Acho que às vezes eu complico as coisas mais do que devia, não porque eu quero, mas porque quando elas estão claras demais eu me perco e me confundo e você aparece nessa trasnparência que eu crio. E fica tudo mais aflito do que quando as coisas são complicadas.
Dói porque você não está aqui e porque eu sei que não vai vir, mas ai de repente você chega e o seu cheiro espalha toda a esperança que me sobrava como pólvora de saudade e a qualquer momento vai estourar e eu fico esperando e te olhando e esperando mais ainda. E explode! Porque ter você aqui é existir e me forçar a sorrir quando tudo que eu queria era te abraçar e ficar assim, eu e você. Só nós dois.
Mas assim como você chega, a facilidade com que vai embora é facinante, mas não um fascínio que atordoa a mente, destes que me deixam sem dormir e me fazem querer sair correndo pra te ver a qualquer hora do dia, mesmo que eu esteja rodiada de pessoas lindas e cheirosas. É, o seu cheiro é um problema enlouquecedor e eu nem sei de verdade qual o seu perfume.
E eu prefiro a luzes turvas que não me deixam enxergar direito, que me fazem pensar que esse rosto que me encosta é o seu, que esse corpo que me chama é o seu e que tudo em volta pode ser você. Mesmo que no fundo eu saiba que não, as coisas complicadas me deixam pensar que sim e eu fico melhor.
E logo depois dói de novo, enquanto eu vou embora de uma manhã cansada eu vejo e não é você e tudo clareia.
Então eu escolho a complicação, pra eu poder inventar problemas que não me tragam a tona toda essa vontade de que eles girem em torno do seu nome, pra que o dia cresça fosco e eu não precise descobrir que não é você do meu lado, pra que tudo seja tão inexpressivo que eu não consiga sentir você. E assim vai, num círculo que segue toda essa confusão de não te ter comigo, melhor do que vê-la como real.
Entre você e a complicação.