e agora sou dor.
Olho pro lado enquanto o outro tenta se enconder, dentro da dor dele que acumula nessa perfeita sanidade rotulado.
Talvez seja por isso que doa tanto, os rótulos são cruéis. E se você não é consegue escapar da dor, é louco e ponto final.
Remédios que aliviam a sensação, a fuga da realidade, é tão patético que existam remédios para isso. Tudo porque a realidade também dói, fere os olhos, os ouvidos, cansam.
E se te permitem esclarecer, tudo tanto quanto machuca, tudo que é dentro e passa para fora, dói.
Cansei de me esconder da dor, fugir também dói. Transpareci, triste, deprimida, sozinha, pode rotular, nomear, diga as letras que couberem. Me levem para qualquer lugar, droguem-se em busca da fantasia, lá na mais perfeita loucura vai doer! E quando acontecer, você será o quê?
Dói, dói em todo mundo. Muito, pouco. Comparando ao que for, a qualquer dor.
A intensidade é o menos importante nesse caso, importa que dói e só quem é corajoso admite.
Porque coragem dói mais que a fraqueza e fraquejar é triunfo dos que se escondem.