Um pouco de respeito para quem não sabe dar mais que isso. Algo como estar sempre no mesmo lado de um lado que não é seu.
Ainda acredito que as pessoas possam ser boas, sinceramente, não sei porque.
Um pouco de carinho de quem não sabe o que é acariciar. Foi um tempo de ternura que ninguém teve, fica uma lembrança sombria de um final de tarde colorido, de um sol nascendo lá no fundo e um dia seguinte sem cor.
Como se faltasse uma parte desesperadora de mim e ainda sabendo que não vai se preencher dessa forma eu continuasse numa tentativa suicida de encontrar uma peça.
Um pouco de dor pra quem já sabe o que é perder.
Eu que sempre consegui chorar tão fácil, em tudo, com tudo. Alguma coisa errada nesse meu lado insano, alguma coisa como estar sã e esse peso aqui dentro é sanidade ou tristeza?
Acho que ainda fica uma esperança de um dia que não é meu.
Um pouco de tristeza pra quem não quer ser feliz.
E as várias formas de sorriso que você não conseguiu arrancar, sentir uma coisa que não é sua. Ainda pode ser o que não é e não foi. Insistir na ideia de que o outro faz e quer, quando só você trabalha pra isso.
Eu não tenho força suficiente pra aguentar um peso tão grande.
Um pouco de grandeza pra quem sempre foi pequeno.
E tudo parece maior, quando eu consigo diminuir tanto que não me faço aparecer. Assim, falta o respeito pra esse meu lado de inverno sem hora. Falta silêncio em momento de paz, alguma coisa sempre falta e ninguém percebe que eu não sou inteiro.
Um pouco de alguma coisa pra quem é vazio.