Algumas coisas sempre vão mudar. Coisas que a gente não controla, como a temperatura, as estações, a hora, os dias. Até algumas exatidões matemáticas, mudam. Muda também coisas que por muito tempo pensamos que esteve em nosso controle, nossa liberdade, nossa independência.
A maioria das coisas muda, muda pra melhor, muda pra pior, pra ajudar, pra ampliar. Muda pra construir, pra sermos alguém. Muda pra diminuir, para tentarmos ser alguém.
Vivi enlouquecida essa fase da mudança, passei por muitos lugares, tentei controlar muitas situações e todas elas escorregaram da minha mão como sabonetes molhados e eu não entendia e era tão claro: As coisas mudam.
Mas de todas essas, por todas as fases que eu passei, por todos os meus momentos e por toda credibilidade de mudança, uma dessas não mudou. E que sensação inexplicável, passar por tantas etapas e manter alguma coisa. Manter um sentimento, cultivar a certeza. A certeza daquele infinito e de todas as coisas que um iam se lapidando com o tempo. As coisas que poderiam ter sido desabadas e que tiveram oportunidades inúmeras de serem e nunca mudaram.
Permanecem seis, completando as arestas do hexagono, ou a cumplicidade ou qualquer outra coisa que lembre o número.
Pessoas que entram, pessoas que vão, amores que ficam e que fazem sofrer. A vida corrida, a vida crescida. Os antigos problemas pequenos, as provas da escola, os novos problemas grandes, as contas pra pagar. Sempre tão difícil, sempre tão mais fácil com vocês.
O dia hoje pode ser especial, mas pra mim, há pelo menos uns 7 anos todos os meus dias são especias por tê-las comigo, mesmo que não presentes em todos, mas só sabendo que tenho isso é bem maior que tudo que mudou e que tudo que vai mudar.
Porque é ai que entra a diferença de uma amizade verdadeira: vem pra ficar.
