Gosto de ir a esses lugares.
Ninguém sabe o meu nome, o que eu fui, o que eu sou. Vou assim, vestida de mim, sem muitas pompas, sem muito desdém, na medida certa para ser comum. Não que eu goste
dessa coisa de ser igualada a todo mundo, tenho minha instância em ser diferente. Mas de vez enquando eu fico de saco cheio com toda essa ideia que as pessoas esperam.
Tenho um pouco de medo dessa esperança que as pessoas tem de mim.
E é por isso que eu gosto desses lugares, alguns me olham, mas logo se aquietam e ficam. Me junto a eles e me torno mais uma, assim, qualquer uma. Uma na multidão de
tantos outros. E fico ali parada esperando alguma coisa, no fim das contas eu sou mesmo como as pessoas, tenho esperança em outras coisas.
Talvez isso me mova, mas o fundo mesmo, me sinto mais completa quando sou comum. Ninguém quer que eu me destaque, ninguém exige coisa ou outra da perfeição inalcançável
somos imperfeitos em medidas iguais. Somos tão iguais que nos tornamos distintos, nos detalhes dos olhos, nos rostos pouco armados, nos outros cheios de experiência,
no sorriso escondido, nas lágrimas entrecortadas que moldam os narizes.
Gosto de ir a esses lugares, assim, ficar e me sentir sozinha, comum como qualquer outro na multidão, cercado, diferente.