O que eu espero dos bons (que são fracos), são os pequenos galhos existenciais que me sustentam, essa vida inteira propulsora que me atinge em meio a tarde fria de um inverno que acabou há tempos.
Esperar, sentar e ficar olhando o nada enquanto o nada continua a acontecer. Por medo, por acomodação, por prazer. Espero que os fracos não esperem, são bons demais para ficarem parados se fazendo de apáticos, enquanto o mundo vive e ruge e sente e chama.
Agudos os sentidos de mais ou menos, essa dor aqui e outro ser que morre ali do lado. A gente nunca entende como funciona tudo isso, vai vendo pela fresta da cortina que deixa o vento virar fantasma, vai se estreitando nos ponteiros do relógio que maximizam a dor da espera.
E o tempo nunca passa, enquanto ficamos todos em uma sala de costura reclamando as vidas antigas que nunca passaram de fases, fases inventadas e que nem por isso não existiriam. Vivi essa metade inventada que me é por direito, real. Enquanto eu esperava que a verdade de mim viesse em torno dos bons e fracos músculos que eu não enxergo.
Quase sempre me encontro em meio a um prefácio coloquial de mentiras sortidas, escolho uma, me visto e saio por ai. Sorriso, maquiagem e pouca roupa, todo mundo olha, mentira pode até ter perna curta, mas engrandece a gente com ela, fiquei enorme e todo mundo me olhava de novo.
Contornei as fases de realidade porque dor não é coisa de gente forte e ser fraco dá muito trabalho, ser bom é ruim demais. Fico parafusando os terrenos que não precisam de parafusos e me vejo inerte a um caminho sem saída e sem volta e me empresto ao mundo, só de sacanagem, só pra ver se ele me fode um pouco e se eu fico atordoada com o ato.
Porque assim, desse jeito, eu canso de esperar e de ser forte e canso de me dar ao que não preciso. Gasto minhas fobias em tempos demais, deixando-as banais aos que não as conhecem. Retiro-me em tempo suficiente do ponteiro marcar uma hora adequada e me visto de outra mentira pra não perder o costume da verdade cansada.