sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Mudando para a mesma coisa.


Todo dia é a mesma coisa e quase ninguém sabe. Acordo com as mesmas vontades que me impediram de dormir, que me corroeram o sono e me fizeram acordar às 3 da manhã com medo do relógio vermelho piscando e olhar pro lado e pensar a mesma coisa da noite passada: “Será que ainda falta alguma coisa aqui?”. E eu nunca sei se realmente falta, ou se sou tão incapaz de viver meu medo sozinha, que preciso da incerteza de que alguém ao meu lado que acordaria junto comigo ao mesmo horário e me abraçaria dizendo qualquer frase parecida com “eu estou aqui e vai ficar tudo bem”.
E acordo, já meio tarde, meio atrasada com um ar de não queria estar acordando agora e odiando a música desconhecida que toca no despertador. Qualquer dia eu ainda quebro esse maldito! Mas por enquanto eu preciso dele e é só isso que faz com que ele ainda exista, minha necessidade.
E aí o dia acontece, aquela aula que eu fico pensando que seria muito mais prática se não tivesse tanta embolação e em como a vida seria mais fácil se pudesse ser resolvida com esta aula, que ainda que confusa, dá uma praticidade em tanta coisa. “Tudo muda o tempo todo no mundo”, meu Deus! Que música é essa? Logo agora? Não muda, não concordo com.. Esqueci o nome do filósofo, tão pouco com Lulu Santos que depois de estudar... Como é o nome do cara mesmo? Enfim, qualquer pré-socrático importante com 126 fragmentos. Todo dia é a mesma coisa, não é fácil perceber?
Os mesmo sentimentos, as mesmas vontades e os mesmos erros. Todo santo dia! E essa rotina que sufoca mesmo depois de uma semana, preciso de liberdade e ao mesmo tempo queria tanto me prender a alguma coisa que me fizesse realmente querer liberdade, que me sufocasse e que eu conseguisse sentir diferente.
Ai a aula acaba e entre uma música e outra, pessoas que eu nunca vi na minha vida com sorrisos lindos e outras mal humoradas, gritos na rua, outra música melancólica que me faz lembrar o quanto seria bom e alguma daquelas vozes cantasse pra mim. Uma música dançante, e eu imagino, uma noite em que eu me acabaria de dançar e seria feliz. Mas eu não preciso disso.
O almoço que eu tenho preguiça de fazer e o quanto eu me sinto impotente por cozinhar só pra mim, não entendo porque tive que aprender essas coisas, queria mostrar pra todo mundo, ou só praquele carinha que me faria ficar na cozinha a tarde toda cozinhando qualquer coisa. Pera ai! Acho que tem uma música assim, que seja!
Ai entre um capítulo de um livro chato que eu não entendo nada, uma leitura de uma colunista que por incrível que pareça sabe exatamente como eu sinto, uma tarde de sono, uma ida ao cinema ou qualquer coisa assim. Eu continuo sentindo a mesma coisa.
Mas depois do mesmo dia de sempre, quero que a noite seja diferente, então deixa, deixa o sentimento corroer e dar rotina ao meu dia, deixa as coisas aconteceram exatamente como aconteceram há semanas atrás. Deixa a vida ser igual, porque hoje à noite eu prometo não deixar e ser, fazer, exatamente como deseja: diferente. Cali grafando a mudança constante que o Lulu Santos ou o cara dos 126 fragmentos ditaram, hoje a noite eu sou diferente. Sou da maneira que eu quiser, da maneira que me quiserem. Hoje eu mudo o tempo todo no mundo.
E os outros dias finalmente serão outra coisa.