quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Caligrafia da rodada.

Encontro os mesmos nomes pendurados no meu quarto, acho que ainda estamos sozinhos, o mundo ficou em silêncio pra nos ouvir cantar. Acalmei as cores do papel de seda que eu comprei mais tarde e que logo depois você rasgaria em tom de fúria ciumenta.
E mesmo que não estivessemos sozinhos o mundo perderia o sentido em seus ruídos fúnebres. E só o que quiséssemos ouvir seria capaz de nos mudar.
Guardei o papel rasgado como uma lembrança de um dia qualquer, uma lembrança de alguma coisa que logo depois se encaixaria em nós e nos faria desistir.
Eu disse que desistiria, sei o quanto é difícil permanecermos descrentes desse nosso mundo particular, dessa privação de bens e sufoco.
Você me sufoca! E eu te perco, porque não sou capaz de me sentir presa, porque temo o pior. Você me apavora em seus mínimos suspiros e meu suor de antes é sangue frio de agora e eu não suporto mais ficar aqui.
Você deveria ir embora, eu não consigo mais. Esse ciúme acaba com o papel de seda que aos poucos se transforma em bola e vai embora.
A gente não deveria ter se encontrado, o quarto escuro parece sozinho. E se você não estiver mais aqui pra me sufocar? Preciso me acostumar, me abraça, ainda é cedo!
Preciso me acostumar, é tarde, eu ainda tenho medo.
Me sufoca!!! Eu não quero ir embora, eu preciso me acostumar. Me acostuma, me abraça.
Ainda quero sentir, se você fizer direito, me deixar sem jeito. Ainda posso sentir, essa liberdade não faz sentido quando estou solta.
Preciso de você, preciso me prender.