Desde que eu me decidi por uma pessoa "moderna" as coisas mudaram. O vazio que antes era bom e se preenchia aos poucos com algum novo sorriso que eu conhecia, passou a atordoar. Modernidade pra quem sempre foi antiquada, mesmo quando a vida pedia por mais.
Esses filmes, quem diria que eu poderia ser tão influenciável, mas depois daquele sorriso desacredito de qualquer força que tenho para abalar as influências.
A gente acha que tá certo quando não quer admitir estar errado e por mim, o tempo todo para qualquer pessoa que me pergunte, sou e estou certa, sou e estou bem porque minha mente é muito aberta e tudo que eu faço é em prol dessa vida nova que levo. Não me desconstrui, de forma alguma, só me renovei ainda que tenha medo dessa novidade.
A verdade é que mesmo depois de me sentir tão bem, mesmo quando tocaram a alma com algo mais que palavras, mesmo que o olhar tenha sido de ternura e mesmo que agora eu esteja me perguntando que porcaria é essa de olhar que eu escrevi, se não teve porcaria de olhar nenhum. De repente eu queria tanto que tivesse que fiz ter. Mas as mãos foram verdade, as mãos se encontrando indo e vindo no compasso de uma música qualquer, tocada minutos depois no violão, isso eu não inventei.
O sorriso de uma piada sem graça que me deixaria sem pouso pelo resto da semana, isso não veio de mim, isso aconteceu.
A conversa, fato. O sorriso, fato. A mentira... Fato.
Acho que quis mostrar pra mim mesma o quanto poderia ser capaz de ir contra meus próprios princípios e me sentir bem com isso. Mas é aquilo, sou minha pior inimiga e esse auto boicote nunca funcionou muito bem.
Essa esperança de uma mensagem que até aconteceu, mas com a facilidade que veio eu consegui deletar e acabou.
Só não acaba esse nó aqui dentro, esse vazio fundo, fundo, que mesmo tentando cavar eu não consigo alcançar. Não acaba essa vontade de me xingar com todos os nomes que em algum lugar da minha mente enlouquecida, eu acho que fazem. Não acaba uma força incrível de voltar no tempo e correr contra ele e nunca deixar que as coisas seguissem o caminho que seguiram.
Eu não deveria tentar ser, eu não sou e ponto. Essa coisa de ficar tentando ser atriz na vida real, a troco de quê? Noites mal dormidas? Mensagens mentirosas que fingem um cuidado inexistente?
E uma sensação tão podre, um nojo tão grande de querer mudar. Fica como é e ponto. Não tem nada que ficar se mesclando, não se encaixa, vai embora e chega!
O mínimo que eu poderia fazer era fingir gostar de alguém, ou pelo menos fingir que sofro por isso. Mas agora não tenho tempo de pensar em gostar de mim, só de sofrer pelo que eu tentei ser e sentir esse bolo aqui dentro.
Chega a hora e eu deveria estar fazendo qualquer outra coisa que não escrevendo, que não imaginando, que não querendo. Voltar a ser e a metade sã de mim ainda diz que nunca deixei de ser, eu sei que não, só tentei deixar.
Vazio, vazio, vazio, vazio.
Será que eu me acho num circuito tão raso? Não sou mais funda, profunda, vazia.
Quem, eu?!