domingo, 1 de agosto de 2010

Explicação.

Não, não vou postar coisas melancólicas agora. Vou tentar dar uma explicação pra ver se as pessoas chegam a me entender, ou a pelo menos me respeitar.
Não é porque eu escolhi uma profissão na qual serei cercada por problemas dos outros que eu não gosto de expor os meus também, ainda que isso seja meio chato e que o fato do assunto se prolongar em meu nome me deixe nervosa preciso dizer isso.
Acontece primeiro, que as pessoas vem me dizer que eu escolhi Psicologia pra que os problemas dos outros sejam meu refúgio para os meus, eu acho isso muito engraçado, sério. Eu sempre gostei de colocar os problemas dos outros na frente dos meus, talvez até pra esconder mesmo que tenho coisas erradas na vida, mas daí a levar isso como profissão? Posso até ser egoísta e sou, admito. Mas eu não fujo dos meus problemas, acreditem. Posso até guardá-los em algumas gavetas da vida, ou fingir que eles não existem pra que eu possa viver em paz. Mas um dia, uma hora da vida eu abro todos e resolvo e ponto final.
Tenho medo sim das coisas que podem me atingir, por isso muitas vezes não me envolvo com nada pra que nada venha e me machuque. Mas isso não significa que eu seja problemática, ou que eu viva nessa constante mania de resolver a vida dos outros e esquecer a minha.
Ok, todo mundo já entendeu, eu tenho problemas.
Então, lá vai: Hoje (31/07) me ligaram me chamando pra sair e eu mais uma vez, disse que não estava muito afim, dei inclusive opções do tipo "Quer vir pra cá? Alugamos um filme, sei lá. Vamos num bar". Me chamaram de velha e disseram que eu ando esquecendo de mim (mais uma vez e não, não foi a última), que isso não é bom e etc mais. Pra completar a conversa séria que minha mãe teve comigo sobre "eu estar me distanciando do mundo", pois é, começou com a ideia de que eu não saio mais de casa, que vivo de livros, televisão e internet, que não me prendo a mais nada/ninguém, que não saio mais com meus amigos (eu saio sim), que não arrumo namoradinhos (alguém pra ocupar minha mente), que vivo o dia inteiro dormindo (agora tenho culpa se minha cama é deliciosa), um discurso completamente oco sobre as coisas que ELA acha que EU deveria fazer. O mais engraçado disso tudo, é que há alguns anos atrás, quando eu era essa pessoa que ela quer que eu me (re)torne, o discurso era exatamente pra que eu fosse a pessoa que hoje eu sou. Vai entender.
E com isso, surge a ideia de que eu ando tendo problemas com meus coleguinhas, essa mania infeliz de que eu não posso querer minha companhia é sempre atribuida aos outros, coitados. A ideia de que estou emocionalmente afetada por alguma coisa. E que eu preciso ver gente, viver a vida, que uma hora eu vou me arrepender de ter passado esse tempo todo trancafiada dentro de casa.
Pra começar, meu emocional está bem estável, nunca tive mais saudável mentalmente do que na fase em que me encontro. Finalmente tomei coragem pra me conhecer, gostei da minha companhia, é pecado alguém gostar de se ter como companhia? É egocentrismo demais, tá, ai eu aceito, mas eu estou muito bem comigo.
Talvez tenha perdido algumas festas, mas quem quer amigos só pra sair? Se tenho amigos que entendem que eu gosto de ficar em casa e que nem por isso eles desistem de me chamar pra sair, se tenho amigos que gostam de passar um tempo em casa comigo, pelo simples fato de também gostarem da minha companhia, eu sou completa e feliz.
Desenvolvendo a redação enorme, pois é, subi o morro depressa demais, fui avisada, não dei ouvidos, mas nunca me arrependi de fazer as coisas que eu tive vontade. Sempre fui assim, peço inúmeros conselhos, escuto todos, mas quando eu estou disposta a fazer alguma coisa, nada, ninguém e conselho nenhum tira a ideia da minha cabeça e eu vou até o fim com isso.
Prosseguindo, o fato de eu ter crescido em uma cidade pequena e escassa de divertimento infantil/adolescente, pode sim, ter ajudado a hoje, na idade em que eu deveria estar fazendo as coisas que eu fazia com 13/14/15/16/17.... e que agora, pra mim, não tem mais tanta graça. Mas não é porque com 13 anos eu saia e tudo mais, que eu deixei de ser uma criança feliz. Aliás, não em termos comparativos a nenhuma outra porque não posso falar do que eu não sei, mas minha infância não poderia ter sido melhor. Fui o moleque que eu deveria ser, curti a rua, bola, carrinho de rolimã, bicicleta, corri, fui feliz e muito, brinquei horrores. E ai com 13 anos descobri que a vida tinha outro lado ahaha, tenso, eu sei.
E já não me agrada mais sair de casa, entrar nos lugares, ver pessoas que estarão fazendo sempre a mesma coisa, nos mesmos lugares, com as mesmas caras de "não sei o que estou fazendo aqui", sem nenhuma ideia realmente. Ok, estão se divertindo e eu super respeito a diversão delas, mas o que eu quero que elas entendam é que este não é mais o momento de ter felicidade e me sentir urrul, quando eu saio a noite e chego em casa 5 horas da manhã. Curto, claro. Vez ou outra, porque também não sou de ferro, não sou um alien. Mas caramba, sabe?
Não to com problema com ninguém. Estou feliz, bem comigo mesma, satisfeita. Estou vivendo ótimos momentos, me realizando a cada dia e se é amigo, se realmente me quer bem, como me quer do lado (o que eu acho ótimo), vai respeitar, vai entender. É o meu momento de viver uma vida comigo, de me tornar alguém que depois eu vou olhar e dizer:  Me orgulho de quem eu sou.
Não estou sofrendo, não estou em depressão, estou me curtindo. Quem quiser se juntar, será sempre bem vindo, mas não é pra achar que eu sou uma velha cabeçuda que não faz nada. Eu faço, mas do meu jeito.
Uh! É isso.